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Pelo mundo

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mensagem Especial: aos amigos que prestigiam este blog


Cometas e Estrelas

Há pessoas estrelas e pessoas cometas.

Cometas passam, são lembrados apenas pelas datas

em que surgem e retornam.

Muitas pessoas são como os cometas;

passam pela vida da gente sem iluminar, sem aquecer

e sem marcar presença.

O indivíduo cometa não sabe ser amigo, quando

muito, é companheiro por instantes.

Ele costuma explorar os sentimentos e aproveitar-se

das pessoas e situações.

Faz acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.

Importante é ser estrela.

Amigos, são estrelas

na vida da gente.

Pode-se contar com eles.

Os anos passam, surgem as distâncias, mas a marca

fica no coração.

É preciso criar um mundo

de estrelas.

E todos os dias poder ver sua luz

e contar com elas.

Ser estrela neste mundo passageiro, cheio de

pessoas cometas, é um desafio, mas acima de

tudo, uma recompensa.

É nascer e viver, e não apenas existir.


Autor desconhecido

*Vocês são minhas estrelas!!!!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- parte 2"


Romeu aproximou-se dos dois corpos e o primeiro a ver foi o de Teobaldo. Ele contemplou-o por uns instantes e sentiu novamente o remorso a oprimir-lhe o coração.

— Teobaldo... agora jazes em um lençol de sangue. Oh, que maior favor fazer-te posso? Do que com esta mesma mão que a tua mocidade cortou, destruir, agora, a do que foi teu inimigo? Primo perdoa-me...

Romeu permite-se chorar um pouco por Teobaldo, antes de aproximar-se de Julieta.

— Ah, querida esposa... a insígnia da beleza em teus lábios e nas faces ainda está carmesim, não tendo feito progresso o pálido pendão da morte — emociona-se ao ver o corpo tão adorado, agora inerte. Leva a mão à face de Julieta e faz-lhe uma carícia. As lágrimas correm-lhe na face. — Ó, meu amor. Querida esposa. A morte que sugou todo o mel de teu hálito poder não teve sobre tua formosura. Oh, Julieta! Por que ainda és tão formosa?

Romeu desaba de vez e abraçando-a, enterra o rosto nos cabelos negros e sedosos. Soluços de lamento ecoam pela câmara deserta.

— Permitirei eu, que esse monstro magro e horrível, a que chamamos de morte, como amante nas trevas a conserve? — continua ele. —Não, meu amor... jamais... Com medo disso, ficarei contigo, sem nunca mais deixar os aposentos da tenebrosa noite; aqui desejo permanecer, com os vermes, teus serventes! — suspira ele contendo um pouco o choro. — Aqui sim, aqui mesmo, fixar quero meu repouso eterno.

Romeu leva a mão à pequena bolsa que trazia na cintura e retira o veneno. Contempla o líquido mortal por um instante.

— Vem, condutor amargo! Vem meu guia de gosto repugnante! Olhos... vede vossa esposa mais uma vez; será a última. Braços, permiti-vos um último abraço...

Romeu abraça Julieta.

— E lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo legítimo selai este contrato.

Beija-a. O último e derradeiro beijo de despedida, antes de beber o veneno.

— Eis para meu amor...

Romeu bebe de um só gole e logo sente o líquido descer e queimar sua garganta. O gosto era horrível. Poucos instantes depois, já sofre os efeitos da peçonha. O corpo ficou trêmulo e o ar, começou a faltar-lhe e por fim, sentiu que perderia os sentidos. A Morte estava cada vez mais próxima.

— Ó, boticário veraz e honesto! Tua droga é rápida... Julieta...

Romeu beija-lhe as mãos e cai sobre a amada. O coração dele deu um salto e parou, seus olhos escureceram e sua vida o deixara.

Na mesma hora, Frei Lourenço chegava no cemitério. Vinha munido de lanterna, alavanca e uma pá.

— São Francisco me ajude! Quantas vezes esta noite, meus pés enfraquecidos tropeçaram em túmulos? — reclamava ele.

— Oh, Frei Lourenço! — uma voz o chama.

O frade se assusta.

— Ai Jesus!!! O que...

— Sou eu frei, Baltazar!

— Baltazar?! Oh, Deus do céu, não me assuste assim! Mas o que faz aqui?

