
Quem sou eu
- Paula Dunguel(S.Lopes^^')- Alguém que respeita e ama as artes e culturas em geral.
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Pelo mundo
domingo, 22 de novembro de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- final"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- parte3"

quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- parte 2"

Romeu aproximou-se dos dois corpos e o primeiro a ver foi o de Teobaldo. Ele contemplou-o por uns instantes e sentiu novamente o remorso a oprimir-lhe o coração.
— Teobaldo... agora jazes em um lençol de sangue. Oh, que maior favor fazer-te posso? Do que com esta mesma mão que a tua mocidade cortou, destruir, agora, a do que foi teu inimigo? Primo perdoa-me...
Romeu permite-se chorar um pouco por Teobaldo, antes de aproximar-se de Julieta.
— Ah, querida esposa... a insígnia da beleza em teus lábios e nas faces ainda está carmesim, não tendo feito progresso o pálido pendão da morte — emociona-se ao ver o corpo tão adorado, agora inerte. Leva a mão à face de Julieta e faz-lhe uma carícia. As lágrimas correm-lhe na face. — Ó, meu amor. Querida esposa. A morte que sugou todo o mel de teu hálito poder não teve sobre tua formosura. Oh, Julieta! Por que ainda és tão formosa?
Romeu desaba de vez e abraçando-a, enterra o rosto nos cabelos negros e sedosos. Soluços de lamento ecoam pela câmara deserta.
— Permitirei eu, que esse monstro magro e horrível, a que chamamos de morte, como amante nas trevas a conserve? — continua ele. —Não, meu amor... jamais... Com medo disso, ficarei contigo, sem nunca mais deixar os aposentos da tenebrosa noite; aqui desejo permanecer, com os vermes, teus serventes! — suspira ele contendo um pouco o choro. — Aqui sim, aqui mesmo, fixar quero meu repouso eterno.
Romeu leva a mão à pequena bolsa que trazia na cintura e retira o veneno. Contempla o líquido mortal por um instante.
— Vem, condutor amargo! Vem meu guia de gosto repugnante! Olhos... vede vossa esposa mais uma vez; será a última. Braços, permiti-vos um último abraço...
Romeu abraça Julieta.
— E lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo legítimo selai este contrato.
Beija-a. O último e derradeiro beijo de despedida, antes de beber o veneno.
— Eis para meu amor...
Romeu bebe de um só gole e logo sente o líquido descer e queimar sua garganta. O gosto era horrível. Poucos instantes depois, já sofre os efeitos da peçonha. O corpo ficou trêmulo e o ar, começou a faltar-lhe e por fim, sentiu que perderia os sentidos. A Morte estava cada vez mais próxima.
— Ó, boticário veraz e honesto! Tua droga é rápida... Julieta...
Romeu beija-lhe as mãos e cai sobre a amada. O coração dele deu um salto e parou, seus olhos escureceram e sua vida o deixara.
Na mesma hora, Frei Lourenço chegava no cemitério. Vinha munido de lanterna, alavanca e uma pá.
— São Francisco me ajude! Quantas vezes esta noite, meus pés enfraquecidos tropeçaram em túmulos? — reclamava ele.
— Oh, Frei Lourenço! — uma voz o chama.
O frade se assusta.
— Ai Jesus!!! O que...
— Sou eu frei, Baltazar!
— Baltazar?! Oh, Deus do céu, não me assuste assim! Mas o que faz aqui?
— Vim com Romeu.
— Romeu?! Mas como... — o frade se espanta
— Oh, Frei Lourenço! Que bom vê-lo! Convença o louco a sair de lá!
— De lá onde?
— Do túmulo dos Capuletos. Ficou tão desvairado com a morte da esposa, que temo que esteja disposto a fazer algo muito ruim.
— Ai, não! Há quanto tempo ele está lá?
— Há cerca de meia hora.
— Santo Deus! Já começo a sentir medo! Receio algum caso desastrado! Vem comigo até o túmulo.
