Quem sou eu
- Paula Dunguel(S.Lopes^^')- Alguém que respeita e ama as artes e culturas em geral.
- Desejam falar comigo? *Escrevam seus comentários, que assim que puder, entrarei em contato. Eu não uso outlook.
Pelo mundo
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
domingo, 11 de setembro de 2011
Boas notícias

A coisa de um ano atrás, parei de editar no blog, porque a saúde da minha mãe estava comprometida. Volto agora, com toda alegria do mundo, pra dizer a todos que mamãe se recuperou bem e está quase curada. Os médicos estão muito animados com a resposta positiva de minha mãe aos tratamentos. Passada essa etapa difícil, começo a enfrentar uma nova etapa, com notícias mais alegres. Fui muito abençoada, estou me preparando para ser mãe. Rezo todos os dias a Deus para que meu bebê venha com saúde, para que assim, ele seja um grande presente de Deus à minha mãe, que está feliz por ser vovó. E eu, estou realizando o meu maior sonho. Vi-me na obrigação de dar-lhes satisfações depois de tanta ausência e espero, em breve, conseguir voltar à ativa e trazer mais histórias inesquecíveis pra vocês! Hasta la vista!
terça-feira, 29 de junho de 2010
Um papo rapidinho Vapt-Vupt!
Eu fico muito feliz, quando pessoas bem intencionadas comentam nas postagens. Pelos comentários, o autor se guia pela opinião do público e procura manter a linha, ou melhorar para agradar cada vez mais. Considero um contato muito importante. Pena que é raro quando comentam, mas toda vez que eu abro os meus blogs, a primeira coisa que eu faço é ver se tem algum comentário para ser publicado e qual não é minha alegria, quando um amigo deixa um recado? Seria muito bom se nós estreitássemos os laços de amizade...
Mamãe está fazendo quimioterapia e está passando bem, graças a Deus. Peço a todos que rezem muito por ela e por mim também.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Bordoadas da vida

Meus amigos tão queridos, que sempre encontram um tempinho para visitar-me nos blogs, devo dizer a vocês e pedir desculpas por uma ausência forçada, cuja vida, no momento me impõe. Minha mãe encontra-se má de saúde, problema que, infelizmente, apareceu em sua mama e que nem gosto de falar o nome. Acredito até, que por ser uma palavra tão maldita e que já nos sentencia à morte, quando muitos a ouvem, vocês já devem ter uma idéia do que possa ser. Com isso, as idéias e a animação de escrever pra vocês, está meio que, se esvaindo. Agora só consigo pensar em minha mãe e em como fazer para ajudar ou, se Deus permitir, curar o seu mal. Terei que ausentar-me por um tempo, até essa tempestade passar. No mais, agradeço a todos que me seguem e que me acompanharam até agora e espero, muito em breve, conseguir voltar à companhia de vocês e deixo o meu apelo às amigas que me acompanham: Não deixem de se cuidar. Vão ao ginecologista regularmente e façam a prevenção anual.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Uma pequena travessura!

Taí uma coisa que sempre pensei em escrever, mas faltava-me coragem...
*Pensava em nunca ser capaz de criar novos contos-de-fada, que fossem tão inesquecíveis quanto as histórias de nossa infância como, Branca de Neve, A Bela Adormecida, Cinderella, etc.
*Medo de não captar a alma deste tipo de história.
Para mim está sendo um desafio, mas resolvi arriscar, afinal, a vida é feita de desafios. Por isso ela é fascinante! Espero, com esta nova história, cuja experiência será nova para mim, cativar a todos e quem sabe, outras poderão vir depois...
Novo Conto: categoria * contos de fada

Era uma vez...
A Maldição do Dragão
Existia no distante reino de Lasperlein, um rei muito poderoso e ganancioso, que possuía uma filha linda como o amanhecer. Desde criança, muitos nobres queriam oferecer seus filhos, prometendo-os para futuro enlace. O nome da princesa era Lorien.
Ela era a alegria do castelo, com seus risos infantis ecoando pelos corredores. Todos os súditos comentavam: — Se já é linda agora, imagina quando crescer?! — comentavam suas amas e criados.
Lorien tinha um primo chegado, o qual era seu companheiro de folguedos. Ambos brincavam juntos e era a única criança cujo seu pai permitia com que brincasse, durante a primavera e o verão.
