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Pelo mundo

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato IV: O cantar da Cotovia- parte 2

foto: a despedida dos amores filme de 68
— Droga! Quem és? Que desejais? Vem da parte de quem? — interroga Frei Lourenço.
— Sou eu, Filippa — responde a voz. — É minha jovem senhora que me mandou aqui. Estou vindo da parte de Julieta!
O frade solta um suspiro de alívio e abre a porta.
— Oh, boa dama! Bem-vinda sois, então! — cumprimenta-a.
Ela beija-lhe a mão devotadamente...
— Oh, bom frade! Onde está o senhor de minha ama?
— Ali no chão, abatido por suas lágrimas — fala ele desanimado.
— Senhor! Oh, meu senhor! Coragem! Levanta-te! — a ama tenta animá-lo.
— Ama?!! Oh, ama!
Romeu se joga aos pés de Filippa.
— Oh, não! Não faça isso, vamos! Por amor de Julieta, seja forte!
— Diga-me: como ela está? Não me julga assassino inveterado? Fala, cara ama! Que diz minha secreta esposa, de nosso amor destroçado?
— Ela não diz nada... —a ama começa a chorar. — Apenas chora, chora sem parar. Ora chama por Teobaldo, ora grita por Romeu...
— Como se esse nome a matasse! A FORCA PARA A MINHA VIDA!!! VOU AO PRÍNCIPE ENTREGAR-ME!
— Amo, não!
— ESTÁS LOUCO!!!
Frei Lourenço e Baltazar o seguram, impedindo que ele saísse.
— DEIXEM-ME!!! Direi ao príncipe para que me enforque, pois de Verona eu não saio! — exclama ele irritado e tentando desvencilhar-se.
Colocando uma força descomunal, que Frei Lourenço até desconhecia possuir, joga-o violentamente no chão, no que Romeu ficou assustado. E não parou por aí: Frei Lourenço pôs-se a sacudi-lo com violência, como se desejasse libertá-lo daqueles arroubos desesperados.
— DETÉM ESTA DESTEMPERADA RESOLUÇÃO! ACASO ÉS HOMEM?! TUA POSTURA O AFIRMA, MAS AS LÁGRIMAS SÃO DE MULHER, MOSTRANDO ESTES TEUS ATOS IMPENSADOS O FUROR SELVAGEM DOS PRÓPRIOS ANIMAIS!!! Ó, deformada mulher, sobre a aparência de um mancebo... PASMO ESTOU! Pela minha Ordem Sagrada: sempre fiz outro juízo de teu temperamento! NÃO MATASTE TEOBALDO? AGORA QUERES PÔR FIM Á TUA VIDA E ASSIM, MATAR A TUA PRÓPRIA ESPOSA, QUE DE TUA VIDA VIVE, REVERTENDO CONTRA TI PRÓPRIO, ESTE ÓDIO AMALDIÇOADO?! VAMOS HOMEM!!!! LEVANTA-TE! Tua JULIETA está viva, por quem te achas quase no ponto de morrer! Estás com sorte, pois Teobaldo quis matar-te e morte deste-lhe! A lei se mostra tua amiga, a pena-de-morte atenuada para exílio... OUTRA VENTURA! Sobre o dorso um fardo de bênçãos te caiu. Com seus mais ricos atavios te vem fazendo a côrte sempre a felicidade! Vamos! Levanta-te colosso e vai ter com tua esposa!
— Sim, meu senhor. Foi por isso que vim. Julieta manda dizer, que em nada mudara o seu sentimento para convosco. Ela o ama!
As palavras da ama caíram como um bálsamo no coração angustiado de Romeu.
— Ouve-me... — fala o frade. — escala o quarto e leva-lhe conforto. Tem cautela, porém; não te demores até que venham iniciar a guarda e então, partas para Mântua, onde ficarás hospedado na casa do meu irmão, até que achemos o momento oportuno de anunciar-vos as bodas, o perdão e a clemência do príncipe alcançar e retornando tu, com cem mil vezes alegrias, do que tinhas de dores ao partires! Ama, vai na frente que Romeu irá em breve.
— Sim, bom frade, agora mesmo!
— Recomenda-me à senhorita e cuide para que todos se recolham mais cedo, devido aos cruéis eventos.
A ama beija a mão de Frei Lourenço e sai apressada.
Romeu estava mais calmo agora, embora ainda triste, mas com as esperanças renovadas.
— Como isto o coração me fortalece! — desabafa ele.
— Ao saíres de lá, parta imediatamente em companhia de Baltazar e ficai em Mântua, que notícias de Julieta, mediante vosso criado, terás a todos os instantes. Ele vos há de, com freqüência, levar as boas novas do que se for passando em nosso meio.
Romeu beija-lhe às mãos em agradecimento.
— Agora vá! Há pressa! Adeus...
—Adeus, meu confessor e amigo e perdoai-me por tudo.
— Sim! Sim!
— Se não fosse a dita me levar daqui, sentiria dor ao me afastar de ti. Adeus!