— Não ouso, senhor! Ele soprou-me ameaças sem conta, caso o interrompesse! Ameaçou-me até de morte!
— Então irei só. Oh, Romeu, não faça nada precipitado!
Frei Lourenço entra no túmulo e depara-se com o primeiro corpo. Ao sentir que tropeçara em algo, aproxima a lanterna e descobre o Conde Páris assassinado, trespassado por uma espada.
— Eu não acredito! É o Conde Páris!!!
O frade ficou sem ação, não esperava que o acontecimento fosse trazer desgraça de tamanha proporção.
— Oh, dor! Romeu!!! — chama-o desesperado. — Você está aí, Romeu? É Frei Lourenço quem chama! Olá!!!
Frei Lourenço entra na câmara funesta e depara-se com Romeu debruçado sobre Julieta, como se chorasse...
— Oh, meu filho... que bom que...
O religioso engole as palavras; Romeu parecia imóvel demais para alguém que estivesse em prantos.
— Oh, não! Romeu fale comigo! — o frade se desespera.
Frei Lourenço tenta reanimá-lo, mas em vão.
— Está morto!!!! Jesus, Maria e José! Julieta irá acordar a qualquer instante...
continua...
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor - parte1"

domingo, 27 de setembro de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Pacto Mortal - parte4"

sábado, 29 de agosto de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Pacto Mortal - parte 3"

Logo a notícia da morte de Julieta correu toda a cidade, chegando aos ouvidos de Frei Lourenço...
— Perfeito Julieta! Agora seguirei o plano...
...E também, aos ouvidos de uma criada da casa montecchia, que fazia a feira na praça do mercado.
— Vocês não vão acreditar!!!!! Valha-me Deus! Tão moça! Pobre menina, a Julieta!
— O que tem a Julieta? — pergunta a mãe de Romeu curiosa.
— Morreu! Foi encontrada morta na cama esta manhã! — fala a criada
—Deus meu! — espantou-se o pai de Romeu. — Não era ela que iria casar-se hoje e que, por tal motivo, o orgulhoso Capuleto espalhava a nova, já que a filha iria desposar o nobre conde, parente do Príncipe?
— Sim! Sim! Mas corre pela cidade, espantem-se vós, que ela se matou para não casar-se com o tal do Conde Páris.
— Como?! Um tão alto partido como este! Qual moça não gostaria de casar-se com ele? — Chiara Montecchio não conseguia compreender.
Baltazar passava na hora e ouviu tudo.
— O quê?! Essa não! Quando o meu senhor Romeu souber... e ele tem que saber! Partirei à Mântua para avisá-lo...
E Baltazar não perdeu tempo, selou seu cavalo e partiu a todo galope.
Na cela de Frei Lourenço, ele acabara de escrever a carta e ia entregá-la a Baltazar para que levasse a Romeu, mas quando chegou na casa dos Montecchios não encontrou-o, restou pedir a um irmão de sua Ordem, de nome João, que a levasse, pois Romeu precisava ser avisado do plano.
-->— Vá até a casa de meu irmão Estevão e entregue esta carta ao jovem Romeu.
— Sim, pode deixar meu irmão...
João pegou seu burrico e saiu do convento.
Frei Lourenço, então, tratou de ir à casa de Capuleto, para consolar a família. Lá chegando, a comoção era geral, muitos ainda não acreditavam na morte da menina. O frade chegou fingindo ainda nada saber.
— E então! A noiva já está pronta? — fala a Capuleto.
— Sim, para ir à igreja, sem que nunca possa de lá voltar — fala Capuleto amargurado. — Oh, filho Páris, a morte, na véspera do dia de tuas núpcias, deitou-se com tua noiva. Morrer quero, para levar à morte o que possuo: vida, bens; tudo é dela.
— Quis tanto ver a face deste dia, para enfim, contemplar este espetáculo? — falava Páris inconformado.