O rei era muito arrogante, ambicioso, egoísta e vivia distante da menina, incapaz de lhe fazer qualquer afago. Não dava o devido valor que a princesa merecia. Só queria saber de sair para guerras e invadir territórios alheios e quando ele se deu conta, a filha já havia crescido e se tornado uma jovenzinha de rara beleza. Cabelos longos e negros, pele alva como o marfim e olhos de um tom azul bem vívido, como o brilho celeste.
Seu primo também crescera e se tornou um simpático e belo mancebo, de maneiras corteses. Cabelos acobreados e reluzentes, olhos esverdeados em tom semelhante ao ocre, corpo bem formado e robusto.
Lorien sempre esperava ansiosa o início da primavera, porque era a época que seu tio Liberman, vinha de suas terras distantes, lá pros lados de Winterlein, trazendo toda a família consigo. Vinha visitá-los e passar as estações mais quentes, em companhia de seu irmão, o Rei Klerman, pai de Lorien. Ela estava agora com 17 anos, a mesma idade do primo. Alek era como o rapaz se chamava e quando começava a despontar as primeiras flores, Lorien ficava todas as manhãs na sacada de seu quarto, em uma das torres do castelo, olhando fixamente o horizonte, para esperar o cortejo de seu tio.
Ao chegarem, era sempre uma grande alegria. Lorien abraçava o primo feliz, contudo, aquilo, pela primeira vez, não agradara seu pai.
— Lorien, tu não és mais criança para abraçar Alek desta forma. Deves comportar-te como uma moça recatada e uma verdadeira princesa.
— Mas, ele é meu amigo, papai!
— Não é mais. Ambos já não têm a mesma pureza dos tempos infantis. Estão crescidos e más línguas podem começar a espalhar comentários impróprios — repreendia-lhe. — Não quero mais vê-la tomar estas liberdades com ele.
Na verdade, toda essa precaução do Rei Klerman tinha um bom motivo por trás; ele queria casar a filha com o príncipe Elmanes, filho de um rei riquíssimo e amigo seu de longa data. Por isso, não via com bons olhos a amizade dos dois jovens, porque poderia atrapalhar seus planos.
Alek tinha linhagem real, mas não era sucessor de ninguém. Apenas era filho de seu irmão mais moço, Liberman, que por questões de lei, não herdara nada, pois Klerman, por ser o filho mais velho, detia todo o poder em suas mãos, herdando o trono do pai.
Para não deixar o irmão na miséria, cedeu a ele algumas terras no distante reino de Winterlein.
Lorien entristecia-se quando seu pai a repreendia daquela forma. A mãe de Lorien, a rainha Liana, era a única que a compreendia e a confortava, porém, por obediência ao marido, nada dizia, só que acorbetava o encontro dos dois, sem que o pai de Lorien soubesse, pois via no relacionamento deles a semente de um amor puro e verdadeiro, e como coração de mãe não se engana, isso não tardou a acontecer.
Foi num desses encontros, que Alek e Lorien deram o primeiro beijo, enquanto passeavam pelo bosque próximo do castelo. Um selo rápido, um leve toque no lábio de um e de outro, mas foi o suficiente para assustar a princesa e ela corar.
— Por que fez isso? Ai! Se meu pai souber!
— E-eu não sei! — gaguejou o rapaz também sem entender muito. — Senti vontade de repente! Sua beleza me encanta a cada dia... Não, prima! Espera!
continua...
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Malba Tahan - Lendas árabes

O LIVRO DO DESTINO
Certa vez — há muitos anos — quando voltava de Bagdá, onde fora vender uma grande partida de peles e tapetes, encontrei num caravançará, perto de damasco, um velho árabe de Hedjaz que me chamou, de certo modo, a atenção. Falava agitado com os mercadores e peregrinos, gesticulando e praguejando sem cessar; mascava constantemente uma mistura forte de fumo e haxixe, quando ouvia de um dos companheiros uma censura qualquer, exclamava, apertando entre as mãos o turbante esfarrapado:
— Mac Allah! Ó muçulmanos! Eu já fui poderoso! Eu já tive o destino nesta mão!
— É um pobre diabo — afirmavam alguns — Não regula bem do miolo! Allah que o proteja!