continua...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato IV: O cantar da Cotovia- parte 1

foto: o perdão de Julieta
Após o julgamento, Benvólio e Baltazar foram aonde estava Romeu. Este havia pedido abrigo na cela de Frei Lourenço. Quando ambos chegaram lá, deram-lhe a notícia.

— B-Banido?!!! Isto é pior que a morte! — desespera-se ele. — Vida não há fora dos muros de Verona... Não vou sair daqui... Não posso!
— És louco?! Podias estar sendo levado ao cadafalso, agora! Devias ser grato! — reclama Benvólio. — Deves partir imediatamente!
Frei Lourenço tratou logo de cortar a conversa, antes que Romeu falasse demais.
— Eu cuidarei disso e prometo que vou convencê-lo a partir, Benvólio.
— Oh sim, santo homem, coloque um pouco de juízo na cabeça deste tolo! Convença-o a cumprir a ordem dada, para que ele preserve a vida.
— Vá tranqüilo, Benvólio, e quanto a ti Baltazar, fique, pois quando Romeu decidir partir terás de acompanhar teu senhor, até deixá-lo em segurança.
Benvólio sai e no mesmo instante que ele saía da cela de Frei Lourenço, a ama chega à casa de Julieta e conta-lhe tudo. Seus pais não estavam em casa, uma vez que estavam cuidando do enterro de Teobaldo.
— Banido?!!! — assusta-se Julieta.
— Sim, esta foi a sentença do príncipe. Romeu deve partir de Verona e jamais retornar, pois será enforcado se o fizer.
— NÃO! NÃO PODEM AFASTAR O MEU AMOR!!! OH, DEUS! DEUS! Esta palavra fere mais que a morte... — chora a menina soluçando sentida. — Esse “banido”, matou dez mil Teobaldos! Essa morte do meu primo já seria o bastante se terminasse aí! Romeu banido! Mais sentidas minhas lágrimas correrão neste momento, por chorar do Amor o banimento! Não há limite, medida, fim, para descrever o que sinto agora! Oh, cordas! Mal-fadadas cordas! — fala Julieta pegando a escada de cordas que estava sobre sua cama. — Porque Romeu contava com vosso auxílio para chegar até aqui e no entanto, partiu para o exílio!
— Não, querida! Ele ainda não partiu!
A ama a abraça para consolá-la.
— Oh, bambina! Devias agradecer a Deus, por teu amor ter recebido pena mais leve! Exílio é melhor do que a morte...
— E viúva ficarei de marido vivo?!!! Se não é a morte é tão cruel quanto, pois nunca mais verei o meu Romeu!!!! — chorava ela agarrada à ama.
— Filha, dói-me ver-te assim! Guarda as lágrimas, acalmai-vos, que modo encontrarei para trazer-vos Romeu até aqui e assim, ele poder consolá-la, antes de partir — promete Filippa.
— Oh, ama! Ama querida!!!! Seria uma benção poder assim despedir-me. Traze-o logo e dizei que o perdôo pelo mal feito a Teobaldo e que o amo muito!
— Darei o recado, minha ovelhinha e logo tornarei com ele.
A ama beija-lhe a testa e sai. Vestiu-se rápido e lepidamente cruzava as ruas, na fraca claridade do luar, até o convento de Frei Lourenço, pois sua intuição dizia que Romeu só poderia ter fugido para lá, pois era o único lugar seguro para ele, depois do que houve.
Enquanto isso, Frei Lourenço ainda tentava persuadi-lo a seguir as ordens de Escalo, tentando consolá-lo, apontando vários caminhos alternativos a seguir. Mas Romeu estava resoluto.
— Exílio!!! Sê clemente dizendo logo morte! Pois mais horror este termo guarda! — chorava o rapaz angustiado, debruçado sobre uma mesa da cela.
— Estás banido de Verona. Reveste-te de calma, pois o mundo é bastante grande e largo.
— Mundo para mim não existe, se estarei longe de Julieta! Mas dores, o purgatório, talvez até o próprio inferno!
— Oh, pecado mortal! — repreende-lhe o religioso. — Oh rude e absurdo desagradecimento! Nossas leis dão nome de morte à tua falta, mas o benigno príncipe, tomando teu partido, a lei pôs de lado e em exílio mudou o escuro termo! É graça, e grande, e tu não queres vê-la!
— É tortura, não graça! O Céu se encontra onde Julieta vive!
— Homem sem juízo, ouve-me apenas uma palavrinha...
— Vais falar exílio novamente e ferir-me outra vez! Não quero ouvir mais nada! Oh, frade! Essa palavra os condenados usam no inferno e de urros a acompanham!
— Cala-te e ouça-me! — grita o frade. — Vou emprestar-te uma armadura, para esse termo amparar: PRUDÊNCIA, o leite doce e são da adversidade, que há de te confortar...
— Põe a PRUDÊNCIA numa forca, a menos que a prudência possa fazer uma Julieta, uma cidade para vivermos ou erradicar este decreto! Se não, de nada vale! Para nada pode servir-me!
— Jesus Cristo... vejo que os loucos não possuem orelhas... — argumenta o frade.
— Como tê-las, se vós “sábios” não têm olhos?! — acusa-o indiretamente.
— Ora, com a breca homem! Me respeite rapaz! Estou tentando buscar a melhor resolução para o teu caso!
— Falar não podes sobre o que não sentes! Se, como eu, fosses moço; se Julieta te pertencesse, por ter se tornado tua esposa, há uma hora e se tivesses matado Teobaldo, estarias como eu agora!
Ouvem-se batidas na porta, que assustam os três homens reunidos.
— Estão batendo, frei! — fala Baltazar apreensivo.
— Ai, Virgem! Romeu escondei-vos!
— Não — nega-se a obedecer,
— Não seja teimoso!!! Vai para o meu quarto!
Batem a segunda vez...



