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Pelo mundo

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Faz mais de um ano que não escrevo nada nos meus blogs e nesse período, aconteceram muitas coisas desagradáveis, que me desestimularam, em muito, a vontade de continuar escrevendo. Numa das minhas últimas postagens relatei, animada, a recuperação da minha mãe de seu câncer. Minha querida mãezinha trilhou o seu Calvário e infelizmente, a doença foi mais forte e a venceu, vindo ela a falecer final de outubro do ano passado (29/10/12). Já vai fazer um ano que não tenho mais sua presença física para me apoiar e ajudar. Sinto muito a falta dela e pra mim, parece que foi ontem que ela faleceu, eu e ela éramos muito ligadas. A dor da perda persiste até hoje. Pra completar, também estou doente, não do mesmo mal de minha mãe, mas fiquei diabética. Descobri há pouco tempo e seguirei a vida com muitas restrições alimentares, de hoje em diante, e pra quem amava um docinho, como eu, terei que me adaptar a minha nova condição de vida.
O que ilumina a minha vida é os afazeres da maternidade, o sorriso e o carinho da minha filha Clarissa, hoje com 1 aninho e 8 meses. Afazeres estes, que me afastaram um pouco do mundo virtual, levando-me até a um esquecimento, desaprendendo a mexer no computador e escrever nos blogs (apanhei pra escrever este pequeno texto). Enfim, depois de quase dois anos ausente, achei que era hora de dar um sinal de vida aos leitores e notícias do que estou passando no momento. Ainda sem previsão de volta, infelizmente, despeço-me e confesso que sinto saudades de todos, mas a minha inspiração, atualmente, anda meio abalada e a cabeça não tem funcionado pra ter novas ideias. Espero que todos compreendam e envio um recado a todas as mulheres que me leêm, aproveitando o outubro rosa, que simboliza a luta contra o câncer de mama: não deixem de fazer seus exames preventivos. O câncer de mama descoberto bem precoce, tem muitas chances de ser curado. Talvez, se minha mãe tivesse se cuidado e descoberto cedo, ela estaria comigo até hoje.

domingo, 11 de setembro de 2011

Boas notícias


A coisa de um ano atrás, parei de editar no blog, porque a saúde da minha mãe estava comprometida. Volto agora, com toda alegria do mundo, pra dizer a todos que mamãe se recuperou bem e está quase curada. Os médicos estão muito animados com a resposta positiva de minha mãe aos tratamentos. Passada essa etapa difícil, começo a enfrentar uma nova etapa, com notícias mais alegres. Fui muito abençoada, estou me preparando para ser mãe. Rezo todos os dias a Deus para que meu bebê venha com saúde, para que assim, ele seja um grande presente de Deus à minha mãe, que está feliz por ser vovó. E eu, estou realizando o meu maior sonho. Vi-me na obrigação de dar-lhes satisfações depois de tanta ausência e espero, em breve, conseguir voltar à ativa e trazer mais histórias inesquecíveis pra vocês! Hasta la vista!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Um papo rapidinho Vapt-Vupt!


Eu fico muito feliz, quando pessoas bem intencionadas comentam nas postagens. Pelos comentários, o autor se guia pela opinião do público e procura manter a linha, ou melhorar para agradar cada vez mais. Considero um contato muito importante. Pena que é raro quando comentam, mas toda vez que eu abro os meus blogs, a primeira coisa que eu faço é ver se tem algum comentário para ser publicado e qual não é minha alegria, quando um amigo deixa um recado? Seria muito bom se nós estreitássemos os laços de amizade...
Mamãe está fazendo quimioterapia e está passando bem, graças a Deus. Peço a todos que rezem muito por ela e por mim também.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Bordoadas da vida