Eu, porém, confesso, sentia irresistível atração pelo desconhecido de turbante esfarrapado. Procurei aproximar-me dele discretamente, falei-lhe várias vezes com brandura e, ao fim de algumas horas, já lhe havia captado inteiramente a confiança.
Os caravaneiros me tomam por doido — ele me disse uma noite, quando cavaqueávamos a sós — Não querem acreditar que já tive nas mãos o destino da humanidade inteira. Sim, senhor: o destino do gênero humano.
Esbugalhei os olhos, assombrado.
Aquela afirmação insistente, de que havia sido senhor do Destino, era característica do seu pobre estado de demência.
O desconhecido, porém, que parecia não perceber os meus sustos e desconfianças, continuou:
— Segundo ensina o Alcorão — o livro de Allah — a vida de todos nós está escrita — Maktub! — no grande “Livro do Destino”. Cada homem tem lá a sua página, com tudo o que de bom ou de mau lhe vai acontecer. Todos os fatos que ocorrem na terra, desde o cair de uma folha seca até a morte de um Califa, estão escritos — estão fatalmente escritos — no “Livro do Destino”!
E sem esperar que o interrogasse, prosseguiu meneando a cabeça dolorosamente:
— Salvei das mãos do cheique Abu Dolak, depois de uma “razzia” terrível, que esse impiedoso beduíno fizera num acampamento da tribo dos Morebes, um velho feiticeiro que ia ser enforcado. Esse feiticeiro, em sinal de gratidão, deu-me um talismã raríssimo que possuía uma pedra negra, pequenina, em forma de coração, encontrada, anos antes, dentro do túmulo de um santo muçulmano. E essa pedra maravilhosa permitia a entrada livre na famosa gruta da Fatalidade, onde se acha — pela vontade de Allah — o Livro do Destino. Viajei longos anos até o alto das montanhas de Masirah, para além do deserto de Dahna, a fim de alcançar a gruta encantada. Um djim — gênio bondoso que estava de sentinela à porta — deixou-me entrar, avisando-me, porém, de que só poderia permanecer na gruta por espaço de poucos minutos. Era minha intenção alterar o que estava escrito na página de minha vida e fazer de mim um homem rico e feliz. Bastava acrescentar com a pena que eu já levava: — “ Será um homem feliz, estimado por todos; terá muita saúde e muito dinheiro!” Lembrei-me, porém, dos meus inimigos. Poderia, naquele momento, fazer grande mal a todos eles. Movido pelos mais torpes sentimentos de ódio e de vingança, abri a página de Ali Bem – Homed, o mercador. Li o que ia suceder, no desenrolar da vida, a esse meu rival e acrescentei embaixo, sem hesitar, num ímpeto de rancor: — “ Morrerá pobre, sofrendo os maiores tormentos!” Na página do cheique Zalfah el – Abari gravei, impetuoso, alterando-lhe a vida inteira: — “ Perderá todos os haveres; ficará cego e morrerá de fome e sede no deserto!” E assim, sem piedade, ia ferindo e atassalhando todos os meus desafetos!
— E na tua vida? — indaguei, mirando-o com surpresa — Que fizeste, ó caravaneiro, na página que o Destino dedicara à tua própria existência?
— AH! Meu amigo! — atalhou o desconhecido, contorcendo as mãos, desesperado — Nada fiz em meu favor. Preocupado em fazer o mal aos outros, esqueci-me de fazer o bem a mim mesmo. Semeei largamente o infortúnio e a dor, e não colhi a menor parcela de felicidade. Quando me lembrei de mim, quando pensei em tornar feliz a minha vida, estava terminado o meu tempo. Sem que eu esperasse, me surgiu pela frente um “efrite” — gênio feroz — que me agarrou fortemente e, depois de arrancar-me das mãos o talismã, me atirou fora da gruta. Caí entre as pedras e, com a violência do choque, perdi os sentidos. Quando recuperei a razão, me achei ferido e faminto, muito longe da gruta, junto a um oásis do deserto de Omã. Sem o talismã precioso, nunca mais pude descobrir o caminho da gruta encantada das montanhas de Masirah!
E concluiu, entre suspiros, com voz cada vez mais rouca e baixa:
— Perdi a única oportunidade que tive de ser rico, estimado e feliz!
