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domingo, 4 de janeiro de 2009

Em breve: a continuação de Romeu e Julieta

Perdoem-me pelo atraso nas postagens. Mas com as festas de fim de ano a coisa andou meio devagar mesmo, em todos os lugares. Prometo que ainda esta semana, tornarei a postar Romeu e Julieta em prosa e versos, por isso, àqueles que estão curtindo a história, não se preocupem. Palavra de honra!
FELIZ ANO NOVO A TODOS!!!

domingo, 21 de dezembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Segundo Ato: "Juras de amor - parte1"

* fragmento de uma HQ de Romeu e Julieta feita por mim há muito tempo.

Julieta deitou-se no leito e chorava baixinho. A ama Filippa, muito preocupada, foi falar com ela.
— O que foi minha ovelhinha? O que se passa?
Julieta enxuga as lágrimas para disfarçar. Ela havia estado com o homem que sempre sonhara para si. Um homem com coração de poeta, mas por quê? Por que ele tinha que ser filho do inimigo de seu pai? Julieta desejava desabafar, porém, perguntava se sua ama entenderia, por isso achou melhor não arriscar e tenta desconversar de alguma forma.
— Não é nada, ama. Uma indisposição...
— Como nada? Saíste daquele jeito...
— Eu já estou melhor.
A ama olha-a incrédula. Julieta logo percebera que não seria fácil enganá-la, porque sua ama a conhecia muito bem, mais até do que ela própria.
— Quando vier a coragem, eu contarei, pois estou envergonhada pelo que fiz e não quero falar sobre isso.
— Estás bem?
— Estou.
— Bom, isso que importa. Fico mais tranqüila...
— Durma ama querida, deves estar cansada pelo agitado dia — fala a menina com doçura.
— Oh, sim! E como? Já não tenho mais idade para certas coisas!
Filippa não insistiu com suas perguntas, preferiu deixar Julieta com seus pensamentos, pois no fundo ela sabia que uma hora ela iria falar, pois somente com ela, Julieta confessava suas frustrações e problemas, buscando conselhos e acabou por interpretar o fato como um arroubo de juventude. Filippa puxou sua cama de rodas, debaixo da cama de Julieta e arrumou o leito. Dormiu rápido, pois estava muito cansada.
Julieta ainda continuou acordada. Uma inquietude apoderou-se de sua alma e a cada momento que tocava seus lábios, lembrava-se do beijo doce do amado.
“Oh, Deus do Céu! Por que Romeu? Logo ele a quem deveria odiar...
" — indagava-se.
Romeu perguntava-se a mesma coisa e a mesma sensação inquietante, apoderava-se dele.
— O que foi, Romeu? — pergunta-lhe Benvólio, quando viu-o empacar o passo. — Por que paraste, primo?
— Tenho que voltar! — fala aflito. — Como afastar-me, se daqui não pode sair meu coração?
—
Como?! Ei! Volta!!!
Romeu já ia longe; nem ouviu-lhe o grito. Disparou novamente na direção da casa capuleta. Benvólio, confuso, puxa Mercuccio.
—
Que foi? Calma!
— Romeu voltou para a casa de Capuleto!
—
Hein?! — fala Mercuccio tonto.
— Vamos atrás dele!
— E será que vamos acertar o caminho?! — gargalha Mercuccio, debochado. — Vejo duas vias, onde antes só tinha uma!
—
Não é hora para brincadeiras! Vem!
—
Calma! Que furor!!! Bons rapazes — diz ele ao grupo. — sigam sem nós...
—
Vem logo!