Meus amigos tão queridos, que sempre encontram um tempinho para visitar-me nos blogs, devo dizer a vocês e pedir desculpas por uma ausência forçada, cuja vida, no momento me impõe. Minha mãe encontra-se má de saúde, problema que, infelizmente, apareceu em sua mama e que nem gosto de falar o nome. Acredito até, que por ser uma palavra tão maldita e que já nos sentencia à morte, quando muitos a ouvem, vocês já devem ter uma idéia do que possa ser. Com isso, as idéias e a animação de escrever pra vocês, está meio que, se esvaindo. Agora só consigo pensar em minha mãe e em como fazer para ajudar ou, se Deus permitir, curar o seu mal. Terei que ausentar-me por um tempo, até essa tempestade passar. No mais, agradeço a todos que me seguem e que me acompanharam até agora e espero, muito em breve, conseguir voltar à companhia de vocês e deixo o meu apelo às amigas que me acompanham: Não deixem de se cuidar. Vão ao ginecologista regularmente e façam a prevenção anual.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma pequena travessura!


Taí uma coisa que sempre pensei em escrever, mas faltava-me coragem...
*Pensava em nunca ser capaz de criar novos contos-de-fada, que fossem tão inesquecíveis quanto as histórias de nossa infância como, Branca de Neve, A Bela Adormecida, Cinderella, etc.
*Medo de não captar a alma deste tipo de história.
Para mim está sendo um desafio, mas resolvi arriscar, afinal, a vida é feita de desafios. Por isso ela é fascinante! Espero, com esta nova história, cuja experiência será nova para mim, cativar a todos e quem sabe, outras poderão vir depois...

Novo Conto: categoria * contos de fada


Era uma vez...

A Maldição do Dragão

Existia no distante reino de Lasperlein, um rei muito poderoso e ganancioso, que possuía uma filha linda como o amanhecer. Desde criança, muitos nobres queriam oferecer seus filhos, prometendo-os para futuro enlace. O nome da princesa era Lorien.

Ela era a alegria do castelo, com seus risos infantis ecoando pelos corredores. Todos os súditos comentavam: — Se já é linda agora, imagina quando crescer?! — comentavam suas amas e criados.

Lorien tinha um primo chegado, o qual era seu companheiro de folguedos. Ambos brincavam juntos e era a única criança cujo seu pai permitia com que brincasse, durante a primavera e o verão.

O rei era muito arrogante, ambicioso, egoísta e vivia distante da menina, incapaz de lhe fazer qualquer afago. Não dava o devido valor que a princesa merecia. Só queria saber de sair para guerras e invadir territórios alheios e quando ele se deu conta, a filha já havia crescido e se tornado uma jovenzinha de rara beleza. Cabelos longos e negros, pele alva como o marfim e olhos de um tom azul bem vívido, como o brilho celeste.

Seu primo também crescera e se tornou um simpático e belo mancebo, de maneiras corteses. Cabelos acobreados e reluzentes, olhos esverdeados em tom semelhante ao ocre, corpo bem formado e robusto.

Lorien sempre esperava ansiosa o início da primavera, porque era a época que seu tio Liberman, vinha de suas terras distantes, lá pros lados de Winterlein, trazendo toda a família consigo. Vinha visitá-los e passar as estações mais quentes, em companhia de seu irmão, o Rei Klerman, pai de Lorien. Ela estava agora com 17 anos, a mesma idade do primo. Alek era como o rapaz se chamava e quando começava a despontar as primeiras flores, Lorien ficava todas as manhãs na sacada de seu quarto, em uma das torres do castelo, olhando fixamente o horizonte, para esperar o cortejo de seu tio.

Ao chegarem, era sempre uma grande alegria. Lorien abraçava o primo feliz, contudo, aquilo, pela primeira vez, não agradara seu pai.

— Lorien, tu não és mais criança para abraçar Alek desta forma. Deves comportar-te como uma moça recatada e uma verdadeira princesa.

— Mas, ele é meu amigo, papai!

— Não é mais. Ambos já não têm a mesma pureza dos tempos infantis. Estão crescidos e más línguas podem começar a espalhar comentários impróprios — repreendia-lhe. — Não quero mais vê-la tomar estas liberdades com ele.