— Dia infeliz, maldito, desgraçado! — praguejava a mãe de Julieta. — A hora mais triste que já viu o tempo em toda a sua peregrinação comprida e laboriosa. Uma só filha, uma só, pobre filha, e tão amada. Para gozo e consolo, um ser apenas nos foi dado e a cruel morte nos apresenta este fardo... arrancada assim da vista, em plena flor da idade!
— Oh, dia triste! Oh, dia triste! Oh, dor! O dia mais escuro e lamentável que eu vi em toda a minha vida! Nunca vi dia de tão densas trevas! — lamentava-se o pai da morta.
— Morte odiosa, ludibriado por ti, cruel morte! Arruinado de todo! — ainda queixando-se o noivo de Julieta.
— Oh, tempo! Por que motivo vieste agora matar, matar nossa solenidade? Oh, filha mia! Alma querida! Já não vives! Morreste! Ah, minha filha já não vive e, com ela, sepultada vai ser minha alegria! — encerra Capuleto às lágrimas.
— Calma, peço-vos; a cura da desordem, vir não pode da desorientação. Tal como vós, tinha o céu parte nesta bela criança. Agora o céu tem tudo, o que é, por certo, melhor para a donzela. O céu, agora, dará sua parte, oferecendo-lhe a vida eterna. Amais de fato vossa filha que vos desesperais por sabê-la tão bem? Interrompei o pranto; sobre o belo corpo espalhai bastante rosmaninho e, tal como é de praxe, em suas vestes mais vistosas levai-o para a igreja, embora chorar mande a natureza. Consolai-vos senhores e que seja aceita a vontade de Deus...
— Tudo o que havia para o festival usado ora vai ser no funeral — lastima-se o pai.
— Vamos, que todos se preparem para o belo corpo levar à tumba. Porventura o céu vos pune por qualquer maldade; não o irriteis, pois essa é a sua vontade.
Todos obedecem os conselhos do padre e retiram-se para prepararem os funerais.
Continua...
terça-feira, 21 de julho de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Pacto Mortal - parte 2"

Julieta, enfim, viu-se sozinha. O coração, acelerando ansioso em seu peito. Pegou o pequeno frasco, meio desajeitada e apertou-o firme entre os dedos.
— pelas veias me passeia um medo frio e lânguido, que quase deixa o calor da vida a abandoná-las, mas precisarei representar, sozinha, meu terrível papel. Vamos, frasquinho amigo! E... se esta droga não fizer efeito? Terei de casar-me amanhã cedo... Não. Onde está o punhal que separei para a ocasião?
Julieta deu um pulo da cama e começou a revirar as gavetas de seu toucador, até reluzir a lâmina convidativa, tentando-a contra a sua própria vida.
— Ei-lo. Sim, isto impedirá as núpcias indesejadas, fica aqui perto.
Julieta pegou o frasco que havia deixado sobre a cama e abriu-o. Ainda por um tempo, hesitou.
—E se for veneno que esse frade com astúcia me deu para matar-me, temendo o opróbrio que podia vir-lhe do casamento, por me haver casado com Romeu antes disso? Não! Oh, Julieta! Como podeis pensar assim de um santo homem como ele? Não. Ele não o faria! Pois como santo ele é tido há muito tempo, por isso, não devo ter tão baixo pensamento. E se... depois de estar na sepultura, eu vier a despertar, sem que Romeu chegue para salvar-me? Oh, que coisa terrível! Não ficarei asfixiada dentro da sepultura, cuja boca imunda não expira ar sadio e, assim, morrendo sufocada sem rever o meu Romeu? Ou se eu viver, não será mui plausível que aquela imagem de negror, podridão e morte, onde há centenas de restos de meus antepassados e onde, assim dizem, determinadas horas da noite espíritos vagueiam, causar-me tamanho pavor, que leve-me à demência, caso desperte antes do tempo?! Aquele cheiro repugnante, os gritos de além túmulo e onde jaz Teobaldo mutilado, envolto em seu lençol de sangue... Ai! Não! Pára! Julieta! Pára! Não é hora para sentir medo! Romeu, meu amado... bebo isto por sua causa!