Seria verdadeira essa estranha aventura?
Até hoje ignoro. O certo é que o triste caso, do velho árabe de Hedjaz, encerrava profundo ensinamento. Quantos homens há, no mundo, que, preocupados em levar o mal a seus semelhantes, se esquecem do bem que podem trazer a si próprios . . .
Fim
sábado, 2 de janeiro de 2010

Hoje estive pensando numa proposta nova... Quantos de nós, já sonhou coisas absurdas e engraçadas, que nos fazem rir de nós mesmos quando acordamos e saímos a contar pros amigos?
Então, pensei em criar um novo blog onde escreveria os sonhos mais hilários, que quase sempre tenho. Um espaço dedicado ao prazer de rir de tudo isso que vem à nossa mente quando dormimos. Só não valerá pesadelos, pois esse tipo de sonho não faz bem a ninguém...
Escrevem tanto sobre o significado dos sonhos, mas um espaço dedicado a contar os sonhos é raridade, não é mesmo? Por isso quero convidá-los a acessar meu novo blog...
"Sonhos Bizarros"
Desejo vê-los lá...
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Mensagem de Fim de Ano
Recados atualizados para você enviar no Orkut!
Malba Tahan-Um conto especial

*em comemoração ao Fim do Ano, um conto de Malba Tahan para vcs
SENHOR, EU NÃO SOU DIGNO.
Há muito tempo, em Roma, para além da Porta Nomentana, erguia-se um amontoado de míseros casebres, onde viviam centenas de escravos foragidos, comediantes arruinados, mendigos, traficantes e gladiadores estropiados, que pareciam mais ameaçadores com seus andrajos do que os arrogantes vigias do Emporium com suas pesadas lanças rebrilhantes. Aquele perigoso refúgio, raramente visitado pelos agentes de César, era apelidado a “Pequena Salária” ou melhor “ A Salária”.
Por entre as vielas sórdidas e sombrias da Salária, um dos tipos mais populares era o velho Flaminius, o Sereno. Pela manhã, muito cedo ainda, arrastando-se lentamente, deixava o seu miserável tugúrio e dirigia-se para o pátio da Semita, em busca de sol, sob as árvores ferrugentas.
Era um homem alto, magro, de faces amortecidas e olhar distraído. A sua cabeleira, inteiramente branca, sempre revolta, dava-lhe uma estranha aparên-cia de profeta gaulês. Usava, habitualmente, uma espécie de túnica palmata, a-vermelhada, suja, esfarrapada, que mal lhe chegava até os joelhos.
De que vivia? Onde ia buscar recursos aquele ancião que não esmolava na Praça do Mercado nem era visto a tirar sortes nas escadarias dos templos?
Repontava aí a sombra de um mistério, que o tempo jamais conseguiria esclarecer. Garantiam alguns que o velho Flaminius era amparado por um antigo senador, íntimo de Augusto, que ele conhecera muitos anos antes, em Nápoles, quando trabalhava no porto, carregando as galeras de Tibério.
E, na verdade, Flaminius, que agora arrastava a sua triste decrepitude na Salária, tivera, em sua vida, um período de prosperidade e alegria. Casara-se com uma camponesa da Sicília e tivera dois filhos. Um deles — Cláudio, o Belo — fizera-se poeta. Tornara-se popular na corte. As suas poesias eram declamadas pelos nobres e elogiadas pelo imperador. Até os cônsules, altivos, com prestígio entre os senadores, invejavam os triunfos do jovem Cláudio.
Flaminius orgulhava-se daquele filho, que os deuses haviam cumulado de talento.
Mas Cláudio era ambicioso. Ligou-se a um certo Marcus Lucius, político sem escrúpulos, que Tibério escolhera, no período mais agitado de seu governo, para pacificar uma província grega. Lucius partiu e levou o poeta. E, de Atenas, Cláudio jamais regressou.
O desaparecimento do filho amado navalhou o coração de Flaminius. Abandonou o trabalho em Nápoles e passou a viver em Roma, entre aventureiros da pior espécie, sem pão, sem conforto, sem esperança. Sua esposa o deixou e foi para a Espanha, com alguns parentes ricos. O filho mais moço fez-se soldado e alistou-se nas legiões de César.