Na verdade, toda essa precaução do Rei Klerman tinha um bom motivo por trás; ele queria casar a filha com o príncipe Elmanes, filho de um rei riquíssimo e amigo seu de longa data. Por isso, não via com bons olhos a amizade dos dois jovens, porque poderia atrapalhar seus planos.

Alek tinha linhagem real, mas não era sucessor de ninguém. Apenas era filho de seu irmão mais moço, Liberman, que por questões de lei, não herdara nada, pois Klerman, por ser o filho mais velho, detia todo o poder em suas mãos, herdando o trono do pai.

Para não deixar o irmão na miséria, cedeu a ele algumas terras no distante reino de Winterlein.

Lorien entristecia-se quando seu pai a repreendia daquela forma. A mãe de Lorien, a rainha Liana, era a única que a compreendia e a confortava, porém, por obediência ao marido, nada dizia, só que acorbetava o encontro dos dois, sem que o pai de Lorien soubesse, pois via no relacionamento deles a semente de um amor puro e verdadeiro, e como coração de mãe não se engana, isso não tardou a acontecer.

Foi num desses encontros, que Alek e Lorien deram o primeiro beijo, enquanto passeavam pelo bosque próximo do castelo. Um selo rápido, um leve toque no lábio de um e de outro, mas foi o suficiente para assustar a princesa e ela corar.

— Por que fez isso? Ai! Se meu pai souber!

— E-eu não sei! — gaguejou o rapaz também sem entender muito. — Senti vontade de repente! Sua beleza me encanta a cada dia... Não, prima! Espera!

continua...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Malba Tahan - Lendas árabes


O LIVRO DO DESTINO

Certa vez — há muitos anos — quando voltava de Bagdá, onde fora vender uma grande partida de peles e tapetes, encontrei num caravançará, perto de damasco, um velho árabe de Hedjaz que me chamou, de certo modo, a atenção. Falava agitado com os mercadores e peregrinos, gesticulando e praguejando sem cessar; mascava constantemente uma mistura forte de fumo e haxixe, quando ouvia de um dos companheiros uma censura qualquer, exclamava, apertando entre as mãos o turbante esfarrapado:

— Mac Allah! Ó muçulmanos! Eu já fui poderoso! Eu já tive o destino nesta mão!

— É um pobre diabo — afirmavam alguns — Não regula bem do miolo! Allah que o proteja!

Eu, porém, confesso, sentia irresistível atração pelo desconhecido de turbante esfarrapado. Procurei aproximar-me dele discretamente, falei-lhe várias vezes com brandura e, ao fim de algumas horas, já lhe havia captado inteiramente a confiança.

Os caravaneiros me tomam por doido — ele me disse uma noite, quando cavaqueávamos a sós — Não querem acreditar que já tive nas mãos o destino da humanidade inteira. Sim, senhor: o destino do gênero humano.

Esbugalhei os olhos, assombrado.

Aquela afirmação insistente, de que havia sido senhor do Destino, era característica do seu pobre estado de demência.

O desconhecido, porém, que parecia não perceber os meus sustos e desconfianças, continuou:

— Segundo ensina o Alcorão — o livro de Allah — a vida de todos nós está escrita — Maktub! — no grande “Livro do Destino”. Cada homem tem lá a sua página, com tudo o que de bom ou de mau lhe vai acontecer. Todos os fatos que ocorrem na terra, desde o cair de uma folha seca até a morte de um Califa, estão escritos — estão fatalmente escritos — no “Livro do Destino”!