Julieta pega o frasco e bebe tudo de um só gole. Não demora muito a sentir-se tonta e conforme dissera o frade, começa o calor do corpo a ser substituído pela sensação do frio da morte, caindo desmaiada no leito, deixando o frasco escorregar e partir-se no chão junto à cama.
Na manhã seguinte, os senhores levantaram-se bem cedo e preparavam-se para receber Páris.
— Ama, toma estas chaves e nos traze mais temperos e cheiros.
— Os pasteleiros querem marmelo e tâmara.
Lorenzo Capuleto entra em polvorosa.
— Depressa! Mexam-se! Vamos! O segundo galo já cantou e o sinal de apagar o fogo há muito já foi dado. São cinco horas!
— Ide! Ide embora metediço! O lençol está chamando. Por minha fé! Assim ficarás doente, por haverdes velado a noite toda! — reclama sua esposa.
— Nem um pouquinho, ora essa! Muitas noites já passei acordado por motivos bem menores, sem ter ficado doente!
— É certo, em vossa mocidade, mas agora já não sois tão moço!
Entram uns criados.
— Ei! Ei! Amigo que levais aí dentro?
— Coisas que o cozinheiro reclamou, meu senhor. Não sei bem o que seja.
— Pressa! Pressa! E tu, maroto! Traze lenha seca, Pedro pode indicar onde é o depósito.
— Tenho cabeça para achar a lenha, não vou incomodar para isso o Pedro.
— Raios! Boa resposta! O sem-vergonha tem gênio alegre, há, há ! Dará bom cepo...
— Senhor Capuleto! Senhor Capuleto! — chama Pedro.
— Que é?
— Páris está chegando!
— Por minha fé, já é dia! Ama!!!!
— Que foi?
— Vai acordar Julieta e prepará-la! O noivo chegou! Faça isso logo, enquanto converso com ele. Anda!!!! Mais pressa nisso!
A Ama sobe correndo e abre as cortinas do quarto.
— Senhora! Olá! Julieta é quase certo que ainda esteja a dormir. Eh, ovelhinha! Então, menina? Ei! Acorda!!!
A Ama toca em Julieta e sente o seu corpo totalmente frio. Dando um passo atrás, pisa em alguma coisa no chão e olha. Aproximando a luz da vela, vê um frasco suspeito partido no chão.
Um grito dilacerante corta a casa.
— O que está havendo, por Deus?!!!! Que barulheira é essa?— exclama a mãe de Julieta se assustando.
— Não é a Ama? — pergunta Páris.
Ela desce desesperada e aos prantos.
— Oh, morreu!!!! A minha bambina morreu!!!!
— O quê?! — grita Capuleto apavorado e sobe as escadas, Bettina sobe em seguida, enquanto Páris permanecia estático com a notícia inesperada.
— Está sem vida! Sem vida! Dia desgraçado! — chorava a Ama conduzindo-os ao quarto.
— Mas não pode ser! Ela estava bem ontem, como pode ter acontecido isso? — falava Bettina.
— Ela se matou! Se matou!— exclama Filippa
— O que está dizendo, sua velha mexeriqueira?! — Capuleto fica indignado.
— Pois olhe o chão perto da cama! Há um frasco lá! — soluçava a Ama inconformada.
Eles param e olham para o leito. Julieta não respirava. Estava mesmo morta? Sua mãe se aproxima e toca-lhe a mão, enquanto Capuleto pegava o que restava dos cacos, do vidro de um suposto veneno e, ainda não compreendendo o que se passara, começou a chorar. Bettina constata que, de fato, a filha estava morta e entra em total desespero.