E, no entanto, Flaminius, no meio de tanta desgraça, sentia-se feliz.
As palavras que ele ouvira de um oráculo do Templo de Vesta enchia o seu coração de esperanças.
Passara-se o caso num dos últimos dias de setembro, quando os fiéis traziam suas oferendas aos deuses. Cruzava Flaminius o átrio do templo, quando ouviu que o chamavam. Era um dos oráculos. Trajava uma túnica branca, muito alva, vistosamente recamada de franjas. Na manga direita, que se abria em leque, aparecia, desenhada, uma figura estranha — dragão, esfinge, serpente ou coisa parecida.
— Não te lembras de mim, Flaminius?
O ancião aproximou-se, desconfiado. Surpreendia-o, além do mais, o tom amistoso daquele profeta de olhos mortiços e rosto pálido.
— Quero recordar-te — prosseguiu o oráculo, olhando fitono velho. — Há vários anos passados (reinava o divino Augusto), em Nápoles, certa noite, socorreste um viajante que fora assaltado no porto. Graças a teu auxílio, ele conseguiu livrar-se dos sicários. Esse viajante era precisamente eu. Devo-te, portanto, a vida. Quero agora prestar-te igualmente um benefício. Vou ler o teu futuro.
Flaminius parou diante do oráculo. Cruzou os braços sobre o peito e aguardou impassível a terrível e arrebatada sentença. Curiosos que perambulavam entre as colunas aproximaram-se em silêncio.
— O teu nome será esquecido. A tua memória será apagada por completo e desaparecerá como as cinzas levadas pelo vento. Mas as palavras admiráveis de teu filho jamais serão olvidadas. Milhões e milhões de homens, no desenrolar dos séculos, repetirão por todos os recantos do mundo as palavras de teu filho! Que júbilo, que glória imensa para o teu coração de pai!
Ao retornar ao seu casebre de Salária, o velho Flaminius assim meditava:
— Vivi sempre obscuro; morrerei esquecido e obscuro. Não importa! Mas a glória perpetuará, sobre a terra, o nome de Cláudio, meu filho. Os seus versos adoráveis, que César não se cansava de repetir, serão lembrados pelos homens, no desenrolar dos séculos!
E aquele êxito do filho poeta trazia infinita alegria e tranqüilidade ao coração do velho romano.
— Que importa a pobreza em que vivo! Consola-me a certeza de que meu filho Cláudio terá por prêmio a imortalidade!
E o velho Flaminius, a quem as palavras do oráculo deram alento para resistir a todas as amarguras e vicissitudes de sua negra existência, teve um fim trágico. Ao regressar, um dia, de uma visita ao Templo de Júpiter, avistou, num recanto da praça Salutis, um soldado espancando cruelmente uma pobre menina. Revoltado com aquela covardia, tentou o ancião socorrer a pequena. O agressor, irritado com a intervenção daquele desconhecido, não exitou em atravessá-lo com uma punhalada.
Flaminius pereceu heroicamente. E no dia seguinte, um mendigo sem rumo, no seu andar bamboleante, avistou casualmente a miserável mansarda em completo abandono, na Salária. Apoderou-se dela, atirou para ali seus trapos, sem indagar do destino que levava o primitivo dono.
E assim como previra o oráculo, como a cinza que o vento espalha, apagou-se entre os homens a lembrança daquele que fora em vida Flaminius, o Sereno.
Conduzido à mansão dos justos, viu Flaminius surgir diante dele a figura radiosa de um Anjo.
— Flaminius — disse o enviado de Deus, em tom mavioso de paciência —, a tua morte gloriosa fez remir todos os erros e pecados de tua existência. Cabe-te, pois, uma recompensa no céu. Fala, meu bom amigo, e o Eterno ouvirá a tua voz.
Respondeu Flaminius na sua simplicidade:
— Nada fiz, estou certo, para merecer a menor recompensa da misericórdia de Deus. Confesso, porém, que tenho o coração torturado por uma grande angústia. Gostaria de retornar ao mundo, no fim de alguns séculos, a fim de verificar se os homens ( conforme me garantiu o oráculo) conservam, na memória, os versos de meu filho. Que indizível alegria para mim certificar-me de que meu filho, por seu gênio incomparável, se tornou imortal!