continua...

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato IV: O Julgamento

— Teobaldo está morto! Assassinado por Romeu!
Julieta senta-se e tenta ordenar as notícias em sua mente.
— Deus! A mão de Romeu derramou o sangue do meu primo?!
— Derramou! Derramou! Oh, que dia! Derramou!!!
Julieta cai em prantos.
— Não. Não pode ser! Não Romeu, ter uma atitude tão cruel!!!
— Mas foi! Foi cruel! Matou-o!!!
— Oh, coração serpente, mascarado com feições de uma flor! Monstro atraente! Angélico demônio! — amaldiçoa-lhe a esposa sem pensar. — Substância desprezível de aparência mais que divina, justamente o oposto que mostravas ser! Oh, Romeu, por quê?
— Porque nos homens não há fé, não há confiança e nenhuma honestidade! CAIA O OPRÓBRIO SOBRE ROMEU!!!
Julieta até então, levada pelo sentimento de parentesco, o estava ofendendo, porém ao ouvir a maldição proferida por sua ama, seu coração deu um salto e temerosa, criticou-a severamente.
— Que dizes?! Que tua língua de pústulas se cubra, por haveres formulado tal voto! Para o opróbrio não nasceu ele! Sobre sua fronte o opróbrio se envergonha de sentar-se, pois é trono onde pode ser coroada a honra! Oh, fui autêntico animal, por falar dele daquela forma!
— Elogiais quem matou vosso parente?! — espanta-se a ama.
— Poderei falar mal de meu marido? — redargüiu a menina. — Ah, meu pobre senhor... — Julieta volta a chorar. — Que língua pode teu nome acariciar, se eu, há três horas apenas, tua esposa, o mutilei? Mas por que deste a morte, miserável, a meu primo? É que o primo miserável teria dado a morte miserável a meu marido. Teobaldo sempre o odiou, por uma herança de desavenças e guerra, deixada por nossos antepassados. Ouso dizer que, além disso, teria inveja de sua beleza, pois em meu amor, o seu rosto é revestido de candura celestial! Voltai lágrimas tolas, para vossa fonte de origem. Vivo está meu esposo que meu vil primo, tencionava matar! Isto que importa e nada mais!
A ama ficou perplexa com o tamanho amor que Julieta devotava-lhe e não conseguiu dizer mais nada contra ele.
— Meus pais, ama, onde estão?
— Foram ao palácio da justiça, reinvidicar a condenação de Romeu à morte! Neste momento, o príncipe está julgando o caso.
— Ai de mim! Ama vá até lá e veja o que se passa e traze-me notícias, enquanto aqui permaneço a rezar, para que Romeu possa a misericórdia do príncipe alcançar.
A ama obedeceu.
Na frente do palácio, estava um verdadeiro caos de injúrias e acusações. As duas famílias defendiam seus pontos de vista, gerando até choque entre as partes.
— Pela milésima vez, vou perguntar-vos: quem começou esta querela?
— Romeu! — mente um Capuleto.
— Mentira! Foi Teobaldo! — gritava Benvólio, defendendo o primo.
—É verdade, alteza! Teobaldo, quando viu Romeu, começou a provocá-lo e meu amo Mercuccio, por ver que o amigo não reagia, tomou-lhe as dores e partiu pro combate! — fala o pajem de Mercuccio. — Eu vi tudo!
—Romeu lhe falou em termos brandos, pedira-lhe que não levasse aquilo adiante, que se tornassem amigos, quando o infame cuspiu-lhe no rosto! — fala Benvólio.
— E foi nessa hora que meu amo Mercuccio sacou da espada e enfrentou Teobaldo — confirma o pajem.
— MENTIRA!!! — berra Bettina Capuleto defendendo o sobrinho. — Estão passando uma imagem falsa!
Os Capuletos bateram-se outra vez com os Montecchios e Escalo precisou mandar os guardas apartá-los.
— Príncipe, no chão corre o sangue de meu parente e se justo fores, Romeu matou Teobaldo, por isso, morrer deve! — desafia-lhe a mãe de Julieta.
— QUE ANTES MATARA MERCUCCIO E INFRINGIRA A LEI!!!! — retruca-lhe o príncipe altivo. — Perdi, pela imprudência de vosso violento sobrinho, um parente muito estimado, alguém há de pagar pelo preço desta vida cara!
— Não Romeu, alteza! — interveio o pai de Romeu em sua defesa. — Ele era amigo de Mercuccio e só fez dar o castigo, que a própria lei impunha!
— Mas que por ousar fazer justiça com suas próprias mãos, não ficará impune! — fala o príncipe. — Não vou condená-lo à morte, mas será banido de Verona! Que ele parta, sob pena-de-morte, de onde quer que esteja e não porá mais os pés nesta cidade, e o réu será enforcado se por aqui, após o amanhecer, for encontrado! Estão dispensados!
Bettina e os Capuletos ainda tentaram contestar-lhe a decisão, contudo, o príncipe de Verona estava irredutível e entrou no seu palácio.
continua...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato III: "Conflitos - parte 3"