Todos do grupo riram, ao vê-los se afastarem. Estavam totalmente ébrios, pois não há nada mais cômico no mundo, do que bêbados que pensam estarem sóbrios, correndo cambaleantes naquele trocar de pernas bem típico. Ainda mais com um segurando o outro, por julgar o parceiro mais bêbado do que ele próprio. Caíram até algumas vezes, até sumirem na curva da viela.
Apesar da dificuldade, conseguiram chegar ao muro da casa de Capuleto e viram Romeu pular pro jardim.
—
Romeu! Primo Romeu?!
— Ele é prudente, por minha fé! E soube achar a estrada para o leito macio! — comenta Mercuccio malicioso.
—
Cala-te, língua infame! Em disparada veio até aqui e pulou o muro que dá para o jardim! Faça alguma coisa! Chame-o, pois já o chamei e ele não me responde!
— Vou conjurá-lo! — pigarreia Mercuccio. —
Romeu! Capricho! Paixão! Sujeito louco! Enamorado!
— Não responde! — fala Benvólio aflito. — Chama de novo! Insiste!
Romeu estava oculto pelos galhos da árvore rente ao muro, mas via os amigos nitidamente. Observava-os sem dar um “Ai”.
— Acho que precisará de uma invocação mais forte... — comenta Mercuccio aprumando-se, ou pelo menos, tentando.— Vou fazer-lhe um conjuro mais forte...
Ele tonteia e enche o peito. Romeu queria rir, mas se segurava...
— EU TE CONJURO PELOS OLHOS SEM-PAR DE ROSALINA! POR SUA FRONTE! SEUS LÁBIOS ESCARLATES! OS DELICADOS PÉS! AS BELAS PERNAS! AS TREMULANTES COXAS...
— PÁRA COM ISSO! — critica-lhe Benvólio, antes que ele falasse algo indevido e obsceno. — Por certo irás magoá-lo!
— Não, isso não o magoa. Minha invocação é bela e honesta! O nome digo de sua amada, para que possa reanimar-se!
—
Ora qual? Não falais coisa com coisa! Estás bêbado!
—
E tu? Estás sóbrio por acaso?!
— Vamos embora! Ele ocultou-se entre as ramagens. Seu cego amor diz bem com a escuridão. É canseira inútil procurar, quem não quer ser encontrado...
Os amigos se afastam. Romeu sente-se indignado.
— Só ri das cicatrizes, quem ferida nunca sentiu no corpo...
O galho quebra-se.
—
Ai não!
Ele tenta se segurar em outro, mas estava tão escorregadio por conta do sereno, que sua mão não teve firmeza. Por sorte, Romeu cai sobre um arbusto que amortece-lhe a queda.
— Ui! Essa doeu!
Romeu levanta-se e começa a avançar. O ambiente era amplo. Ao redor dele, existiam várias árvores e arbustos coloridos, que repousavam vigilantes pelo jardim, como se desejassem ocultar algo de olhos curiosos.
Romeu estava incomodado e temeroso. Seu coração batia forte e a imagem da bela Capuleto, teimava em não sair da sua mente. Ele precisava vê-la, nem que fosse uma última vez.
À medida que se aproximava da casa, ia afastando as plantas, até vislumbrar entre os ramos, o singelo balcão de uma janela. Ao lado da sacada, uma armação de madeira caiada bem alta, servia de apoio à uma trepadeira florida. Uma corbelha de flores, cujos cachos de rosas silvestres caíam, dando uma aparência de castelo de conto-de-fadas. Mas onde estaria a princesa? A armação parecia bem firme, para servir de escada improvisada, na falta de coisa melhor. Além das rosáceas, uma hera abusada misturava-se às ramagens, desde o muro lateral até a janela. Enquanto ele examinava a armação, ouve um barulho vindo de cima; o delicado abrir de uma porta. Assustado, esconde-se entre os arbustos.