Deus, na sua infinita misericórdia, atendeu ao pedido daquele pai. E decorridos dezenove séculos, Flaminius, conduzido por um Anjo, retornou à Roma.
Por todos os recantos da terra erguiam-se cruzes. A religião que César havia desprezado, a princípio, e perseguido mais tarde, vencera, afinal, e dominava o mundo.
Flaminius, o Sereno, guiado pelo Anjo, entrou num grande Templo cristão. Milhares de fiéis achavam-se em oração; um jovem sacerdote, revestido de riquíssima paramenta, debruada com fios de ouro, junto a um belíssimo altar, adorava o verdadeiro Deus, Jesus, Nosso Senhor!
Flaminius não cabia em si de deslumbramento! Tudo ali era para ele motivo de indescritível assombro! E balbuciou muito humilde (e suas palavras só eram ouvidas pelo Anjo):
— E os versos de meu filho? Poderei ouvi-los, aqui, neste Templo, cheio de cristãos, que erguem para os céus as suas preces lamuriantes?
— Sim — confirmou o Anjo —, dentro de alguns instantes! Rejubila-te! Todos os cristãos, aqui reunidos, repetirão as palavras de teu filho!
Decorridos alguns minutos, cessaram os cânticos. Fez-se profundo silêncio. E o sacerdote, batendo no peito três vezes, suplicou cheio de humildade e confiança:
— DOMINI, NON SUM DIGNUS UT INTRES SUB TECTUM MEUM...
( Senhor, eu não sou digno de que entreis na minha casa...)
— Eis aí — acudiu o Anjo. — Acabaste de ouvir! Foram estas palavras proferidas, há muitos séculos, por teu filho, e até hoje os homens as repetem diante de Deus! Sinto dizer-te, porém, que não são versos de Cláudio, o poeta; são simples palavras proferidas por Marcelo, teu filho mais moço...
Flaminius quedou um momento perplexo e replicou, esboçando um sorriso pálido:
— Aquele que se fez soldado?
— Sim — confirmou o Anjo, num tom de absoluta confiança —, aquele que se alistou nas legiões de César! Marcelo era um homem bom e caridoso: apiedava-se dos sofrimentos alheios; socorria os pobres; consolava os aflitos. Quando servia às ordens de Herodes, tetrarca da Galiléia, um dos seus servos adoeceu com uma grave paralisia. Marcelo, que nesse tempo, fora promovido; já era centurião. E todos os homens de sua centúria o estimavam.
Inspirado pela delicadeza de sua sensibilidade, cuidou Marcelo de acudir, com desvelo, ao servo enfermo. Todos os remédios, aconselhados por amigos e vizinhos, ele experimentara, sem resultado. Alguém sugeriu:
— “ Chefe! Por que não apelas para Jesus de Nazaré? Dizem que o Rabi faz milagres!”.
Marcelo era puro de coração e, muito embora fosse romano, acreditava naquele Rabi, cheio de simplicidade e candura, que sorria para as criancinhas e curava os enfermos com o simples estender suave de suas divinas mãos.
Não se atreveu, porém, a ir procurar Jesus e pediu a alguns israelitas que fossem em busca do Mestre, de cujo amparo o infeliz servo tanto necessitava.
Jesus, Nosso Senhor, com seus discípulos, dirigia-se para Cafarnaum, quando recebeu o pedido de dois anciãos, amigos de Marcelo. E disse aos que o acompanhavam.
— Irei até lá!
Quando o centurião romano foi informado de que Jesus de Nazaré, em pessoa, se dirigia para a sua morada, levantou-se imediatamente a passos rápidos seguido de alguns ajudantes e servos e foi ter, muito respeitoso, ao encontro do Mestre. E disse-lhe, com extrema humildade:
— Senhor! Eu não sou digno de que entreis em minha morada ( Domine, non sum dignus...) Basta que digais uma só palavra e, estou certo, meu servo estará para sempre curado!
E, como Cristo o fitasse surpreendido, ajuntou:
— Porque eu, Senhor, sou militar e sei muito bem o que é obedecer e o que é mandar! Estou sujeito à autoridade de meus chefes, e tenho soldados às minhas ordens! Digo a um : — “ Vai!” E ele segue o rumo que indiquei. Digo a outro: — “ Vem cá!” E ele se aproxima de mim! Basta, pois, Senhor, uma só palavra Vossa, e meu servo será salvo.