foto: peça de Teatro-Romeu enfreta Teobaldo.
Batem-se em duelo e por uma feliz conspiração do destino, após uma seqüência de golpes, Teobaldo, que já estava cansado de um recém combate não obteve êxito perante Romeu. Que arma letal torna-se o ódio, regado à sede de vingança?
Diante do olhar espantado dos Capuletos e dos Montecchios, Teobaldo cai pela espada de Romeu.
Romeu, depois que eliminou o objeto de sua ira vê-se aturdido e não estava acreditando que conseguira vencê-lo. Os Capuletos, revoltados pela queda do parente estimado, que jamais havia sido vencido antes, ameaçaram linchá-lo, no que seu primo Benvólio, percebendo-lhes a intenção, deu ordens a todos os Montecchios para defendê-lo.
— Romeu! Foge Depressa!!!!
— MALDITO MONTECCHIO! VAMOS ACABAR CONTIGO!!!!! — bradavam os parentes de Teobaldo. — JUSTIÇA!!!!!
Os inimigos se batem.
— O-Oque eu fiz?!!!! — gaguejava Romeu.
— Vai Romeu! Não fiques aturdido!!!! O príncipe vai condenar-te à morte!!! — fala-lhe Benvólio.
— E-Ele não se mexe!!!!! — exclama Baltazar enfrentando e desvencilhando-se de um Capuleto.
Benvólio como via que Romeu não movia um centímetro clamou a Baltazar para que o tirasse dali à força.
— Baltazar!!!! Leve-o daqui!
— Sou um idiota!!!!! O bobo da fortuna!!!! — condena-se Romeu, caindo em si.
— Foge, ora essa! — critica-o o primo.
Baltazar puxa-o de lá, antes que ele fosse trucidado pela multidão amotinada.
Escalo já havia chegado na praça e dado com o corpo do seu primo Mercuccio, cercado de alguns Montecchios, seu pajem e outros cidadãos compadecidos.
— Mercuccio?! Oh, Deus, não! — Escalo salta do cavalo e precipita-se sobre o corpo do parente assassinado. — Quem desafiou, assim, o meu castigo?! — fala com ódio. — Onde está o maldito assassino?!
Páris ficou atordoado com a cena.
— Foi Teobaldo Capuleto — fala o pajem de Mercuccio às lágrimas.
— Vou enforcá-lo por esta afronta!!!! — ameaça o regente de Verona.
Escalo sobe de novo no cavalo.
— Para onde foi o infame?!
O pajem de Mercuccio aponta para a direção que Teobaldo havia fugido. O príncipe deu ordens para que alguns dos guardas de sua comitiva cuidassem do corpo, retirando-o de tão humilhante situação como se estivesse sido jogado na rua, como um cão lazarento, e seguiu com os outros e Páris.
Escalo chegou ao lugar e viu os Capuletos e Montecchios em acirrada luta, e mandou o arauto tocar a trombeta para anunciar-lhes sua chegada e pôr fim ao conflito.
— O príncipe!!!!! — grita um deles.
— GUARDEM VOSSAS ARMAS VIS, ANTES QUE EU OS ENFORQUE A TODOS!!!! — berra ele.
Benvólio foi o primeiro a obedecer e depois, um a um foi cumprindo a ordem dada.
— Onde está o maldito Teobaldo, assassino de Mercuccio?
— Aqui príncipe, jaz a quem procuras... — fala um dos Capuletos.
