Quem sou eu

Minha foto
Desejam falar comigo? *Escrevam seus comentários, que assim que puder, entrarei em contato. Eu não uso outlook.

Pelo mundo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

mensagem especial: Solidariedade


Santa Catarina tinha uma massa muito grande de leitores deste blog, pesa-me por isso, ao coração, o que vem acontecendo àquele belo Estado. Aos amigos de Santa Catarina e agora, Espírito Santo, que lêem este blog, que liam quando computador ainda tinham e aqueles que talvez não leiam mais, pois podem ter perdido a vida na chuva impiedosa, deixo minha solidariedade e estou rezando por vocês e pelos seus Estados. Muitas das vezes, flagelos como estes nos assolam e indagamos: Onde está Deus numa hora destas? Porém, creio que a pergunta talvez seja outra: O que nós estamos fazendo com o nosso planeta?
Deus é sábio em tudo que faz e sua Natureza criada é perfeita; nós sim que, por ânsia de querer mais do que já temos, mexemos de forma irresponsável com Ela.
A Natureza não se defende, todavia, mais tarde, até para encontrar novamente o seu ponto de equilíbrio, Ela se vinga e é o que estamos vendo, não só em Santa Catarina, mas em todo mundo: terremotos freqüentes e até mesmo em lugares que nunca os tinha tido, Ciclones em larga escala, aquecimento absurdo, em partes do mundo que eram consideradas frias mesmo no Verão, etc...
Acho que é chegada a hora de pararmos para pensar no amanhã e buscar meios de cuidar melhor do nosso Planeta, que é a nossa casa, enquanto ainda temos tempo. Deus dotou o homem de inteligência, para saber diferenciar o que é bom e o que é mau. Conjuro a todos os leitores deste blog a ajudarem Santa Catarina. Participem das campanhas! Vamos mostrar a nossa solidariedade nesta época, que por causa do Natal, só se exalta esta palavra, o Amor e a Fraternidade. São nossos irmãos que estão sofrendo e provavelmente, o Natal deste ano, para eles não será o mesmo.
PAZ E BEM A TODOS