Ouvindo isto, Jesus se admirou; e, voltando-se para o povo que o seguia, disse:
— Em verdade, em verdade vos digo que nem em Israel achei tão grande fé.
E disse ao bom centurião:
— Vai, e faça-se como tu crês!
E, naquela mesma hora, ficou curado o servo!
Que restam dos versos famosos de Cláudio, o festejado poeta? Não! Os homens não se lembram mais das odes admiráveis que César elogiava e que os comediantes mais ilustres declamavam nos festins romanos.
Mas as palavras do bom soldado são repetidas todos os dias, com profunda veneração, por milhares de lábios humildes e orgulhosos!
— E por quê?
— Porque as palavras do poeta eram despidas de sinceridade, ao passo que as palavras do soldado foram proferidas com fé!
Escuta, meu filho, as palavras ditas com fé, para a salvação de uma alma, ficarão na lembrança dos homens per omnia soecula soeculorum!
Glória a Deus! Glória a Deus no mais alto dos céus e paz, na terra, aos homens de boa vontade!
Amém!
domingo, 22 de novembro de 2009
Fim de uma longa e adorável história
foto: estátua de Julieta no jardim dos Capuletos e acima, o balcão onde, supostamente, os amantes trocaram suas juras de amor eterno.Enfim, com este capítulo, encerro Romeu e Julieta em prosa e versos. Creio que muitas vezes mais em prosa do que em versos, pois ainda me falta uma certa veia poética. Porém, escrevo esta mensagem para agradecer e compartilhar com todos a satisfação que senti ao reescrever este conto eterno e que até hoje, encanta gerações.
Foi uma experiência muito interessante e uma alegria imensa ao abrir o blog, a cada dia, e ver que o número de leitores só aumentava. Leitores não só do Brasil, mas do mundo todo.
Muitos sei que vão terminar de ler, ao mesmo tempo em que encerrei o conto, outros, ainda estão lendo e tenho certeza que muitos mais irão ainda ler. Assim, deixo registrado aqui o meu agradecimento aos leitores que me acompanharam, me acompanham e que ainda me acompanharão, e sem o incentivo de vocês, que estavam sempre presentes e me prestigiando, isto não teria sido possível. Um forte abraço a todos e espero, em breve, trazer mais histórias como essa para compartilhar com vocês, meus grandes amigos.
att:
Paula Dunguel
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- final"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- parte3"

terça-feira, 20 de outubro de 2009
Mensagem Especial: aos amigos que prestigiam este blog

Cometas e Estrelas
Há pessoas estrelas e pessoas cometas.
Cometas passam, são lembrados apenas pelas datas
em que surgem e retornam.
Muitas pessoas são como os cometas;
passam pela vida da gente sem iluminar, sem aquecer
e sem marcar presença.
O indivíduo cometa não sabe ser amigo, quando
muito, é companheiro por instantes.
Ele costuma explorar os sentimentos e aproveitar-se
das pessoas e situações.
Faz acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.
Importante é ser estrela.
Amigos, são estrelas
na vida da gente.
Pode-se contar com eles.
Os anos passam, surgem as distâncias, mas a marca
fica no coração.
É preciso criar um mundo
de estrelas.
E todos os dias poder ver sua luz
e contar com elas.
Ser estrela neste mundo passageiro, cheio de
pessoas cometas, é um desafio, mas acima de
tudo, uma recompensa.
É nascer e viver, e não apenas existir.
Autor desconhecido
*Vocês são minhas estrelas!!!!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- parte 2"

Romeu aproximou-se dos dois corpos e o primeiro a ver foi o de Teobaldo. Ele contemplou-o por uns instantes e sentiu novamente o remorso a oprimir-lhe o coração.
— Teobaldo... agora jazes em um lençol de sangue. Oh, que maior favor fazer-te posso? Do que com esta mesma mão que a tua mocidade cortou, destruir, agora, a do que foi teu inimigo? Primo perdoa-me...
Romeu permite-se chorar um pouco por Teobaldo, antes de aproximar-se de Julieta.
