De mudança para iniciar uma nova etapa da minha vida... Por isso estou sem tempo de postar... Mas prometo que assim que regularizar minha situação torno a postar, enquanto isso divirtam-se com os textos que tenho a oferecer para o entretenimento dos leitores.
Quem sou eu
- Paula Dunguel(S.Lopes^^')- Alguém que respeita e ama as artes e culturas em geral.
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Pelo mundo
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Bodas chegando
De mudança para iniciar uma nova etapa da minha vida... Por isso estou sem tempo de postar... Mas prometo que assim que regularizar minha situação torno a postar, enquanto isso divirtam-se com os textos que tenho a oferecer para o entretenimento dos leitores.
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Paula Dunguel(S.Lopes^^')- Alguém que respeita e ama as artes e culturas em geral.
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terça-feira, 14 de abril de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato IV: O cantar da Cotovia- parte 3
foto: a despedidaRomeu chega acompanhado de Baltazar e antes que pulasse o muro, o criado fez-lhe algumas admoestações.
— Senhor, irei à vossa casa para trazer-vos o cavalo e um manto, para que possas vosso rosto ocultar, quando daqui saíres.
— Obrigado, meu fiel companheiro.
— E prudência, como vos recomendou o frade amigo. Creio não ficares afastado tanto tempo. O príncipe será clemente...— sorri Baltazar confiante.
Romeu dá-lhe uns tapinhas suaves no rosto e sobe.
— Boa sorte, senhor — deseja o criado.
A ama já o aguardava na sacada com as cordas a postos, enquanto a menina torcia as mãos inquietas.
— Será que ele virá?
— Claro, minha filha! Romeu não tardará...
— Meus pais já se recolheram?
— Sim! Eu mesma cuidei disso! Só alguns criados estão preparando o corpo de Teobaldo. Deus ampare as almas cristãs... — fala ela benzendo-se.
Julieta estremece com a lembrança do primo morto. Ela nem teve coragem de ir vê-lo.
— Não foi difícil convencer vossos parentes a deitarem-se cedo, pois amanhã será um dia fastidioso... Oh! Ei-lo! Romeu chegou! — anuncia ela.
Julieta corre à sacada
— Romeu... — fala a ele feliz.
A ama estende as cordas e Romeu sobe rápido. Ambos se abraçam e consolam-se mutuamente e a ama sai do quarto, para deixá-los a sós e esconder-se para vigiar. A qualquer sinal de anormalidade, ela bateria para avisá-los.
— Oh, Julieta! Eu não queria matá-lo... perdoa-me...
— Shhhh! Eu sei, querido, eu sei... Pelo menos estás vivo, embora tenha custado a vida de meu primo. Eu não suportaria sabê-lo morto, seria o fim para mim... Oh, Romeu! Abrace-me e esqueçamos as desventuras deste dia. Vem e que desta noite, só cultivemos alegria...
Eles se beijam e Julieta o conduz ao leito. Passaram juntos a noite, como marido e mulher, e esqueceram-se do mundo e dos dissabores. Por sorte, nada conseguira atrapalhá-los e a fiel ama, permanecia de vigília.
Romeu consolou-a o máximo que pôde e deixou-se também consolar, renovando mais uma vez, os votos de seus amores.
— Irei para Mântua e lá vou preparar um lugar para nós dois. Meu pai não irá deixar-me desamparado e assim que estabilizar-me, voltarei às ocultas para buscar-te — promete ele.
— Oh, meu esposo querido! Que seja feito tão logo como o dizes! Quanto a mim, guardar-me-ei fiel a ti...
Beijam-se outra vez e permaneceram na doce companhia um do outro, até adormecerem, vencidos pelo cansaço.
Baltazar já havia providenciado tudo e quando a madrugada já ia adiantada, postou-se de guarda sob o muro capuleto, para esperar o amo e conduzi-lo em segurança para o exílio.
Quando começava a raiar o dia, Romeu acorda com o cantar da cotovia. Ao sentir que ele se levantava, Julieta também desperta...
— Já vais partir? O dia ainda está longe. Foi apenas um rouxinol... todas as noites ele canta nos galhos da romeira... — fala ainda sonolenta.
— É a cotovia, o arauto da manhã, não foi o rouxinol. As candeias da noite se apagaram e o alegre dia se ergue sobre a ponta dos pés... Ou parto, e vivo, ou morrerei, ficando.