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato "O Baile" - 3

foto: cena do filme de Franco Zefirelli "1968" (Julieta e Páris)
Ao virar-se, Romeu teve um sobressalto e contemplou a mais bela aparição, mais bela ainda do que Rosalina, a ingrata que magoara-lhe o coração.
— Andaste por demais ao sol, jovem senhor — brinca ela. — Balbuciando palavras sozinho e sem sentido aparente, ou se acaso engano-me, não estás contente?
Romeu fica sem palavras para responder à bela moça. Tinha diante de si, uma jovenzinha radiante como a aurora matutina. Pele clara como a neve e cabelos negros como o ébano; olhos de uma cor que Romeu não pode definir; ora pareciam verdes e ora azuis, dependendo da luz a banhar-lhe o jovem rosto; faces róseas, demonstrando o frescor da tenra idade e seus lábios? Ah, os lábios! Bem delineados pela natureza e tão carmesins, que pareciam uma uva moscatel madura e doce, convidando a ser provada. E o sorriso? Que lindo sorriso ornamentava-lhe a face! Dentes alvos e brilhantes!
O coração de Romeu disparou, mas antes que pudesse saber-lhe o nome, a dama virou-se e dirigiu-se à uma senhora que gesticulava-lhe de forma frenética. O rosto dele havia corado e sentiu um calor percorrer-lhe todo o corpo e agradeceu aos céus, por ter a face oculta.
— O que foi, ama? — pergunta Julieta.
— O conde Páris deseja despedir-se.
Julieta se segurou para não abrir um largo sorriso e acompanhada da ama entrou em casa.
— Quem será ela? — indaga-se Romeu encantado. — Oh, que simpleza! Nunca soube até agora o que era a verdadeira beleza!
Romeu estranha as suas palavras proferidas espontaneamente.
— Será que agora, de fato, saberei o que é o amor? Seguirei atrás.
Ele volta para o salão iluminado e começa a procurar pela jovem. Viu-a conversando com um cavalheiro e nesta hora, passou um criado servindo.
—
Ei! Amigo! Que dama é aquela que fala com aquele cavalheiro?
Já cansado e mau-humorado, o criado responde de qualquer maneira.
— Desconheço-a, meu senhor.
Depois que o servo afastou-se, Romeu levanta a máscara e continuou em sua contemplação apaixonada.
— Ela ensina a tocha a ser luzente! Dir-se-ia que a face está pendente da noite, qual jóia mui preciosa, na orelha de uma etíope mimosa! Bela demais para o uso, muito cara para a vida terrena! Como clara pomba ao lado de gralhas tagarelas, anda no meio das demais donzelas!
Teobaldo, primo de Julieta por parte de sua mãe, passava na hora e viu-lhe o rosto antes de Romeu baixar novamente a máscara, e o reconhece.
— Como esse vilão se atreve a com máscara grotesca, vir aqui para de nossa festividade rir e fazer pouco? — fala indignado. — Pela honra de meu sangue e nobre estado, dar-lhe a morte não julgo ser pecado!
Teobaldo corre em direção aos tios. Romeu, alheio, nem percebera que Teobaldo o vira.
Páris foi embora e Julieta voltou para a roda de dança, para divertir-se com as amigas. Estava feliz e aliviada.
— Vou procurá-la, após a dança, para que esta mão possa tocar nela e assim ficar bendita!
— Tio! — chama-o Teobaldo.
— Que é, sobrinho meu? Que se dá contigo?
— Aquele é um Montecchio, nosso inimigo? — fala apontando-o.
— Como tu o sabes?
— Vi-lhe por uns instantes o rosto, enquanto tinha a máscara levantada.
— Mas quem é ele?
— É Romeu Montecchio! O biltre Romeu! — fala Teobaldo com raiva. — Ele entrou aqui, por zombaria, para estragar nossa alegria!
— Caro sobrinho, aquieta-te! Deixai-o tranqüilo! Ele não fez nenhum chiste com nossa festa, tem-se mostrado um perfeito gentil-homem. Para ser-te franco; Verona tem orgulho dele, como rapaz virtuoso, pacífico e mui polido. Não quero que ele seja, em minha casa, ofendido. Acalma-te, portanto e fica alegre! Essa é a minha vontade!
Bettina Capuleto surpreendeu-se com a tolerância do marido.
— Acatai sua presença, fica alegre e desfaça esta carranca que não vai bem com nossa festividade! — diz-lhe Capuleto.
Teobaldo não conseguia acreditar no que ouvira. Ver o tio defendendo o inimigo, muito o revoltou.
—
Vai sim, quando um vilão se mete nela! — retruca-lhe. — Tio, eu não o suporto! Por favor... é vergonhoso!
Capuleto segura-lhe firme pelo braço e joga-o em uma cadeira.
— Terás de suportá-lo! Estou mandando: deixa-o em paz!
Quem manda aqui, acaso, vós ou eu? Ora! Não o suportais, então; quereis fazer barulho entre meus hóspedes?! Provocar Briga?! Quereis ser o primeiro a ser enforcado pelo Príncipe Escalo? Sois um petulante! Arrependi-me de tê-lo convidado!
— Mas... — ele ainda tentou argumentar.
— SILÊNCIO!
Ide acalmar-vos, seu fedelho impetuoso e desequilibrado!
Capuleto afasta-se e Bettina achega-se a Teobaldo.
— Faça o que ele disse — ordena ela. — Resolva isto mais tarde, pois Lorenzo disse: “em minha casa”. Na rua, porém, podeis agir como quiserdes. Mate-o por esta afronta e depois, fuja da cidade e retorne mais tarde, quando todos já houverem esquecido o caso — idealiza a cruel mulher.
—A paciência e o furor equilibrados, inativos me deixam com seus brados. Vou embora, mas o intruso que hoje é mel, será amanhã o mais amargo fel.
— Isso! — concorda ela.
Teobaldo abandonou a festa. Recusou-se a permanecer no mesmo antro que um inimigo Montecchio, pois talvez, até o final do baile, desobedecesse ao tio.
continua...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato "O Baile" - 2