— Vim com Romeu.

— Romeu?! Mas como... — o frade se espanta

— Oh, Frei Lourenço! Que bom vê-lo! Convença o louco a sair de lá!

— De lá onde?

— Do túmulo dos Capuletos. Ficou tão desvairado com a morte da esposa, que temo que esteja disposto a fazer algo muito ruim.

— Ai, não! Há quanto tempo ele está lá?

— Há cerca de meia hora.

— Santo Deus! Já começo a sentir medo! Receio algum caso desastrado! Vem comigo até o túmulo.

— Não ouso, senhor! Ele soprou-me ameaças sem conta, caso o interrompesse! Ameaçou-me até de morte!

— Então irei só. Oh, Romeu, não faça nada precipitado!

Frei Lourenço entra no túmulo e depara-se com o primeiro corpo. Ao sentir que tropeçara em algo, aproxima a lanterna e descobre o Conde Páris assassinado, trespassado por uma espada.

— Eu não acredito! É o Conde Páris!!!

O frade ficou sem ação, não esperava que o acontecimento fosse trazer desgraça de tamanha proporção.

— Oh, dor! Romeu!!! — chama-o desesperado. — Você está aí, Romeu? É Frei Lourenço quem chama! Olá!!!

Frei Lourenço entra na câmara funesta e depara-se com Romeu debruçado sobre Julieta, como se chorasse...

— Oh, meu filho... que bom que...

O religioso engole as palavras; Romeu parecia imóvel demais para alguém que estivesse em prantos.

— Oh, não! Romeu fale comigo! — o frade se desespera.

Frei Lourenço tenta reanimá-lo, mas em vão.

— Está morto!!!! Jesus, Maria e José! Julieta irá acordar a qualquer instante...

continua...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor - parte1"