E sem esperar que o interrogasse, prosseguiu meneando a cabeça dolorosamente:

— Salvei das mãos do cheique Abu Dolak, depois de uma “razzia” terrível, que esse impiedoso beduíno fizera num acampamento da tribo dos Morebes, um velho feiticeiro que ia ser enforcado. Esse feiticeiro, em sinal de gratidão, deu-me um talismã raríssimo que possuía uma pedra negra, pequenina, em forma de coração, encontrada, anos antes, dentro do túmulo de um santo muçulmano. E essa pedra maravilhosa permitia a entrada livre na famosa gruta da Fatalidade, onde se acha — pela vontade de Allah — o Livro do Destino. Viajei longos anos até o alto das montanhas de Masirah, para além do deserto de Dahna, a fim de alcançar a gruta encantada. Um djim — gênio bondoso que estava de sentinela à porta — deixou-me entrar, avisando-me, porém, de que só poderia permanecer na gruta por espaço de poucos minutos. Era minha intenção alterar o que estava escrito na página de minha vida e fazer de mim um homem rico e feliz. Bastava acrescentar com a pena que eu já levava: — “ Será um homem feliz, estimado por todos; terá muita saúde e muito dinheiro!” Lembrei-me, porém, dos meus inimigos. Poderia, naquele momento, fazer grande mal a todos eles. Movido pelos mais torpes sentimentos de ódio e de vingança, abri a página de Ali Bem – Homed, o mercador. Li o que ia suceder, no desenrolar da vida, a esse meu rival e acrescentei embaixo, sem hesitar, num ímpeto de rancor: — “ Morrerá pobre, sofrendo os maiores tormentos!” Na página do cheique Zalfah el – Abari gravei, impetuoso, alterando-lhe a vida inteira: — “ Perderá todos os haveres; ficará cego e morrerá de fome e sede no deserto!” E assim, sem piedade, ia ferindo e atassalhando todos os meus desafetos!

— E na tua vida? — indaguei, mirando-o com surpresa — Que fizeste, ó caravaneiro, na página que o Destino dedicara à tua própria existência?

— AH! Meu amigo! — atalhou o desconhecido, contorcendo as mãos, desesperado — Nada fiz em meu favor. Preocupado em fazer o mal aos outros, esqueci-me de fazer o bem a mim mesmo. Semeei largamente o infortúnio e a dor, e não colhi a menor parcela de felicidade. Quando me lembrei de mim, quando pensei em tornar feliz a minha vida, estava terminado o meu tempo. Sem que eu esperasse, me surgiu pela frente um “efrite” — gênio feroz — que me agarrou fortemente e, depois de arrancar-me das mãos o talismã, me atirou fora da gruta. Caí entre as pedras e, com a violência do choque, perdi os sentidos. Quando recuperei a razão, me achei ferido e faminto, muito longe da gruta, junto a um oásis do deserto de Omã. Sem o talismã precioso, nunca mais pude descobrir o caminho da gruta encantada das montanhas de Masirah!

E concluiu, entre suspiros, com voz cada vez mais rouca e baixa:

— Perdi a única oportunidade que tive de ser rico, estimado e feliz!

Seria verdadeira essa estranha aventura?

Até hoje ignoro. O certo é que o triste caso, do velho árabe de Hedjaz, encerrava profundo ensinamento. Quantos homens há, no mundo, que, preocupados em levar o mal a seus semelhantes, se esquecem do bem que podem trazer a si próprios . . .


Fim

sábado, 2 de janeiro de 2010


Hoje estive pensando numa proposta nova... Quantos de nós, já sonhou coisas absurdas e engraçadas, que nos fazem rir de nós mesmos quando acordamos e saímos a contar pros amigos?
Então, pensei em criar um novo blog onde escreveria os sonhos mais hilários, que quase sempre tenho. Um espaço dedicado ao prazer de rir de tudo isso que vem à nossa mente quando dormimos. Só não valerá pesadelos, pois esse tipo de sonho não faz bem a ninguém...
Escrevem tanto sobre o significado dos sonhos, mas um espaço dedicado a contar os sonhos é raridade, não é mesmo? Por isso quero convidá-los a acessar meu novo blog...
"Sonhos Bizarros"
Desejo vê-los lá...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Feliz Natal, Merry Christmas!!!!