foto: Estátua de Julieta no jardim dos Capuletos

Quando Romeu e os companheiros chegaram, a festa corria animada e a cada chegada de novos convidados, o Senhor Capuleto, acompanhado da esposa, vinha recebê-los à porta.
— Senhores, bem-vindos! As senhoras que não sofrerem no dedão de calos, hão de dançar convosco! — cumprimentava-os o anfitrião.
— Vamos agora — fala Mercuccio.
— O Capuleto está na porta... — hesita Romeu tentando dar meia-volta, no que Mercuccio puxou-o.
— Nada disso, meu bom rapaz! O que esperavas? Ele é o dono da casa e deve fazer as honras!
— Eu me arrependi de ter vindo!
— Agora é tarde, caro amigo! Esqueças quem sois e entre sorrindo!
—
Ora! Estou de máscara! — recrimina ele.
— Mais um motivo para não ter medo — Mercuccio empurra-o. — Olá, Senhor Capuleto? — cumprimenta-o Mercuccio, fazendo um meneio. — Mercuccio, vosso criado!
— Oh! Como vai, bom Mercuccio? Quem são esses?
— Meus companheiros de música.
— Ah, é mesmo! Esqueci-me de que adoras animar as festas! Isso é ótimo, porque meus músicos cansando, podeis assumir as serestas!
Romeu suava frio e, embora mascarado, seus pés vacilavam.
— Me parece que este rapaz não está bem...
— Ah, coitado! É um enjeitado pela família, o qual a minha dispôs-se a cuidar, pobrezinho! Ele é estrangeiro!
Romeu vira-se incrédulo para Mercuccio.
— É?! — pergunta Capuleto. — De onde?
— Da França! — mente Mercuccio.
— Adoro a França! Suas maneiras, seus costumes... De onde sois meu jovem? De que província francesa?
Romeu mordeu os lábios. Se ele falasse, Capuleto reconheceria-lhe a voz. A vontade dele era voar no pescoço do amigo.
— Imagina! Não vos contei?! — torna Mercuccio calmo. — Ele é mudo, não fala nada!
— Oh, mas que pena! — apieda-se a Senhora Capuleto.
Benvólio estava se segurando ao máximo, para não cair na gargalhada.
— Ele não fala nada mesmo? — pergunta Capuleto incrédulo.
— Nem um gemidinho...
Mercuccio pisa com força no pé de Romeu e ele sente uma dor terrível, mas não podia gritar, teve que segurar-se. Seus olhos lacrimejaram por trás da máscara.
— Viu?!
— Oh, que lástima! Coitado... Entrem. Sede aqui bem-vindos! Já se foi o tempo em que punha uma máscara e sabia cochichar algumas palavrinhas nuns ouvidos bonitos, mas a mocidade é fugaz... tudo passa! Ide senhores!
Os amigos arrastaram Romeu para dentro.
— Por que fez aquilo? — pergunta a Mercuccio revoltado.
— Me vinguei! — ri Mercuccio.
—
Seu desgraçado! — xinga Romeu. — Eu te mato seu asno!
Mercuccio corre para o meio do salão, cheio de gente, antes que Romeu arrancasse-lhe o couro.
Enfim, todos os amigos misturaram-se aos convidados e Romeu retomou o seu intento. O pior já havia passado. Começou a procurar por Rosalina, porém, de fato não a vira junto da família. À festa ela não fora, mau sinal.
O Senhor Capuleto e sua senhora já haviam voltado para o salão e agora, conversavam com os pais de Rosalina. Sorrateiramente, Romeu se aproxima para ouvir o que comentavam.
— Então, é mesmo verdade, Benvenuta? Rosalina decidiu ser freira... — falava Bettina.
— Sim. Minha filha sempre foi uma santa, já era esperado que agisse desta maneira.