— Não é do sol a claridade, mas da lua que a claridade do sol exala, para que te sirva de tocheiro esta noite e te ilumine no caminho de Mântua. Assim, espera, não precisas partir tão cedo, fica ainda mais um cadinho comigo — pede ela suplicante.
Romeu volta para a cama e deita-se, abraçando-a e beijando-a em seguida.
— Ficar para mim é grande ventura; partir é dor. Oh, que importa? Que me prendam, que me matem! Serei feliz assim, se assim o quiseres... — beija-a de novo. — Direi que ainda não é o olho do dia que, indiscreto, devassa o leito do Amor, apenas o reflexo da alta Diana e que não foi a cotovia que cantou. Vem logo, morte dura! Julieta assim deseja! Não, não é dia...
Ambos continuaram a se abraçar e beijar. Julieta ri com as carícias de Romeu, porém, de repente e já desperta, exclama assustada, reconhecendo o tom insistente do pássaro que cantava.
— Oh, não! Era a cotovia! É ela sim! É dia! Foge!!!
Ela se levanta correndo, veste-se às pressas e pega as roupas de Romeu.
— É a maldita, que canta desafinada e rouca! Dizem que seu cantar é fonte de harmonia, mas para mim só ouço discordâncias, pois ora nos divide, obrigando-o a partir — chora ela, ajudando-o a vestir-se. — Romeu, depressa! A noite se abrevia e a luz aumenta a cada instante...
— Para mim, a luz é a escuridão apavorante! — fala ele vestindo-se.
A ama bate à porta.
— Julieta, já está amanhecendo! Romeu tem que partir!
— Oh, vai! — fala ela empurrando-o à sacada.
— Adeus! Adeus! Um beijo e desço logo!
—Pela janela entra o dia e para mim foge a vida! Meu senhor! — fala chorando. — Notícias tuas quero ter todas as horas...
—Não deixarei passar um só momento, sem contar-vos do meu tormento — promete ele acariciando-a e enxugando as lágrimas que caíam copiosas, no que ele também chorou. Pousou um beijo respeitoso na testa da esposa e desceu.
— Romeu! Pensas que ainda nos veremos?
— Não o duvides, querida! Todas estas horas nos servirão ainda, unicamente, para mais doces transformar nossos momentos.
— Oh, Deus do céu! Um coração tenho agourento! Vendo-te assim tão longe, parece que estás sem vida, dentro de um sepulcro! Vejo mal, ou estás de fato pálido?
— Podes crer-me, querida, de igual modo tu me pareces. Mas é a aflição sedenta que nos bebe todo o sangue, nada mais! Adeus!
Romeu infiltra-se entre os arbustos e sai, deixando Julieta a chorar sua partida.
— Por Deus, senhor! Demoraste! — reclama Baltazar. — Já estava aflito!
— Dê-me o manto e partamos!
— Espero que nenhum guarda nos surpreenda... — fala o criado preocupado.
— Senhor, irei à vossa casa para trazer-vos o cavalo e um manto, para que possas vosso rosto ocultar, quando daqui saíres.
— Obrigado, meu fiel companheiro.
— E prudência, como vos recomendou o frade amigo. Creio não ficares afastado tanto tempo. O príncipe será clemente...— sorri Baltazar confiante.
Romeu dá-lhe uns tapinhas suaves no rosto e sobe.
— Boa sorte, senhor — deseja o criado.
A ama já o aguardava na sacada com as cordas a postos, enquanto a menina torcia as mãos inquietas.
— Será que ele virá?
— Claro, minha filha! Romeu não tardará...
— Meus pais já se recolheram?
— Sim! Eu mesma cuidei disso! Só alguns criados estão preparando o corpo de Teobaldo. Deus ampare as almas cristãs... — fala ela benzendo-se.
Julieta estremece com a lembrança do primo morto. Ela nem teve coragem de ir vê-lo.
— Não foi difícil convencer vossos parentes a deitarem-se cedo, pois amanhã será um dia fastidioso... Oh! Ei-lo! Romeu chegou! — anuncia ela.
Julieta corre à sacada
— Romeu... — fala a ele feliz.
A ama estende as cordas e Romeu sobe rápido. Ambos se abraçam e consolam-se mutuamente e a ama sai do quarto, para deixá-los a sós e esconder-se para vigiar. A qualquer sinal de anormalidade, ela bateria para avisá-los.