Que Deus Abençoe a todos

Mensagem de Fim de Ano

Minha vida deu um giro de 180 graus. Emprego novo, casa nova... Estou novamente em fase de mudança e ficarei um tempo sem internet, até instalá-la de novo. Mas espero que a ausência seja breve e logo possa voltar a postar para vocês e que no próximo ano, eu consiga trazer muitas novidades. Obrigado pelo ano que passei em companhia de todos. Fiz boas amizades, entre elas: Ártemis Kamakura e ReNaTa que seguem este blog. E para todos os amigos, seguidores ou não, desejo:


Boas Festas


Recados atualizados para você enviar no Orkut!

Malba Tahan-Um conto especial


*em comemoração ao Fim do Ano, um conto de Malba Tahan para vcs

SENHOR, EU NÃO SOU DIGNO.

Há muito tempo, em Roma, para além da Porta Nomentana, erguia-se um amontoado de míseros casebres, onde viviam centenas de escravos foragidos, comediantes arruinados, mendigos, traficantes e gladiadores estropiados, que pareciam mais ameaçadores com seus andrajos do que os arrogantes vigias do Emporium com suas pesadas lanças rebrilhantes. Aquele perigoso refúgio, raramente visitado pelos agentes de César, era apelidado a “Pequena Salária” ou melhor “ A Salária”.

Por entre as vielas sórdidas e sombrias da Salária, um dos tipos mais populares era o velho Flaminius, o Sereno. Pela manhã, muito cedo ainda, arrastando-se lentamente, deixava o seu miserável tugúrio e dirigia-se para o pátio da Semita, em busca de sol, sob as árvores ferrugentas.

Era um homem alto, magro, de faces amortecidas e olhar distraído. A sua cabeleira, inteiramente branca, sempre revolta, dava-lhe uma estranha aparên-cia de profeta gaulês. Usava, habitualmente, uma espécie de túnica palmata, a-vermelhada, suja, esfarrapada, que mal lhe chegava até os joelhos.

De que vivia? Onde ia buscar recursos aquele ancião que não esmolava na Praça do Mercado nem era visto a tirar sortes nas escadarias dos templos?

Repontava aí a sombra de um mistério, que o tempo jamais conseguiria esclarecer. Garantiam alguns que o velho Flaminius era amparado por um antigo senador, íntimo de Augusto, que ele conhecera muitos anos antes, em Nápoles, quando trabalhava no porto, carregando as galeras de Tibério.

E, na verdade, Flaminius, que agora arrastava a sua triste decrepitude na Salária, tivera, em sua vida, um período de prosperidade e alegria. Casara-se com uma camponesa da Sicília e tivera dois filhos. Um deles — Cláudio, o Belo — fizera-se poeta. Tornara-se popular na corte. As suas poesias eram declamadas pelos nobres e elogiadas pelo imperador. Até os cônsules, altivos, com prestígio entre os senadores, invejavam os triunfos do jovem Cláudio.

Flaminius orgulhava-se daquele filho, que os deuses haviam cumulado de talento.

Mas Cláudio era ambicioso. Ligou-se a um certo Marcus Lucius, político sem escrúpulos, que Tibério escolhera, no período mais agitado de seu governo, para pacificar uma província grega. Lucius partiu e levou o poeta. E, de Atenas, Cláudio jamais regressou.

O desaparecimento do filho amado navalhou o coração de Flaminius. Abandonou o trabalho em Nápoles e passou a viver em Roma, entre aventureiros da pior espécie, sem pão, sem conforto, sem esperança. Sua esposa o deixou e foi para a Espanha, com alguns parentes ricos. O filho mais moço fez-se soldado e alistou-se nas legiões de César.

E, no entanto, Flaminius, no meio de tanta desgraça, sentia-se feliz.

As palavras que ele ouvira de um oráculo do Templo de Vesta enchia o seu coração de esperanças.

Passara-se o caso num dos últimos dias de setembro, quando os fiéis traziam suas oferendas aos deuses. Cruzava Flaminius o átrio do templo, quando ouviu que o chamavam. Era um dos oráculos. Trajava uma túnica branca, muito alva, vistosamente recamada de franjas. Na manga direita, que se abria em leque, aparecia, desenhada, uma figura estranha — dragão, esfinge, serpente ou coisa parecida.