— Oh, que dia! MORREU! MORREU! MORREU! — lastima-se Bettina
— Não! Não é verdade! — Capuleto lança-se sobre o corpo inerte da filha. — Julieta, acorda! ACORDAAAA!!!!!! Oh, minha filha! Minha única filha! Reanima-te e olha para mim, ou deixa-me morrer contigo! Aqui! Socoooorroooo!!!! Chamem alguém!!!! JULIETA!!!!
Páris segurou-o por trás e tentava acalmá-lo.
— Senhor Capuleto! Calma! Oh, Julieta... — pedia-lhe Páris, mas já começando e desesperar-se também.
Ele se ajoelhou aos pés da cama, beijou a mão fria da amada e não segurou mais as lágrimas.
Continua...
domingo, 12 de julho de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V:"Pacto Mortal-parte 1"
Julieta chega em casa e percebe que todos já estavam envolvidos com os preparativos de quinta-feira e o pai dela, era o mais animado de todos. Nem parecia que tinha acabado de sepultar um sobrinho, a morte de Teobaldo havia caído totalmente no esquecimento. Ele distribuía tarefas entre os criados...
— Convidai as pessoas desta lista. E tu, maroto aí!Vai contratar-me vinte hábeis cozinheiros.
Julieta morde os lábios e aperta o pequeno frasco guardado em seu regaço. Tentou passar despercebida, mas a mãe surpreendeu-a quando subia para o quarto.
—Ora! Até que enfim! Ela chegou, meu senhor! — avisa ao marido.
— Então, cabeçudinha? Onde estiveste saracoteando?!
— Onde aprendi, realmente, a arrepender-me do pecado grave de desobedecer às vossas ordens — disfarça ela. — Tendo-me, Frei Lourenço, esse santo homem, ordenado que viesse a vós prostrar-me para pedir-vos perdão. De hoje em diante, serás meu guia em tudo.
— Oh, abençoado frade! Mama mia! Enfim, ele colocou um pouco de juízo em vossa cabecinha. Ei! Aqui Pedro! Ide chamar o Conde; contai-lhe isso. Será firmado o enlace para quinta-feira!
— Não é necessário meu pai! Vi o Conde na cela de Frei Lourenço, tendo-lhe dado tudo o que é possível conceder dentro da área da modéstia, comuniquei-lhe o fato e já estamos acertados.
—Isso me alegra muito! Assim vai tudo bem! Deus louvado! Esse frade reverendo, toda a cidade o tem em grande estima.
— Vamos ama. Quero descansar um pouco. Posso meu pai?
— Mas claro! Descanse para que quinta esteja bela, como uma manhã de primavera.
Filippa sorriu e concordou. As duas subiram, enquanto os pais continuavam discutindo o patético acontecimento.
— Tudo sairá a contento, mulher, deixa estar. Ah, o coração por demais leve sinto, desde que esta menina criou juízo!
Aos poucos, as palavras foram se tornando sussurros distantes, até Julieta entrar em seu quarto. Aproveitando uma distração da Ama, escondeu muito bem o frasco.
— Oh, ovelhinha! Que bom que aceitaste bem! Valeu a pena esperar a tua confissão! Serás feliz com este segundo esposo! Rezei muito por isto!
—Ama, me ajude a separar as roupas que levarei comigo — desconversa ela.
—Ah, sim! Sim! Agora mesmo!
A ama abriu o armário e separou várias peças e vestidos. Alegre, ajudava-a a arrumar seus pertences, para a nova vida ao lado do Conde Páris. A Ama não parava de tagarelar, um minuto sequer. Julieta já estava cansada com aquela ladainha toda.
Enfim chegou a véspera do casamento e Julieta e sua Ama, providenciaram o belo vestido.
— Quero o vestido mais belo e as jóias mais preciosas... — comentava com a Ama. —“ Não para Páris...” — pensa a jovem. — “mas para o meu Romeu... Quero estar linda, quando partirmos à Mântua...”