— Oh, Julieta! Eu não queria matá-lo... perdoa-me...
— Shhhh! Eu sei, querido, eu sei... Pelo menos estás vivo, embora tenha custado a vida de meu primo. Eu não suportaria sabê-lo morto, seria o fim para mim... Oh, Romeu! Abrace-me e esqueçamos as desventuras deste dia. Vem e que desta noite, só cultivemos alegria...
Eles se beijam e Julieta o conduz ao leito. Passaram juntos a noite, como marido e mulher, e esqueceram-se do mundo e dos dissabores. Por sorte, nada conseguira atrapalhá-los e a fiel ama, permanecia de vigília.
Romeu consolou-a o máximo que pôde e deixou-se também consolar, renovando mais uma vez, os votos de seus amores.
— Irei para Mântua e lá vou preparar um lugar para nós dois. Meu pai não irá deixar-me desamparado e assim que estabilizar-me, voltarei às ocultas para buscar-te — promete ele.
— Oh, meu esposo querido! Que seja feito tão logo como o dizes! Quanto a mim, guardar-me-ei fiel a ti...
Beijam-se outra vez e permaneceram na doce companhia um do outro, até adormecerem, vencidos pelo cansaço.
Baltazar já havia providenciado tudo e quando a madrugada já ia adiantada, postou-se de guarda sob o muro capuleto, para esperar o amo e conduzi-lo em segurança para o exílio.
Quando começava a raiar o dia, Romeu acorda com o cantar da cotovia. Ao sentir que ele se levantava, Julieta também desperta...
— Já vais partir? O dia ainda está longe. Foi apenas um rouxinol... todas as noites ele canta nos galhos da romeira... — fala ainda sonolenta.
— É a cotovia, o arauto da manhã, não foi o rouxinol. As candeias da noite se apagaram e o alegre dia se ergue sobre a ponta dos pés... Ou parto, e vivo, ou morrerei, ficando.
— Não é do sol a claridade, mas da lua que a claridade do sol exala, para que te sirva de tocheiro esta noite e te ilumine no caminho de Mântua. Assim, espera, não precisas partir tão cedo, fica ainda mais um cadinho comigo — pede ela suplicante.
Romeu volta para a cama e deita-se, abraçando-a e beijando-a em seguida.
— Ficar para mim é grande ventura; partir é dor. Oh, que importa? Que me prendam, que me matem! Serei feliz assim, se assim o quiseres... — beija-a de novo. — Direi que ainda não é o olho do dia que, indiscreto, devassa o leito do Amor, apenas o reflexo da alta Diana e que não foi a cotovia que cantou. Vem logo, morte dura! Julieta assim deseja! Não, não é dia...
Ambos continuaram a se abraçar e beijar. Julieta ri com as carícias de Romeu, porém, de repente e já desperta, exclama assustada, reconhecendo o tom insistente do pássaro que cantava.
— Oh, não! Era a cotovia! É ela sim! É dia! Foge!!!
Ela se levanta correndo, veste-se às pressas e pega as roupas de Romeu.
— É a maldita, que canta desafinada e rouca! Dizem que seu cantar é fonte de harmonia, mas para mim só ouço discordâncias, pois ora nos divide, obrigando-o a partir — chora ela, ajudando-o a vestir-se. — Romeu, depressa! A noite se abrevia e a luz aumenta a cada instante...
— Para mim, a luz é a escuridão apavorante! — fala ele vestindo-se.
A ama bate à porta.
— Julieta, já está amanhecendo! Romeu tem que partir!
— Oh, vai! — fala ela empurrando-o à sacada.
— Adeus! Adeus! Um beijo e desço logo!
—Pela janela entra o dia e para mim foge a vida! Meu senhor! — fala chorando. — Notícias tuas quero ter todas as horas...
—Não deixarei passar um só momento, sem contar-vos do meu tormento — promete ele acariciando-a e enxugando as lágrimas que caíam copiosas, no que ele também chorou. Pousou um beijo respeitoso na testa da esposa e desceu.
— Romeu! Pensas que ainda nos veremos?
— Não o duvides, querida! Todas estas horas nos servirão ainda, unicamente, para mais doces transformar nossos momentos.