— Não te lembras de mim, Flaminius?

O ancião aproximou-se, desconfiado. Surpreendia-o, além do mais, o tom amistoso daquele profeta de olhos mortiços e rosto pálido.

— Quero recordar-te — prosseguiu o oráculo, olhando fitono velho. — Há vários anos passados (reinava o divino Augusto), em Nápoles, certa noite, socorreste um viajante que fora assaltado no porto. Graças a teu auxílio, ele conseguiu livrar-se dos sicários. Esse viajante era precisamente eu. Devo-te, portanto, a vida. Quero agora prestar-te igualmente um benefício. Vou ler o teu futuro.

Flaminius parou diante do oráculo. Cruzou os braços sobre o peito e aguardou impassível a terrível e arrebatada sentença. Curiosos que perambulavam entre as colunas aproximaram-se em silêncio.

— O teu nome será esquecido. A tua memória será apagada por completo e desaparecerá como as cinzas levadas pelo vento. Mas as palavras admiráveis de teu filho jamais serão olvidadas. Milhões e milhões de homens, no desenrolar dos séculos, repetirão por todos os recantos do mundo as palavras de teu filho! Que júbilo, que glória imensa para o teu coração de pai!

Ao retornar ao seu casebre de Salária, o velho Flaminius assim meditava:

— Vivi sempre obscuro; morrerei esquecido e obscuro. Não importa! Mas a glória perpetuará, sobre a terra, o nome de Cláudio, meu filho. Os seus versos adoráveis, que César não se cansava de repetir, serão lembrados pelos homens, no desenrolar dos séculos!

E aquele êxito do filho poeta trazia infinita alegria e tranqüilidade ao coração do velho romano.

— Que importa a pobreza em que vivo! Consola-me a certeza de que meu filho Cláudio terá por prêmio a imortalidade!

E o velho Flaminius, a quem as palavras do oráculo deram alento para resistir a todas as amarguras e vicissitudes de sua negra existência, teve um fim trágico. Ao regressar, um dia, de uma visita ao Templo de Júpiter, avistou, num recanto da praça Salutis, um soldado espancando cruelmente uma pobre menina. Revoltado com aquela covardia, tentou o ancião socorrer a pequena. O agressor, irritado com a intervenção daquele desconhecido, não exitou em atravessá-lo com uma punhalada.

Flaminius pereceu heroicamente. E no dia seguinte, um mendigo sem rumo, no seu andar bamboleante, avistou casualmente a miserável mansarda em completo abandono, na Salária. Apoderou-se dela, atirou para ali seus trapos, sem indagar do destino que levava o primitivo dono.

E assim como previra o oráculo, como a cinza que o vento espalha, apagou-se entre os homens a lembrança daquele que fora em vida Flaminius, o Sereno.

Conduzido à mansão dos justos, viu Flaminius surgir diante dele a figura radiosa de um Anjo.

— Flaminius — disse o enviado de Deus, em tom mavioso de paciência —, a tua morte gloriosa fez remir todos os erros e pecados de tua existência. Cabe-te, pois, uma recompensa no céu. Fala, meu bom amigo, e o Eterno ouvirá a tua voz.

Respondeu Flaminius na sua simplicidade:

— Nada fiz, estou certo, para merecer a menor recompensa da misericórdia de Deus. Confesso, porém, que tenho o coração torturado por uma grande angústia. Gostaria de retornar ao mundo, no fim de alguns séculos, a fim de verificar se os homens ( conforme me garantiu o oráculo) conservam, na memória, os versos de meu filho. Que indizível alegria para mim certificar-me de que meu filho, por seu gênio incomparável, se tornou imortal!

Deus, na sua infinita misericórdia, atendeu ao pedido daquele pai. E decorridos dezenove séculos, Flaminius, conduzido por um Anjo, retornou à Roma.