— Não estão decepcionados? — pergunta Capuleto.
— Nem um pouco, irmão Lorenzo! — disse-lhe Iacopo, o pai de Rosalina. — Sentimo-nos lisonjeados! É até melhor, menos um dote a ser pago!
— Quanto a mim, nem posso pensar em colocar minha filha no convento, senão, minha família termina; por isso, estou empenhado em arrumar-lhe bom casamento — fala Capuleto.
— E já tem alguém em mente, caro cunhado? — pergunta a mãe de Rosalina.
— Estamos pensando em casá-la com o Conde Páris — explica a mãe de Julieta. — Só que, por enquanto, nada foi arranjado até o momento presente.
— Nossa! Conde Páris é um bom-partido! — admira-se Benvenuta.
— Sim! Muito rico! Escolheste bem, Lorenzo! Agora, quanto ao fato de Rosalina estar no convento e com homem algum casar-se, tenho outros filhos, por isso, não devo preocupar-me.
— Isto é fato! — concorda Capuleto.
“Então era verdade... Ela de fato tornou-se casta...” — pensa Romeu decepcionado e afasta-se inconsolável. —“Benvólio não mentira...”
Romeu foi procurá-lo e por fim encontrou-o.
— Eu não disse? — fala ele.
— Sim, disseste primo meu. E eu cheguei a duvidar da tua palavra!
— É natural, primo. A decepção certas vezes nos bate à porta e por medo de sofrer, não abrimos para ela. Mas, caro Romeu, atente! Logo acharás uma linda donzela e esta, o fará esquecer-se de Rosalina e logo, estarás outra vez contente!
— A ferida está recém aberta, não sei se desejo aventurar-me nesta estrada tão cedo!
— Encontre nova paixão, não tenha medo! — incentivou-o Benvólio.
— Preciso de ar...
Romeu afasta-se e dirige-se para o jardim da casa e senta-se no chafariz. Ele queria chorar e estava por um triz, contudo, sentia-se envergonhado de fazê-lo, embora a máscara lhe favorecesse e pudesse vazar a tristeza sem temor, e martirizar-se pelo perdido amor.
No salão, Julieta já estava cansada de dançar e dar atenção a Páris. Queria afastar-se dele um pouco, ela não estava agüentando mais; seus pés doíam e seu pretendente era por demais esnobe. Por fim, conseguira uma boa desculpa e conseguiu fugir, escolhendo o jardim para esconder-se.
Casais estavam a conversar animadamente e pareciam apaixonados e absortos em si mesmos. Julieta não pode deixar de admirá-los; eles não se preocupavam com nada em redor, apenas contemplavam-se mutuamente. Ela suspirou profundamente, desejando um amor semelhante para si e algum tempo depois, reparou numa figura imóvel e solitária, sentada no chafariz. Era o único que estava sozinho.
“O que aquele homem só, faz no refúgio dos casais apaixonados?” — indaga-se. "— Bom, deve estar esperando alguém... de certo marcou algum encontro...”
Ela ia retirar-se, mas decidiu continuar a observá-lo; pelo menos era melhor ali, do que ao lado de Páris. Após um tempo bem longo, ela constatou que ninguém dele se acercara. Curiosa, resolveu aproximar-se e ouviu ele balbuciar palavras amarguradas.
—Ah, que aparência tens amor tão branda, mas na verdade, sois áspero e tirano!
Assim falava o jovem quando foi surpreendido por uma risada meiga e cristalina...
continua...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato " O Baile" - 1