— Oh, Deus do céu! Um coração tenho agourento! Vendo-te assim tão longe, parece que estás sem vida, dentro de um sepulcro! Vejo mal, ou estás de fato pálido?
— Podes crer-me, querida, de igual modo tu me pareces. Mas é a aflição sedenta que nos bebe todo o sangue, nada mais! Adeus!
Romeu infiltra-se entre os arbustos e sai, deixando Julieta a chorar sua partida.
— Por Deus, senhor! Demoraste! — reclama Baltazar. — Já estava aflito!
— Dê-me o manto e partamos!
— Espero que nenhum guarda nos surpreenda... — fala o criado preocupado.
continua...
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato IV: O cantar da Cotovia- parte 2
foto: a despedida dos amores filme de 68— Droga! Quem és? Que desejais? Vem da parte de quem? — interroga Frei Lourenço.
— Sou eu, Filippa — responde a voz. — É minha jovem senhora que me mandou aqui. Estou vindo da parte de Julieta!
O frade solta um suspiro de alívio e abre a porta.
— Oh, boa dama! Bem-vinda sois, então! — cumprimenta-a.
Ela beija-lhe a mão devotadamente...
— Oh, bom frade! Onde está o senhor de minha ama?
— Ali no chão, abatido por suas lágrimas — fala ele desanimado.
— Senhor! Oh, meu senhor! Coragem! Levanta-te! — a ama tenta animá-lo.
— Ama?!! Oh, ama!
Romeu se joga aos pés de Filippa.
— Oh, não! Não faça isso, vamos! Por amor de Julieta, seja forte!
— Diga-me: como ela está? Não me julga assassino inveterado? Fala, cara ama! Que diz minha secreta esposa, de nosso amor destroçado?
— Ela não diz nada... —a ama começa a chorar. — Apenas chora, chora sem parar. Ora chama por Teobaldo, ora grita por Romeu...
— Como se esse nome a matasse! A FORCA PARA A MINHA VIDA!!! VOU AO PRÍNCIPE ENTREGAR-ME!
— Amo, não!
— ESTÁS LOUCO!!!
Frei Lourenço e Baltazar o seguram, impedindo que ele saísse.
— DEIXEM-ME!!! Direi ao príncipe para que me enforque, pois de Verona eu não saio! — exclama ele irritado e tentando desvencilhar-se.
Colocando uma força descomunal, que Frei Lourenço até desconhecia possuir, joga-o violentamente no chão, no que Romeu ficou assustado. E não parou por aí: Frei Lourenço pôs-se a sacudi-lo com violência, como se desejasse libertá-lo daqueles arroubos desesperados.
— DETÉM ESTA DESTEMPERADA RESOLUÇÃO! ACASO ÉS HOMEM?! TUA POSTURA O AFIRMA, MAS AS LÁGRIMAS SÃO DE MULHER, MOSTRANDO ESTES TEUS ATOS IMPENSADOS O FUROR SELVAGEM DOS PRÓPRIOS ANIMAIS!!! Ó, deformada mulher, sobre a aparência de um mancebo... PASMO ESTOU! Pela minha Ordem Sagrada: sempre fiz outro juízo de teu temperamento! NÃO MATASTE TEOBALDO? AGORA QUERES PÔR FIM Á TUA VIDA E ASSIM, MATAR A TUA PRÓPRIA ESPOSA, QUE DE TUA VIDA VIVE, REVERTENDO CONTRA TI PRÓPRIO, ESTE ÓDIO AMALDIÇOADO?! VAMOS HOMEM!!!! LEVANTA-TE! Tua JULIETA está viva, por quem te achas quase no ponto de morrer! Estás com sorte, pois Teobaldo quis matar-te e morte deste-lhe! A lei se mostra tua amiga, a pena-de-morte atenuada para exílio... OUTRA VENTURA! Sobre o dorso um fardo de bênçãos te caiu. Com seus mais ricos atavios te vem fazendo a côrte sempre a felicidade! Vamos! Levanta-te colosso e vai ter com tua esposa!
— Sim, meu senhor. Foi por isso que vim. Julieta manda dizer, que em nada mudara o seu sentimento para convosco. Ela o ama!
As palavras da ama caíram como um bálsamo no coração angustiado de Romeu.