O príncipe fica pálido ao ver a que ponto havia chegado a antiga desavença. Dois assassinatos em um só dia.
— Quem o matou?
— Meu primo Romeu. Que cego por ver o estimado amigo Mercuccio morto, deixou-se levar pelo ódio e procurou matar Teobaldo, o qual antes matara vosso parente.
— Exijo a presença de todos, agora, no palácio da justiça. Ide á casa dos Capuleto e dos Montecchio e exortai para que todos compareçam à minha presença! — ordena aos guardas.
Estes saem e dirigem-se à casa capuleta, que não era distante dali. Foi uma surpresa para o criado que veio recebê-los às portas, ver os dois guardas armados e exigindo que o Senhor Capuleto os recebesse.
— Como?! Teobaldo está morto? — assusta-se o senhor Capuleto ao receber a notícia.
Sua esposa ouvira e veio correndo.
— O meu sobrinho Teobaldo, filho de meu querido irmão? — Bettina leva um choque. — É mentira! Vocês estão mentindo!!!! — grita ela chamando a atenção de todos. — Quem fez isso?!!!
— Romeu Montecchio, minha senhora — respondeu o guarda.
A ama ouviu o comunicado e ficou perplexa.
Julieta estava alheia a tudo que acontecia e comemorava a primeira noite que passaria com Romeu.
— Correi, correi, corcéis de fogo para a casa de Febo. Espalha tua cortina, ò noite! Ó guarda dos amores, vem, vem para que olhos curiosos nada vejam e a estes braços, Romeu se precipite! — abraça-se. — Vem, noite circunspecta, com teu manto de matrona severa, todo preto e me ensina a perder uma partida que já está ganha e onde jogam duas virgindades sem mancha! Oh! Ao rosto sobe-me o sangue tímido... — ri a menina. — Vem noite! Vem meu Romeu! Vem gentil noite amorosa e restitui o meu Romeu...
A ama entra chorando.
— Ama?! Que tens?
— Oh, que dia! Dia desgraçado!
— Ai de mim! Que acontece? Por que torces as mãos desta maneira?!
— Oh, dia! Morreu! Morreu Morreu!!! Estamos perdidas, senhorita! Sim! Perdidas! Mataram-no!
— O quê?! Romeu?!!! — Julieta entra em desespero. — Não! É mentira!!!! Isso não aconteceu! Com Romeu não! NÃO!!!! Oh, por Deus, ama, diga que isto é um engano! Por que, diabos, me atormentas assim?!!! — falava a pobre Julieta às lágrimas. — Pode o céu ser assim, tão invejoso?!!!
— Romeu o pode, embora o céu não possa. Oh, Romeu! Romeu! Quem poderia ter pensado tal coisa!
— Que dizes?! Suicidou-se o meu Romeu? Basta dizeres “sim” que essa palavrinha para mim conterá mais veneno que o olhar fatal do Basilisco! Morta me acho, se esse sim existir!
— Oh, Teobaldo, Teobaldo! Grande amigo! — chorava a ama enxugando as lágrimas com o avental do vestido. — Ter eu vida, para morto te ver!
— Q-Que tempestades de golpes tão atravessados são esses? Morto Romeu e Teobaldo sem vida? — Julieta não conseguia entender.



continua...