Já era noite, quando duas figuras misteriosas atravessam os portões do cemitério.
— Dá-me a tocha, rapaz, e fica à parte. Não, apaga-a; não quero que me vejam. Aguardai-me abaixo do cipestre e fica atento. Assim, se notares a presença de alguém chegando, sem que o perceba, deves assobiar-me.
— Senhor Páris, por que estás fazendo isso? Não me agrada ficar aqui fora sozinho... — fala o criado temeroso.
— Oras, covarde! Deixai de lamúrias, dê-me as flores e faze o que te disse!
O criado sai a resmungar.
— Sinto um pouco de medo, por me ver no cemitério, mas que seja! Hunf!
Páris se aproxima da porta do mausoléu.
— Minha querida flor, espalharei flores em teu leito. De pedras frias é o dossel, mas à noite, com água, trarei irrigadores ou o pranto amargo de meu fado cruel e prometo-vos, querida Julieta, que flores hão de nascer em tua sepultura...
O pajem à parte ouve passos e assobia.
— Vem gente! Que pé maldito pisa estes caminhos durante a noite, para perturbar-me nos funerais e ritos do amor puro?
Páris se esconde atrás da lápide do túmulo mais próximo, desembainha a espada e fica de tocaia.
— Romeu! Vede o que vai fazer! — criticava-lhe Baltazar.
"Romeu?! Não foi este que matou o primo de Julieta?"— lembra-se Páris.
— Dá-me o ferro e o enxadão e toma esta carta. Logo que amanhecer tens de entregá-la ao meu senhor e pai. Agora, a tocha! Por tua vida, te exorto: embora vejas e ouças seja o que for, fica à parte. Se ora desço a este leito de morte, em parte é apenas para o rosto ainda ver de minha esposa Julieta... — mente Romeu para tranqüilizar o criado. —Logo sairei...
"Esposa?! — espanta-se Páris. — Mas o que este infame está dizendo?"
— Mas se acaso... — continua Romeu. — só por curiosidade retornares para espiar o que pretendo fazer: Pelo Céu o juro! Quebrar-te-ei os ossos! — ameaça ele. — Meus intuitos a esta hora são selvagens, mais violentos e inexoráveis ainda do que o tigre faminto e o mar revolto!
Baltazar engole em seco.
— Vou-me embora, senhor, sem vos atrapalhar em nada.
Romeu sorri para o criado e pega o restante de dinheiro que ainda tinha.
— Assim, me provarás tua amizade. Toma isto para ti; vive e prospera. E agora, bom amigo, passa bem.
Baltazar não conseguiu entender aquela atitude e queria recusar o dinheiro, mas Romeu insistiu e ele fez de conta que aceitou a oferta. Baltazar afastou-se.
— Mas apesar de tudo, vou esconder-me por aqui mesmo. Não confio nele e temo o seu olhar.
— Matriz da morte... — fala Romeu ao abrir o túmulo e suspira pesaroso. — Detestável maxila, assim te forço os maxilares podres e te obrigo a aceitar mais alimento.
Romeu entra no mausoléu e nem percebera que não estava só. Páris seguiu atrás dele.
"Este é o Montecchio altivo, que banido foi, por ter morto o primo de Julieta, por cuja dor a morrer veio aquela criatura incomparável..."—pensava Páris indignado enquanto o seguia. — "Vou prendê-lo..."
Romeu chegou à câmara dos cadáveres depois de descer uma longa escada. Estreitou os olhos pela escuridão e tentava encontrar o corpo de Julieta. Ao levantar um pouco a tocha, viu que dois cadáveres estavam ainda com as mortalhas novas e limpas; logo, Romeu reconhecera que um deles deveria ser Teobaldo e o outro, provavelmente seria Julieta. Quando ele ia dar o primeiro passo na direção deles, Páris o surpreendeu.
—Interrompe teu maldito trabalho, vil Montecchio! Estás preso, banido desprezível! Obedece e me segue; morrer deves!
Romeu assusta-se e vira-se, mas passado o susto, tenta argumentar com o homem que o interpelava.
—Devo morrer é fato, foi por isso que vim. Mancebo generoso, tentar não queiras um desesperado. Foge daqui e deixa-me; reflete nestes mortos e que eles te amedrontem. Suplico-te, senhor, não me faças arcar com o peso de mais um pecado, pois aqui vim contra mim próprio armado...
—Importância não dou ao teu pedido — Páris empunha a espada. — e prendo-te por seres criminoso!
— Queres me provocar? Então defenda-te!
Romeu saca sua espada e bate-se com Páris, matando-o em curto espaço de tempo. Páris cai encharcado de sangue e só teve tempo de proferir algumas maldições antes de morrer. Romeu aproximou a tocha para ver a quem tinha ferido.
— Conde Páris?! Deus do Céu! Não era com ele que Julieta iria casar-se? Oh, pobre mortal, que tanto quanto eu, o nome foi inscrito no livro do infortúnio!
Romeu sentiu pena do homem, não tinha a intenção de matar mais ninguém, só queria levantar a mão contra ele próprio, mas infelizmente, disposto a tudo como estava, ele não teve outra escolha. Ou matava, ou seria preso e o seu intuito estaria ameaçado.
Redimido pelos próprios pensamentos, seguiu em frente.
O servo de Páris, preocupado, seguiu o amo e vira toda a cena. Romeu não percebera-lhe a presença e ele, muito assustado com o que testemunhara, foi procurar socorro.
Continua...

domingo, 27 de setembro de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Pacto Mortal - parte4"