— Ouve-me... — fala o frade. — escala o quarto e leva-lhe conforto. Tem cautela, porém; não te demores até que venham iniciar a guarda e então, partas para Mântua, onde ficarás hospedado na casa do meu irmão, até que achemos o momento oportuno de anunciar-vos as bodas, o perdão e a clemência do príncipe alcançar e retornando tu, com cem mil vezes alegrias, do que tinhas de dores ao partires! Ama, vai na frente que Romeu irá em breve.
— Sim, bom frade, agora mesmo!
— Recomenda-me à senhorita e cuide para que todos se recolham mais cedo, devido aos cruéis eventos.
A ama beija a mão de Frei Lourenço e sai apressada.
Romeu estava mais calmo agora, embora ainda triste, mas com as esperanças renovadas.
— Como isto o coração me fortalece! — desabafa ele.
— Ao saíres de lá, parta imediatamente em companhia de Baltazar e ficai em Mântua, que notícias de Julieta, mediante vosso criado, terás a todos os instantes. Ele vos há de, com freqüência, levar as boas novas do que se for passando em nosso meio.
Romeu beija-lhe às mãos em agradecimento.
— Agora vá! Há pressa! Adeus...
—Adeus, meu confessor e amigo e perdoai-me por tudo.
— Sim! Sim!
— Se não fosse a dita me levar daqui, sentiria dor ao me afastar de ti. Adeus!
continua...
— Sou eu, Filippa — responde a voz. — É minha jovem senhora que me mandou aqui. Estou vindo da parte de Julieta!
O frade solta um suspiro de alívio e abre a porta.
— Oh, boa dama! Bem-vinda sois, então! — cumprimenta-a.
Ela beija-lhe a mão devotadamente...
— Oh, bom frade! Onde está o senhor de minha ama?
— Ali no chão, abatido por suas lágrimas — fala ele desanimado.
— Senhor! Oh, meu senhor! Coragem! Levanta-te! — a ama tenta animá-lo.
— Ama?!! Oh, ama!
Romeu se joga aos pés de Filippa.
— Oh, não! Não faça isso, vamos! Por amor de Julieta, seja forte!
— Diga-me: como ela está? Não me julga assassino inveterado? Fala, cara ama! Que diz minha secreta esposa, de nosso amor destroçado?
— Ela não diz nada... —a ama começa a chorar. — Apenas chora, chora sem parar. Ora chama por Teobaldo, ora grita por Romeu...
— Como se esse nome a matasse! A FORCA PARA A MINHA VIDA!!! VOU AO PRÍNCIPE ENTREGAR-ME!
— Amo, não!
— ESTÁS LOUCO!!!
Frei Lourenço e Baltazar o seguram, impedindo que ele saísse.
— DEIXEM-ME!!! Direi ao príncipe para que me enforque, pois de Verona eu não saio! — exclama ele irritado e tentando desvencilhar-se.
Colocando uma força descomunal, que Frei Lourenço até desconhecia possuir, joga-o violentamente no chão, no que Romeu ficou assustado. E não parou por aí: Frei Lourenço pôs-se a sacudi-lo com violência, como se desejasse libertá-lo daqueles arroubos desesperados.
— DETÉM ESTA DESTEMPERADA RESOLUÇÃO! ACASO ÉS HOMEM?! TUA POSTURA O AFIRMA, MAS AS LÁGRIMAS SÃO DE MULHER, MOSTRANDO ESTES TEUS ATOS IMPENSADOS O FUROR SELVAGEM DOS PRÓPRIOS ANIMAIS!!! Ó, deformada mulher, sobre a aparência de um mancebo... PASMO ESTOU! Pela minha Ordem Sagrada: sempre fiz outro juízo de teu temperamento! NÃO MATASTE TEOBALDO? AGORA QUERES PÔR FIM Á TUA VIDA E ASSIM, MATAR A TUA PRÓPRIA ESPOSA, QUE DE TUA VIDA VIVE, REVERTENDO CONTRA TI PRÓPRIO, ESTE ÓDIO AMALDIÇOADO?! VAMOS HOMEM!!!! LEVANTA-TE! Tua JULIETA está viva, por quem te achas quase no ponto de morrer! Estás com sorte, pois Teobaldo quis matar-te e morte deste-lhe! A lei se mostra tua amiga, a pena-de-morte atenuada para exílio... OUTRA VENTURA! Sobre o dorso um fardo de bênçãos te caiu. Com seus mais ricos atavios te vem fazendo a côrte sempre a felicidade! Vamos! Levanta-te colosso e vai ter com tua esposa!