continua...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Aviso especial: curiosidades natalinas


Querem saber o que significa cada símbolo do Natal? Acesse o meu blog Fazendo Arte com Paula Dunguel.





endereço: http://fapdunguel.blogspot.com


Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, com muita paz e amor nos corações

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato "O Baile" - 4

foto: cena do filme de Franco Zefirelli. O 1ºbeijo dos amantes
Durante toda a dança que se seguiu, Romeu acompanhava a jovem Julieta a dançar. Ela, percebendo-se observada, olhou para ele e vendo-lhe os olhos insistentes, acabou lhe sorrindo involuntariamente. Romeu faz-lhe uma sutil reverência, pendendo a cabeça de forma respeitosa. Julieta passou, então, a intrigada, acompanhar o misterioso homem, trocando com ele olhares.
Uma de suas primas percebera e, quando teve uma oportunidade, chamou Julieta para dançar com ela.
— Olha, prima Julieta! Aquele homem não tira os olhos de ti! Será que ele é bonito? — Margarita solta um risinho sugestivo. — Com máscara não dá para saber!
— Por que será que ele está usando máscara?
— Vai ver ele é tímido. Falta-lhe coragem de fazer juras de amor de rosto limpo. Pra ser franca! Na minha opinião, esses são os melhores! — riu-se Margarita de novo. — São misteriosos e românticos! Ai! Deveis descobrir quem ele é!
— Não sei como, Margarita. Só de pensar em me aproximar dele, sinto vacilar o pé...
— E não deveis fazer isso! Deixai que ele de ti se aproxime! Se de fato estiver enamorado, não se amofine! Pretextos ele há de achar, para até o fim da festa, contigo conseguir falar. Venha! Continuemos a dançar!
Tal como sua prima havia dito, não tardara que ele se acercasse de Julieta e a convidasse para uma dança. Julieta sentiu-se corar por completo e desejou do fundo do seu coração, que também estivesse de máscara; não muito tempo depois, ambos já faziam par e arriscavam os primeiros passos.
Ela mergulhou no fundo daqueles olhos, tentando desvendar-lhe o íntimo de sua alma, mas ela só pôde perceber, que o mascarado tinha os olhos lindos, em tom de mel, e prometiam doçuras inefáveis. Gostaria de provar? Por certo o seu coração juvenil dissera que sim. Confusa, Julieta afasta-se dele, com a desculpa de que estava com sede e precisava beber alguma coisa. Dirige-se à mesa, meio trôpega e toma uma taça nas mãos.
Uma música suave cortou o ar e as mulheres da casa exultaram:
— Giácomo, da animada trupe de músicos de Mercuccio, irá cantar! — falava uma das moças.
— Ouvi dizer que ele tem uma bela voz! — comenta outra.
Todos se acomodaram da maneira mais agradável para ouvi-lo. O dito menestrel, famoso por suas artes, sentou-se no meio do salão e dedilhava uma música de sua autoria, na sua doce lira! Os convivas aproveitaram o momento, para descansarem e se alimentarem.
Julieta ainda se encontrava junto da mesa e enquanto se mantinha absorta, ouvindo a linda canção, nem percebera que Romeu estava junto dela e puxou-lhe a mão.
Ela deu um grito de surpresa, fazendo com que um parente seu olhasse para ela com reprovação. Julieta sorriu-lhe sem graça e, então, sentiu um sussurrar ao seu ouvido, enquanto Romeu mantinha sua mão presa a dela.
— Se minha mão profana o relicário, em remissão aceito a penitência: meu lábio, peregrino solitário, demonstrará com sobra reverência.
Romeu tira a máscara e beija a delicada mão. Julieta estremece ao sentir o toque morno daqueles lábios e vira-se pra ele. Lá estava ele; o misterioso mascarado revelara, enfim, o seu rosto. Ela ficou estupefata ao contemplar-lhe a beleza: cabelos dourados e ondulados como os de um querubim; olhos castanho-claros e brilhantes, que por um capricho da natureza, quase se fizeram verdes, pois em redor da pupila, via-se uns raios esverdeados; Ele parecia um anjo, daqueles que Julieta via retratados nas pinturas das “Madonnas”. Um querubim caído do céu, para iluminar-lhe a existência.
Ela retomou desesperada o diálogo, para se certificar de que aquilo não era uma aparição e em poucos segundos, desvanecesse no ar.
— Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Esse é o beijo mais santo e conveniente.
— Os santos e os beatos não têm boca? — brinca ele sorrindo.
O rapaz respondera! Para alívio de seu jovem coração, ele não era uma visão...
— Sim, peregrino, mas só para orações! — Julieta retribui a brincadeira.
Ele toca o rosto dela, com uma leve carícia. Julieta assusta-se, mas não conseguiu afastar-se, pareceu estar enfeitiçada...
—Deixai então, ò santa! Que esta boca mostre o caminho certo aos corações...
— Sem se mexer, o santo espera o voto.
— Então, fica quietinha: Em tua boca, limpar-me-ei dos meus pecados...
Ela fechou os olhos, enquanto Romeu erguia-lhe o rosto delicadamente, para em seus lábios pousar um beijo suave e respeitoso. Por uns instantes, Julieta não conseguia respirar; imóvel, ouvia apenas as batidas descompassadas do seu coração. Voltando a si, se afasta! Toca em sua boca e comenta sorrindo.
— Que passaram assim para os meus lábios...
— Pecados meus? Oh, não! Quero-os retornados! Devolve-me!
Romeu segura mais firme o rosto de Julieta e beija-a à francesa. Ambas as línguas se tocaram. A moça perdeu a noção de compostura. Por uns momentos, abraçou-o forte para que o seu anjo não fugisse dela e descartar qualquer possibilidade de ser apenas um sonho. A jovem, se perguntando por que não conseguia conter-se e ele, queria afogar-se cada vez mais em seus doces lábios. Ambos só voltaram à realidade, quando ouviram uma voz chamando. Era a ama Filippa atrás dela.
— Julu!!! Onde estás bambina?!Romeu colocou a máscara correndo e escondeu-se. Julieta tentou ajeitar-se como pôde, para que a ama não desconfiasse de nada.
—
Ama! Estou aqui! — aparece ofegante, Romeu a deixara sem fôlego.
— Estás sem ar? O que houve? Estás passando mal?!
— Não ama! É só cansaço de tanto dançar!
— Teus pais reclamam vossa presença, para despedir-se dos convidados!
Enquanto Julieta se afastava às pressas, Filippa aproveita para pegar uns docinhos que ainda sobravam na mesa para comer. Romeu aparece de repente, e a assusta.
— Virgem Santa! Mas que susto!!!! De onde saíste?!!!!— Perdão, senhora! Por obséquio! — disse-lhe.
— O que queres?
— Quem são os pais dela?
— De quem?
— Da senhorita que saíra há pouco daqui?
— Ora essa, cavalheiro! Os donos desta casa, certamente! Amamentei-lhe a filha, a senhorita pela qual indagas e te digo mais: quem vier a desposá-la ficará cheio de ouro, pois é uma boa menina e muito bem criada! Com licença...
Romeu sente o sangue gelar. “Ela é uma Capuleto?!” — pensa desesperado. —“ Oh, conta cara! Minha vida é dívida de hoje em diante no livro do inimigo!"
— Romeu! — chama-o Benvólio.
Ele se aproxima de Romeu vacilante, estava embriagado.
— Acabou a festa. Mercuccio está chamando para irmos embora.
Enquanto se retiravam, Julieta o vira.
— Ama! Quem é aquele cavalheiro que ora passa pela porta?
— O mascarado de roupa azul e preta, com capa e capuz?
— Ele mesmo.
—Não sei quem seja...
— Vá perguntar-lhe, então!
A ama obedece e volta pálida e desfigurada, fazendo o sinal da cruz sobre si, como se houvesse contemplado uma assombração.
— Mama mia! Sinceridade foste batizada! Inacreditável!!!!
— O quê?! — pergunta Julieta.
— Sangue de Cristo, valei-me!—
Fala logo!
— Romeu é o nome dele! É um dos Montecchios, filho único do inimigo de vosso pai!
Julieta perde as cores e quase desfalece.
—
Eu não acredito! Deus meu! Como do amor a inimizade me arde! Nunca antes conhecido e muito tarde amado! Oh, como esse monstro o Amor brinca comigo; apaixonada ver-me do inimigo!
—
C-Como assim?! — gagueja a ama.
Julieta sobe as escadas às pressas chorando e assustando seus pais.
— Ei! Julieta! Os convidados estão se retirando! — reclama o pai. — Deves fazer-lhes as cortesias da despedida! Julieta!!!— Meu senhor! Oh, meu senhor! Perdoe Julieta, pois ela não está bem! — pede-lhe a ama. — Sendo assim, poupai-a de tal tarefa!
—
Mas o que deu nessa menina? — indaga o pai confuso e olha para a esposa.
— Saudades de Páris?! — opinou Bettina.
continua...