O cavalo levanta a poeira da estrada, assusta um rebanho de ovelhas que por ali pastoreavam. Quantos quilômetros ainda restavam? Cinco, dez? Baltazar não sabia dizer, só o que conseguia pensar era como dar a notícia a Romeu e no estrago que aquela fúnebre nova faria ao seu coração. Desde que o vira pela última vez, quando partira para Mântua, Romeu estava cheio de planos e com novas esperanças. A tristeza da véspera, após a derradeira luta com Teobaldo, havia se dissipado após receber o perdão de Julieta e ele conseguira se acalmar.
“Pobre amo!” — era só o que Baltazar conseguia pensar.
Enquanto isso, onde morava o irmão de Frei Lourenço, Romeu ocupava o quarto de hóspedes nos fundos da casa.
Estevão o recebera muito bem, como um pai receberia seu próprio filho. Romeu não tinha do que reclamar; estava seguro, tinha onde repousar e onde alimentar-se. A única coisa que o incomodava era o ócio de esperar para voltar à sua cidade. “Deus permita que o Príncipe Escalo logo tenha compaixão de mim e permita o meu regresso. Frei Lourenço prometeu-me que intercederia por mim, alegando ao príncipe que levasse em consideração que eu era arrimo de família, e que meus pais, já de idade avançada, precisavam de mim. Espero que ele logo considere o meu caso e me permita voltar à Verona...” — pedia Romeu em suas orações.
O dia de Romeu resumia-se a sentar-se em frente à porta, aguardando notícias.
“Os sonhos me dizem que está iminente alguma alegre nova...” — pensava esperançoso. — “Sonhei que meu amor havia chegado e me encontrara morto, mas com beijos, tal vida me insuflava, que eu revivia e Imperador me tornava...”
Assim, com risonhas imagens, um espírito desconhecido o erguia do chão duro.
Romeu houve um cavalo relinchar e despertando do devaneio, como se desperta de um sonho, reconhece Baltazar.
— Baltazar!!! Meu amigo! Notícias de Verona? Frei Lourenço mandou carta? — dizia-lhe Romeu, bombardeando-lhe de perguntas. — Meus pais estão bem? E Julieta? Minha Julieta, como a deixaste? Nada irá mal, se bem ela estiver...
— Em sua casa todos estão bem, quanto à Julieta... — ele faz uma pausa e respira fundo. — Creio que ela está bem, nada está mal. Talvez ela esteja melhor do que nós, que ainda vivemos a penar por este mundo.
Romeu não compreendera. Baltazar não estava dizendo coisa com coisa, as palavras não faziam sentido. O fato é que Baltazar não sabia como começar...
— Como assim? Ou ela está bem ou não está! Que quereis dizer-me com palavras sem nexo e tão confusas?
— Ela... — Baltazar não conseguiu mais conter as lágrimas. — Seu corpo em breve estará dormindo no sepulcro dos Capuletos e a imortal essência, vive agora entre os anjos.
— Q-QUÊ?! Ficaste louco?
— Antes fosse, meu senhor. Mas é a verdade...
Romeu perde as cores.
— O-O que dizeis?! Isto é um absurdo!!!! — Romeu revolta-se. — Não é verdade! Por favor, Baltazar! Diga que está mentindo!!! — fala às lágrimas.
— Eu jamais mentiria para vós em um assunto tão sério desses! Não se fala em outra coisa na cidade e ainda estão dizendo, pior! Corre em toda Verona que ela se matou, para não casar-se com Páris!
— Páris?!
— Sim, os pais queriam forçá-la a casar-se...
— Basta Baltazar! Chega! Não quero ouvir mais nada! Agora tudo faz sentido... Oh, Julieta, por quê?
Romeu era só amarguras e suas lágrimas, caem copiosas sobre o seu peito partido. Baltazar queria acalmá-lo, mas nada do que dissesse o teria consolado. Em questão de dois dias, seus sonhos desmoronaram.
— Perdoe-me, senhor, por trazer-vos tais notícias, mas deste-me esta incumbência...
— Está tudo acabado... Vai buscar-me papel e tinta com Dom Estevão, preciso escrever...
— O que vai fazer?
— Vou voltar.
— Mas não podeis, senhor! Serias preso e morto...
— Nada mais importa!
— Senhor revesti-vos de paciência, vos peço!
Romeu empurrou-o revoltado.
— Isso é uma ordem! E depois que me trouxeres o que pedi, saia e alugue-me um cavalo!
— Tendes pálidas as feições e desvairadas, pressagiando desgraça!
— Enganai-vos! Nunca estive mais lúcido em toda a minha vida!
— Mas senhor...
Romeu aponta-lhe o dedo ameaçador...
— Ouça bem! Nem as estrelas, nem o firmamento e nem mesmo o próprio Deus me impedirá de vê-la a última vez, então, nem mesmo você!
Romeu agarra Baltazar, entrega-lhe umas moedas e força-o a tomar o rumo da casa de Estevão.
— Traga-me papel e tinta e em seguida, saia para providenciar-me o cavalo que pedi, enquanto isso, resolverei outras coisas por aqui. Quero voltar à Verona ainda hoje e chegarei lá à noite.
Muito a contragosto, Baltazar faz o que o amo lhe pede.
“Sei que existe um boticário aqui perto...”— recorda-se Romeu.
Depois que Romeu escreveu a carta, aproveitou-se da ausência do servo, enquanto este foi cumprir sua segunda ordem dada e saiu. Não demorou muito, ele estava diante da porta do Boticário que vivia nas redondezas.
“Bem, Julieta... deitar-me-ei ao teu lado ainda esta noite. Procuremos os meios...” — pensa o jovem batendo à porta do recinto, que estava fechada por ser feriado.
— Boticário! — chama ele.
“Está proibido o comércio de venenos em Mântua, mas vivendo este sujeito, na grande miséria em que vive, acabará por vender-me um frasco por uma boa oferta...” — idealizara Romeu e chamou-o outra vez.
O homem por fim atendeu-o, após tanta insistência. Logo surgiu à porta um velho de avançada idade, o rosto esquálido, bem maltrapilho, cujo corpo havia sido ruído até os ossos pela miséria.
— Quem me chama com tanta força?
— Bons dias amigo. Vejo que és pobre; então toma estes quarenta ducados, mas arranja-me uma dracma de veneno, mas droga tão violenta que tão veloz se espalhe pelas veias e que a pessoa, cansada desta vida, bebendo-a, caia morta.
O homem olhou espantado para o montante, era muito dinheiro. Nem com um ano de vendas, chegaria a juntar tudo aquilo.
— Possuo esse veneno perigoso; porém as leis de Mântua, morte certa cominam, para quantos o venderem...
— Esse mundo é tão cheio de misérias, e a morte ainda receias? — comenta Romeu amargurado. — Tens a fome nas faces, as angústias e o infortúnio dos pesares. Em todo o mundo não há uma lei para deixar-te rico. Não sejas receoso, então; passa por cima da lei e toma isso. Nosso trato jamais será revelado...
O velho abriu um sorriso podre e enviesado, ao mesmo tempo que um brilho de ganância lampejou em seus olhos.
— Minha pobreza aceita o que me dás, mas não a vontade.
— Não estou pagando a sua vontade, mas a sua pobreza.
— Muito bem... entre.
O homem foi até um armário do seu comércio e retirou um frasco escondido, onde haviam outros iguais.
— Tome. Ponde isto em qualquer líquido que tomando-o, embora a resistência possuirdes de vinte homens, caireis de pronto morto.
— Obrigado, senhor — agradece Romeu ao pegar o frasco que o homem lhe oferecia. — Com o dinheiro pago, compre alimentos e engorda um pouco mais. — brinca ele saindo logo em seguida.