— Sim, meu senhor. Foi por isso que vim. Julieta manda dizer, que em nada mudara o seu sentimento para convosco. Ela o ama!
As palavras da ama caíram como um bálsamo no coração angustiado de Romeu.
— Ouve-me... — fala o frade. — escala o quarto e leva-lhe conforto. Tem cautela, porém; não te demores até que venham iniciar a guarda e então, partas para Mântua, onde ficarás hospedado na casa do meu irmão, até que achemos o momento oportuno de anunciar-vos as bodas, o perdão e a clemência do príncipe alcançar e retornando tu, com cem mil vezes alegrias, do que tinhas de dores ao partires! Ama, vai na frente que Romeu irá em breve.
— Sim, bom frade, agora mesmo!
— Recomenda-me à senhorita e cuide para que todos se recolham mais cedo, devido aos cruéis eventos.
A ama beija a mão de Frei Lourenço e sai apressada.
Romeu estava mais calmo agora, embora ainda triste, mas com as esperanças renovadas.
— Como isto o coração me fortalece! — desabafa ele.
— Ao saíres de lá, parta imediatamente em companhia de Baltazar e ficai em Mântua, que notícias de Julieta, mediante vosso criado, terás a todos os instantes. Ele vos há de, com freqüência, levar as boas novas do que se for passando em nosso meio.
Romeu beija-lhe às mãos em agradecimento.
— Agora vá! Há pressa! Adeus...
—Adeus, meu confessor e amigo e perdoai-me por tudo.
— Sim! Sim!
— Se não fosse a dita me levar daqui, sentiria dor ao me afastar de ti. Adeus!
continua...
terça-feira, 7 de abril de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato IV: O cantar da Cotovia- parte 1
foto: o perdão de JulietaApós o julgamento, Benvólio e Baltazar foram aonde estava Romeu. Este havia pedido abrigo na cela de Frei Lourenço. Quando ambos chegaram lá, deram-lhe a notícia.
— B-Banido?!!! Isto é pior que a morte! — desespera-se ele. — Vida não há fora dos muros de Verona... Não vou sair daqui... Não posso!
— És louco?! Podias estar sendo levado ao cadafalso, agora! Devias ser grato! — reclama Benvólio. — Deves partir imediatamente!
Frei Lourenço tratou logo de cortar a conversa, antes que Romeu falasse demais.
— Eu cuidarei disso e prometo que vou convencê-lo a partir, Benvólio.
— Oh sim, santo homem, coloque um pouco de juízo na cabeça deste tolo! Convença-o a cumprir a ordem dada, para que ele preserve a vida.
— Vá tranqüilo, Benvólio, e quanto a ti Baltazar, fique, pois quando Romeu decidir partir terás de acompanhar teu senhor, até deixá-lo em segurança.
Benvólio sai e no mesmo instante que ele saía da cela de Frei Lourenço, a ama chega à casa de Julieta e conta-lhe tudo. Seus pais não estavam em casa, uma vez que estavam cuidando do enterro de Teobaldo.
— Banido?!!! — assusta-se Julieta.
— Sim, esta foi a sentença do príncipe. Romeu deve partir de Verona e jamais retornar, pois será enforcado se o fizer.
— NÃO! NÃO PODEM AFASTAR O MEU AMOR!!! OH, DEUS! DEUS! Esta palavra fere mais que a morte... — chora a menina soluçando sentida. — Esse “banido”, matou dez mil Teobaldos! Essa morte do meu primo já seria o bastante se terminasse aí! Romeu banido! Mais sentidas minhas lágrimas correrão neste momento, por chorar do Amor o banimento! Não há limite, medida, fim, para descrever o que sinto agora! Oh, cordas! Mal-fadadas cordas! — fala Julieta pegando a escada de cordas que estava sobre sua cama. — Porque Romeu contava com vosso auxílio para chegar até aqui e no entanto, partiu para o exílio!
— Não, querida! Ele ainda não partiu!
A ama a abraça para consolá-la.
— Oh, bambina! Devias agradecer a Deus, por teu amor ter recebido pena mais leve! Exílio é melhor do que a morte...
— E viúva ficarei de marido vivo?!!! Se não é a morte é tão cruel quanto, pois nunca mais verei o meu Romeu!!!! — chorava ela agarrada à ama.