Filippa mostrou-lhe vários vestidos que havia separado, cada um mais belo que o outro, até Julieta decidir-se por aquele que lhe pareceu o mais soberbo. Um vestido carmesim, ricamente bordado à mão.
No salão principal, Bettina não conseguia esconder sua preocupação.
— Estamos atrasados! Vão faltar provisões e é quase noite!
— Oh, diabos! Vou mexer-me e tudo será feito! Vá ajudar Julieta nos enfeites e deixe-me só; hoje, se preciso, nem vou deitar-me.
No quarto, a Ama de Julieta elogiava-lhe pelo bom gosto.
— Oh, minha bambina! Ficarás linda e vede, vede! Com esta mantilha, estarás ainda mais bela!
Julieta não sabia, ainda, como convencer sua Ama a deixá-la só naquela noite. Porém, o sucesso do plano de Frei Lourenço dependia disso.
— Sim, estas são as peças mais bonitas. Mas gentil Ama, deixa-me esta noite. Desejo ficar só, pois necessito de rezar muito, para que consiga fazer sorrir o Céu para mim, pois bem sabeis; tenho a alma atormentada e cheia de pecados.
— Mas...
A mãe de Julieta bate à porta e entra.
— Ocupada bastante, não? Necessitais de mim?
— Não, senhora. Já escolhemos o que nos pareceu necessário para a cerimônia de amanhã — fala-lhe a filha com doçura. — Só vos peço que levais minha Ama consigo, para que durma em vosso quarto, pois sei que vos achais assoberbada de ocupações para esta festa súbita.
— Sim, de fato, estamos muito atarefados. Ama, venha comigo, precisamos de seus serviços.
— Sim, minha senhora! Julieta, não durma muito tarde e feche bem as janelas! — recomendou-lhe a Ama.
— Eu ficarei bem, não se preocupe, Ama.
Julieta fica sozinha finalmente, só que ao mesmo tempo, além da alegria de ter uma chance de escapar daquilo tudo, invade-lhe uma imensa tristeza. Era a última vez que estivera com elas.
— Adeus minha mãe e minha Ama. Deus sabe quando nos veremos outra vez... — murmura ela.
continua...
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato IV:"A resolução de Capuleto-parte 4"

Na manhã seguinte, saiu com ela para falar com Frei Lourenço. Quando lá chegou, encontrou o conde a conversar com o religioso, provavelmente, já marcando a cerimônia. O frade estava pálido e fora pego de surpresa.
— Quinta–feira, senhor? O prazo é curto.
— Foi o senhor Capuleto que assim quis.
— Mas disseste que não sabeis nada ainda do que a donzela sobre isso resolveu. Esse caminho não o considero certo; não me agrada.
— Ela chora sem pausa a morte de Teobaldo. Por isso pouco falamos de amor. Vênus não sorri numa casa de lágrimas. Agora, senhor, ficai sabendo que o pai dela considera nocivo ela entregar-se desse modo à tristeza... Ah! Julieta! — exclama Páris ao vê-la e cumprimenta-a apaixonado.
Julieta chegara ofegante e ao ver Páris, sentiu o sangue ferver de ódio.
— Feliz encontro, minha esposa e dona!
—Assim será, senhor, quando esposa eu for.
— Será na quinta próxima.
— O que tiver de ser, será.
— Aqui vieste para vos confessar com este monge? — pergunta curioso.
— Dar-vos uma resposta, seria confessar-me convosco — retruca-lhe friamente e amargamente incomodada.
— Pobre alma! O rosto as lágrimas te ofendem! — disfarça ele.
— É vitória pequena para as lágrimas, pois antes já era feio.
— Mais o ofendeste agora, assim falando...
— Calúnia não foi, só disse a verdade.
— Teu rosto é meu; com isso o caluniaste.
Páris estende a mão para tocar-lhe a face, mas Julieta esquiva-se.
— Padre, tens tempo para confessar-me?
— Sim, minha filha! Senhor será preciso que nos deixeis sozinhos. E vós também ama.