foto: máscara veronesa
O grande salão já estava iluminado, as guirlandas suspensas e espalhando o seu perfume suave; uma mesa com várias iguarias, já tinha sido servida com luxo e beleza.
Os convidados chegavam aos poucos e iam enchendo o salão, com seus risos, suas conversas e suas roupas bordadas e riquíssimas em detalhes; era um verdadeiro show de cores, mas as cores que mais predominavam era o vermelho e o dourado, a cor do brasão da família Capuleto.
Julieta já estava arrumada, aguardando sua ama Filippa vir buscá-la para o baile. Seu vestido era vermelho vivo, num tom bem forte, bordado com rosas singelas em tom branco, contornadas em dourado, pois a cor predominante da família tinha que sobressair-se em sua roupa. Seu cabelo bem longo e negro, protegido com uma espécie de touca do mesmo tecido da roupa, estava impecável, preso em uma trança enfeitada com uma rede de pérolas, sinal da moça disponível para o casamento.
Ela estava deslumbrante! Mas para o Conde Páris, não para alguém que ela, de fato, quisesse enfeitar-se. Olhava-se no espelho e sentia-se estranha. Só conhecia o amor através dos contos que ela criava e narrava às amigas. “Será que o amor existe como nos contos-de-fada?” — indagava-se.
— Julieta! — chama-lhe a ama, despertando-a dos devaneios.
— O baile já começou, vamos! O conde a espera.
Ela soltou um suspiro entediado e queixoso.
— O que foi, ovelhinha? Estás triste?
— Não, ama...
— Não simpatizas com Páris, não é?
Julieta ficou lívida. Sua ama acertara na mosca. E como se entendesse o silêncio dela comentou...
— Eu te conheço bem, Julu...
— Nada posso esconder de ti, não é ama?
— Filha, não fica assim...é natural que tu não gostes dele, afinal, pouco o conheceis, porém, quem sabe se com a côrte e a convivência, não venhas apegar-te ao moço?
— Talvez... é que... é tão estranho... — balbucia Julieta tentando entender.
— Claro, minha bambina! Nunca ouviste falar de amor! Há pouco saíste da infância, então, tal temor é natural para a tua idade... — explica-lhe a boa ama. — Bom, acho que teremos que conversar sobre isso, preciso explicar-te sobre algumas coisas, pois já estás na idade.
Julieta sorriu.
— Acho que tens razão. Como sempre, querida ama!
— Venha! Vamos descer!
Neste mesmo tempo, por uma alameda estreita e escura, munidos de archotes, vinham Mercuccio e sua trupe de músicos mascarados, na direção da casa dos Capuleto. Romeu e Benvólio estavam com eles.
— Por escusas faremos algum discurso, ou entramos sem nenhuma apologia? — pergunta Romeu ao primo.
— Muito falar destoa deste dia. Que nos tomem por quem melhor acharem; mediremos com todos alguns passos e, após, sairemos —explica-lhe Benvólio.
— Dai-me uma das tochas; não me acho disposto para pinotes hoje.
— Não! Tereis de dançar, caro Romeu! —caçoa Mercuccio.
— Nervoso da forma como estou, pesa-me o corpo feito chumbo e meus pés, não conseguem dar um passo.
— É tão fácil! É só acompanhar o compasso!
Mercuccio segura Romeu e para escarnecê-lo, tenta valsar com ele.
—
Ei! Ei! Me solta!!! — protesta ele.
Os amigos começaram a rir. Indignado, Romeu pisa no pé de Mercuccio.
—
Ai! Essa doeu! — reclama ele.
— Já disse que não vou dançar hoje!
Mercuccio soltou uma longa gargalhada.
— Ora! Sois um apaixonado! Por empréstimo, tomai as lépidas asas de Cupido! — brinca ele.
— Hum... ROSALINA!!!!! — ri um dos homens e os demais começaram a caçoar dele também, até Benvólio.
—
Querem parar com isso! — irrita-se Romeu. — Tão transpassado estou por suas setas que nenhuma de suas asas, conseguirá levar-me para o alto! Pois sinto-me pesado, que não posso deixar a dor obscura, esta, nem pelo fardo do amor, gemendo se cura!
— Mas para estar sob ele, é necessário que carregueis o amor, embora um peso excessivo para coisa tão terna — filosofa Mercuccio.
— Coisa terna julgais que seja o amor?! Não; muito dura. Dura e brutal e fere como espinho... — desabafa ele.
— Se o amor convosco é duro, sede duro com ele! Revidando todas as pancadas que der — aconselha-o. — Ponde-o no chão!
Giácomo! Dê-me uma cobertura para o rosto! Em cima de uma máscara, ponho outra! Que me importa que o olhar possa perceber a feiúra?
Dizia Mercuccio, escarnecendo de si mesmo e de sua aparência, que não era tão bela, embora muito feio também não fosse; mas ele se julgava fora dos padrões de beleza e não adiantava dizer-lhe o contrário. Os amigos já estavam acostumados com seu complexo.
— Vamos bater e entrar, e uma vez dentro, que bom uso das pernas todos façam! — combina Benvólio animado.
— Insisto! Dê-me uma tocha! Já meu avô dizia sentencioso: seguro a luz e fico a observar tudo. Fora, muita algazarra; eu, quieto e mudo — pede Romeu outra vez.
— Por que tanto temor, agora? Não querias ver e falar com Rosalina, a ninfa por quem lamenta e chora?! — repreende-lhe o primo.
— É que eu tive um sonho esta noite...
— Oh, mas que coincidência! — intromete-se Mercuccio. — Eu também!
— Sobre o quê? — pergunta Romeu curioso.
— Que os sonhadores sempre mentem e sonho algum, verdade tem! Vamos rapazes! “andiamo”! Já estamos atrasados! — adianta-se Mercuccio, conduzindo os seus bardos.
O grupo seguiu em frente e Romeu ficou pra trás.
—
Anda primo! Deste jeito, não pegaremos nem a ceia! — grita-lhe Benvólio.
— Eu devo estar mesmo louco. Ir à festa em casa inimiga... Embora mascarado, ainda assim é um absurdo!
O sino do campanário da Catedral de São Zeno, soaram dez badaladas. Romeu ouve o som e vira-se para a igreja e faz uma ligeira prece.
— Apreende o meu espírito algo que ainda pende das estrelas e que vai iniciar seu fatal curso, na festa desta noite, pondo termo à vida desprezível que eu carrego no peito, num açoite. Mas Aquele que se acha no leme da minha viagem, dirija-me a vela!
Ao virar-se para a alameda, percebera que os amigos já iam longe e teve que correr para alcançá-los.
—
Ei! Esperem!!! — grita ele.


continua...