— Filha, dói-me ver-te assim! Guarda as lágrimas, acalmai-vos, que modo encontrarei para trazer-vos Romeu até aqui e assim, ele poder consolá-la, antes de partir — promete Filippa.
— Oh, ama! Ama querida!!!! Seria uma benção poder assim despedir-me. Traze-o logo e dizei que o perdôo pelo mal feito a Teobaldo e que o amo muito!
— Darei o recado, minha ovelhinha e logo tornarei com ele.
A ama beija-lhe a testa e sai. Vestiu-se rápido e lepidamente cruzava as ruas, na fraca claridade do luar, até o convento de Frei Lourenço, pois sua intuição dizia que Romeu só poderia ter fugido para lá, pois era o único lugar seguro para ele, depois do que houve.
Enquanto isso, Frei Lourenço ainda tentava persuadi-lo a seguir as ordens de Escalo, tentando consolá-lo, apontando vários caminhos alternativos a seguir. Mas Romeu estava resoluto.
— Exílio!!! Sê clemente dizendo logo morte! Pois mais horror este termo guarda! — chorava o rapaz angustiado, debruçado sobre uma mesa da cela.
— Estás banido de Verona. Reveste-te de calma, pois o mundo é bastante grande e largo.
— Mundo para mim não existe, se estarei longe de Julieta! Mas dores, o purgatório, talvez até o próprio inferno!
— Oh, pecado mortal! — repreende-lhe o religioso. — Oh rude e absurdo desagradecimento! Nossas leis dão nome de morte à tua falta, mas o benigno príncipe, tomando teu partido, a lei pôs de lado e em exílio mudou o escuro termo! É graça, e grande, e tu não queres vê-la!
— É tortura, não graça! O Céu se encontra onde Julieta vive!
— Homem sem juízo, ouve-me apenas uma palavrinha...
— Vais falar exílio novamente e ferir-me outra vez! Não quero ouvir mais nada! Oh, frade! Essa palavra os condenados usam no inferno e de urros a acompanham!
— Cala-te e ouça-me! — grita o frade. — Vou emprestar-te uma armadura, para esse termo amparar: PRUDÊNCIA, o leite doce e são da adversidade, que há de te confortar...
— Põe a PRUDÊNCIA numa forca, a menos que a prudência possa fazer uma Julieta, uma cidade para vivermos ou erradicar este decreto! Se não, de nada vale! Para nada pode servir-me!
— Jesus Cristo... vejo que os loucos não possuem orelhas... — argumenta o frade.
— Como tê-las, se vós “sábios” não têm olhos?! — acusa-o indiretamente.
— Ora, com a breca homem! Me respeite rapaz! Estou tentando buscar a melhor resolução para o teu caso!
— Falar não podes sobre o que não sentes! Se, como eu, fosses moço; se Julieta te pertencesse, por ter se tornado tua esposa, há uma hora e se tivesses matado Teobaldo, estarias como eu agora!
Ouvem-se batidas na porta, que assustam os três homens reunidos.
— Estão batendo, frei! — fala Baltazar apreensivo.
— Ai, Virgem! Romeu escondei-vos!
— Não — nega-se a obedecer,
— Não seja teimoso!!! Vai para o meu quarto!
Batem a segunda vez...
— És louco?! Podias estar sendo levado ao cadafalso, agora! Devias ser grato! — reclama Benvólio. — Deves partir imediatamente!
Frei Lourenço tratou logo de cortar a conversa, antes que Romeu falasse demais.
— Eu cuidarei disso e prometo que vou convencê-lo a partir, Benvólio.
— Oh sim, santo homem, coloque um pouco de juízo na cabeça deste tolo! Convença-o a cumprir a ordem dada, para que ele preserve a vida.
— Vá tranqüilo, Benvólio, e quanto a ti Baltazar, fique, pois quando Romeu decidir partir terás de acompanhar teu senhor, até deixá-lo em segurança.
Benvólio sai e no mesmo instante que ele saía da cela de Frei Lourenço, a ama chega à casa de Julieta e conta-lhe tudo. Seus pais não estavam em casa, uma vez que estavam cuidando do enterro de Teobaldo.
— Banido?!!! — assusta-se Julieta.
— Sim, esta foi a sentença do príncipe. Romeu deve partir de Verona e jamais retornar, pois será enforcado se o fizer.