— Ah, querida esposa... a insígnia da beleza em teus lábios e nas faces ainda está carmesim, não tendo feito progresso o pálido pendão da morte — emociona-se ao ver o corpo tão adorado, agora inerte. Leva a mão à face de Julieta e faz-lhe uma carícia. As lágrimas correm-lhe na face. — Ó, meu amor. Querida esposa. A morte que sugou todo o mel de teu hálito poder não teve sobre tua formosura. Oh, Julieta! Por que ainda és tão formosa?
Romeu desaba de vez e abraçando-a, enterra o rosto nos cabelos negros e sedosos. Soluços de lamento ecoam pela câmara deserta.
— Permitirei eu, que esse monstro magro e horrível, a que chamamos de morte, como amante nas trevas a conserve? — continua ele. —Não, meu amor... jamais... Com medo disso, ficarei contigo, sem nunca mais deixar os aposentos da tenebrosa noite; aqui desejo permanecer, com os vermes, teus serventes! — suspira ele contendo um pouco o choro. — Aqui sim, aqui mesmo, fixar quero meu repouso eterno.
Romeu leva a mão à pequena bolsa que trazia na cintura e retira o veneno. Contempla o líquido mortal por um instante.
— Vem, condutor amargo! Vem meu guia de gosto repugnante! Olhos... vede vossa esposa mais uma vez; será a última. Braços, permiti-vos um último abraço...
Romeu abraça Julieta.
— E lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo legítimo selai este contrato.
Beija-a. O último e derradeiro beijo de despedida, antes de beber o veneno.
— Eis para meu amor...
Romeu bebe de um só gole e logo sente o líquido descer e queimar sua garganta. O gosto era horrível. Poucos instantes depois, já sofre os efeitos da peçonha. O corpo ficou trêmulo e o ar, começou a faltar-lhe e por fim, sentiu que perderia os sentidos. A Morte estava cada vez mais próxima.
— Ó, boticário veraz e honesto! Tua droga é rápida... Julieta...
Romeu beija-lhe as mãos e cai sobre a amada. O coração dele deu um salto e parou, seus olhos escureceram e sua vida o deixara.
Na mesma hora, Frei Lourenço chegava no cemitério. Vinha munido de lanterna, alavanca e uma pá.
— São Francisco me ajude! Quantas vezes esta noite, meus pés enfraquecidos tropeçaram em túmulos? — reclamava ele.
— Oh, Frei Lourenço! — uma voz o chama.
O frade se assusta.
— Ai Jesus!!! O que...
— Sou eu frei, Baltazar!
— Baltazar?! Oh, Deus do céu, não me assuste assim! Mas o que faz aqui?
— Vim com Romeu.
— Romeu?! Mas como... — o frade se espanta
— Oh, Frei Lourenço! Que bom vê-lo! Convença o louco a sair de lá!
— De lá onde?
— Do túmulo dos Capuletos. Ficou tão desvairado com a morte da esposa, que temo que esteja disposto a fazer algo muito ruim.
— Ai, não! Há quanto tempo ele está lá?
— Há cerca de meia hora.
— Santo Deus! Já começo a sentir medo! Receio algum caso desastrado! Vem comigo até o túmulo.
— Não ouso, senhor! Ele soprou-me ameaças sem conta, caso o interrompesse! Ameaçou-me até de morte!
— Então irei só. Oh, Romeu, não faça nada precipitado!
Frei Lourenço entra no túmulo e depara-se com o primeiro corpo. Ao sentir que tropeçara em algo, aproxima a lanterna e descobre o Conde Páris assassinado, trespassado por uma espada.
— Eu não acredito! É o Conde Páris!!!
O frade ficou sem ação, não esperava que o acontecimento fosse trazer desgraça de tamanha proporção.
— Oh, dor! Romeu!!! — chama-o desesperado. — Você está aí, Romeu? É Frei Lourenço quem chama! Olá!!!
Frei Lourenço entra na câmara funesta e depara-se com Romeu debruçado sobre Julieta, como se chorasse...
— Oh, meu filho... que bom que...
O religioso engole as palavras; Romeu parecia imóvel demais para alguém que estivesse em prantos.
— Oh, não! Romeu fale comigo! — o frade se desespera.
Frei Lourenço tenta reanimá-lo, mas em vão.
— Está morto!!!! Jesus, Maria e José! Julieta irá acordar a qualquer instante...
continua...
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor - parte1"