— Deus não queira que eu possa perturbar a devoção! Julieta, quinta-feira bem cedinho, irei despertá-la.
Páris beija-a na testa e Julieta entra correndo na cela de Frei Lourenço. Filippa foi sentar-se em um dos bancos para rezar, enquanto Julieta se confessava. Na cela de Frei Lourenço, Julieta desabou e começou a chorar.
— Oh, Julieta! —fala o religioso de forma piedosa. —Já soube do teu infortúnio! Que desgraça!
— Oh, frei! — soluçava ela aos pés do frade. — Não há esperança, nem remédio e não há socorro algum que possa adiar isso!
— Ele ultrapassa de muito meu espírito e surpreso também estou.
— Não me fales, padre! Porém, se algum meio não disseres de evitá-lo; se em toda a tua ciência não achares nenhum recurso! Ao menos chamai sábia a minha decisão, pois uma adaga me ensejará remédio pronto!
— Oh não, Julieta! Tenha calma! Não tome nenhuma atitude precipitada! Pára filha!
— O meu coração e o de Romeu, unidos foram por Deus, por intermédio de vossas santas mãos. Por tudo isso, com tua experiência, dá-me um conselho!
Frei Lourenço pensou, pensou e dirigiu-se à sua mesa de experimentos, de onde tirou, de um cesto de ervas, uma pequenina flor.
— Vislumbro uma esperança, mas a tal ponto desesperadora, como é desesperado o que queremos impedir que aconteça. Se energia tens suficiente para suicidar-te, faremos algo que suicídio lembre para afastar este opróbrio. Se ousares isto, arranjarei o meio.
— Sim! Mandai que eu me jogue de uma torre! Mandai-me entrar num túmulo recente para esconder-me! Sem a menor vacilação, sem medo, tudo farei, contanto que prossiga como esposa sem mancha de quem amo!
— Só um instantinho.
Frei Lourenço pegou aquela flor, triturou-a, misturou a pasta com outros líquidos estranhos, coou e virou num frasco pequeno. Enquanto fazia isso, ia passando certas coordenadas.
— Escuta, então: vai pra casa e mostra-te alegre e dize que disposta te achas a desposar o conde...
— Oh, não frei...
— Calma! quarta-feira é amanhã, então, à noite, deita-te cedo, antes que a ama suba ao quarto e toma este frasco — o frade estende-lhe o elixir. — Beba-o todo e assim que tomares a última gota, logo há de correr-te pelas veias humor frio, de efeito entorpecente, diminuindo as batidas de seu pulso, até parecer parado de todo e teu corpo assumirá uma aparência de morte. Calor nenhum e nem hálito sua vida poderão atestar. Vinte e quatro horas permanecerás nesta aparência de semi-morte, para acordar deste doce sonho e vossa família, julgando-vos morta, a cobrirão com vossas mais ricas vestes e irão sepultar-vos. Nesse meio, Romeu saberá por intermédio de minha carta, sobre o nosso plano e virá para cá. Aguardaremos eu e ele, que despertes, conduzindo-te Romeu, na mesma noite para Mântua.
— Oh, frei!!!! Frei! Não acredito! Romeu virá buscar-me!!! Oh, Dê-me! Dê-me, e verás se não tenho coragem! — grita animada.
— Toma. Esconda-o bem e parti logo. Conservai-vos nesta resolução, filha, tudo dará certo, acredite! Vou mandar prestes à Mântua, um portador com uma carta de minha parte para teu marido.
— TRIUNFE O AMOR!!!!! — exclama ela, segurando firme o frasco. — Eis tudo resolvido! Adeus, meu caro padre!
Julieta despede-se feliz e sai.
— Deus vos abençoe, querida — suspira ele.
— Nossa! Como demoraste?! — comenta a ama irritada. — Quase rezei um rosário! Tinha tanto pecado assim?
— Vamos logo, estou com pressa — fala Julieta não entrando em detalhes.