— NÃO! NÃO PODEM AFASTAR O MEU AMOR!!! OH, DEUS! DEUS! Esta palavra fere mais que a morte... — chora a menina soluçando sentida. — Esse “banido”, matou dez mil Teobaldos! Essa morte do meu primo já seria o bastante se terminasse aí! Romeu banido! Mais sentidas minhas lágrimas correrão neste momento, por chorar do Amor o banimento! Não há limite, medida, fim, para descrever o que sinto agora! Oh, cordas! Mal-fadadas cordas! — fala Julieta pegando a escada de cordas que estava sobre sua cama. — Porque Romeu contava com vosso auxílio para chegar até aqui e no entanto, partiu para o exílio!
— Não, querida! Ele ainda não partiu!
A ama a abraça para consolá-la.
— Oh, bambina! Devias agradecer a Deus, por teu amor ter recebido pena mais leve! Exílio é melhor do que a morte...
— E viúva ficarei de marido vivo?!!! Se não é a morte é tão cruel quanto, pois nunca mais verei o meu Romeu!!!! — chorava ela agarrada à ama.
— Filha, dói-me ver-te assim! Guarda as lágrimas, acalmai-vos, que modo encontrarei para trazer-vos Romeu até aqui e assim, ele poder consolá-la, antes de partir — promete Filippa.
— Oh, ama! Ama querida!!!! Seria uma benção poder assim despedir-me. Traze-o logo e dizei que o perdôo pelo mal feito a Teobaldo e que o amo muito!
— Darei o recado, minha ovelhinha e logo tornarei com ele.
A ama beija-lhe a testa e sai. Vestiu-se rápido e lepidamente cruzava as ruas, na fraca claridade do luar, até o convento de Frei Lourenço, pois sua intuição dizia que Romeu só poderia ter fugido para lá, pois era o único lugar seguro para ele, depois do que houve.
Enquanto isso, Frei Lourenço ainda tentava persuadi-lo a seguir as ordens de Escalo, tentando consolá-lo, apontando vários caminhos alternativos a seguir. Mas Romeu estava resoluto.
— Exílio!!! Sê clemente dizendo logo morte! Pois mais horror este termo guarda! — chorava o rapaz angustiado, debruçado sobre uma mesa da cela.
— Estás banido de Verona. Reveste-te de calma, pois o mundo é bastante grande e largo.
— Mundo para mim não existe, se estarei longe de Julieta! Mas dores, o purgatório, talvez até o próprio inferno!
— Oh, pecado mortal! — repreende-lhe o religioso. — Oh rude e absurdo desagradecimento! Nossas leis dão nome de morte à tua falta, mas o benigno príncipe, tomando teu partido, a lei pôs de lado e em exílio mudou o escuro termo! É graça, e grande, e tu não queres vê-la!
— É tortura, não graça! O Céu se encontra onde Julieta vive!
— Homem sem juízo, ouve-me apenas uma palavrinha...
— Vais falar exílio novamente e ferir-me outra vez! Não quero ouvir mais nada! Oh, frade! Essa palavra os condenados usam no inferno e de urros a acompanham!
— Cala-te e ouça-me! — grita o frade. — Vou emprestar-te uma armadura, para esse termo amparar: PRUDÊNCIA, o leite doce e são da adversidade, que há de te confortar...
— Põe a PRUDÊNCIA numa forca, a menos que a prudência possa fazer uma Julieta, uma cidade para vivermos ou erradicar este decreto! Se não, de nada vale! Para nada pode servir-me!
— Jesus Cristo... vejo que os loucos não possuem orelhas... — argumenta o frade.
— Como tê-las, se vós “sábios” não têm olhos?! — acusa-o indiretamente.
— Ora, com a breca homem! Me respeite rapaz! Estou tentando buscar a melhor resolução para o teu caso!
— Falar não podes sobre o que não sentes! Se, como eu, fosses moço; se Julieta te pertencesse, por ter se tornado tua esposa, há uma hora e se tivesses matado Teobaldo, estarias como eu agora!
Ouvem-se batidas na porta, que assustam os três homens reunidos.
— Estão batendo, frei! — fala Baltazar apreensivo.
— Ai, Virgem! Romeu escondei-vos!
— Não — nega-se a obedecer,
— Não seja teimoso!!! Vai para o meu quarto!
Batem a segunda vez...
continua...
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