Em Verona, Julieta já estava sepultada e a família carpindo a tristeza. Ao cair da tarde, Frei João regressou de Mântua e procurava por Frei Lourenço desesperado.
— Santo irmão franciscano!!! Olá irmão Lourenço!!!
Frei Lourenço interrompeu suas orações e foi até ele.
— Ó tu, que vens de Mântua! Sê bem-vindo irmão João! Romeu que disse?
— Como não conhecia bem a cidade, fui procurar um frade de nossa ordem que conhece as ruas de Mântua e que visita os doentes de lá, para que fosse comigo, mas os guardas da cidade, pensando que tivéssemos saído de uma casa onde a infecciosa peste domina, nos obrigaram a entrar na casa e as portas logo fecharam, não deixando que saíssemos, com isso, minha pressa de ir ter com Romeu, foi adiada.
— E quem levou a carta para Romeu?
— Não pude remetê-la, ei-la aqui outra vez. Tentei achar um portador para levá-la, mas tanto medo têm as pessoas da infecção...
— Quanta falta de sorte, meu Deus! — preocupa-se Lourenço. — Por São Francisco, essa carta não é sem importância, mas de peso e conteúdo muito grave. O atraso pode ter conseqüências muito sérias. Frei João, vai bem depressa buscar algo que me sirva de alavanca, um pé-de-cabra; o aguardarei na cela.
—Pois não, irmão.
O frade sai, deixando Frei Lourenço a sós com seus pensamentos.
— Agora tenho de ir sozinho ao túmulo. Dentro de três horas, vai a bela Julieta despertar e vai maldizer-me porque Romeu ficou sem ter notícias dela. Mas para Mântua escreverei de novo e a deixarei escondida em minha cela, até que possa Romeu chegar aqui.
Continua...