Por todos os recantos da terra erguiam-se cruzes. A religião que César havia desprezado, a princípio, e perseguido mais tarde, vencera, afinal, e dominava o mundo.

Flaminius, o Sereno, guiado pelo Anjo, entrou num grande Templo cristão. Milhares de fiéis achavam-se em oração; um jovem sacerdote, revestido de riquíssima paramenta, debruada com fios de ouro, junto a um belíssimo altar, adorava o verdadeiro Deus, Jesus, Nosso Senhor!

Flaminius não cabia em si de deslumbramento! Tudo ali era para ele motivo de indescritível assombro! E balbuciou muito humilde (e suas palavras só eram ouvidas pelo Anjo):

— E os versos de meu filho? Poderei ouvi-los, aqui, neste Templo, cheio de cristãos, que erguem para os céus as suas preces lamuriantes?

— Sim — confirmou o Anjo —, dentro de alguns instantes! Rejubila-te! Todos os cristãos, aqui reunidos, repetirão as palavras de teu filho!

Decorridos alguns minutos, cessaram os cânticos. Fez-se profundo silêncio. E o sacerdote, batendo no peito três vezes, suplicou cheio de humildade e confiança:

— DOMINI, NON SUM DIGNUS UT INTRES SUB TECTUM MEUM...

( Senhor, eu não sou digno de que entreis na minha casa...)

— Eis aí — acudiu o Anjo. — Acabaste de ouvir! Foram estas palavras proferidas, há muitos séculos, por teu filho, e até hoje os homens as repetem diante de Deus! Sinto dizer-te, porém, que não são versos de Cláudio, o poeta; são simples palavras proferidas por Marcelo, teu filho mais moço...

Flaminius quedou um momento perplexo e replicou, esboçando um sorriso pálido:

— Aquele que se fez soldado?

— Sim — confirmou o Anjo, num tom de absoluta confiança —, aquele que se alistou nas legiões de César! Marcelo era um homem bom e caridoso: apiedava-se dos sofrimentos alheios; socorria os pobres; consolava os aflitos. Quando servia às ordens de Herodes, tetrarca da Galiléia, um dos seus servos adoeceu com uma grave paralisia. Marcelo, que nesse tempo, fora promovido; já era centurião. E todos os homens de sua centúria o estimavam.

Inspirado pela delicadeza de sua sensibilidade, cuidou Marcelo de acudir, com desvelo, ao servo enfermo. Todos os remédios, aconselhados por amigos e vizinhos, ele experimentara, sem resultado. Alguém sugeriu:

— “ Chefe! Por que não apelas para Jesus de Nazaré? Dizem que o Rabi faz milagres!”.

Marcelo era puro de coração e, muito embora fosse romano, acreditava naquele Rabi, cheio de simplicidade e candura, que sorria para as criancinhas e curava os enfermos com o simples estender suave de suas divinas mãos.

Não se atreveu, porém, a ir procurar Jesus e pediu a alguns israelitas que fossem em busca do Mestre, de cujo amparo o infeliz servo tanto necessitava.

Jesus, Nosso Senhor, com seus discípulos, dirigia-se para Cafarnaum, quando recebeu o pedido de dois anciãos, amigos de Marcelo. E disse aos que o acompanhavam.

— Irei até lá!

Quando o centurião romano foi informado de que Jesus de Nazaré, em pessoa, se dirigia para a sua morada, levantou-se imediatamente a passos rápidos seguido de alguns ajudantes e servos e foi ter, muito respeitoso, ao encontro do Mestre. E disse-lhe, com extrema humildade:

— Senhor! Eu não sou digno de que entreis em minha morada ( Domine, non sum dignus...) Basta que digais uma só palavra e, estou certo, meu servo estará para sempre curado!

E, como Cristo o fitasse surpreendido, ajuntou:

— Porque eu, Senhor, sou militar e sei muito bem o que é obedecer e o que é mandar! Estou sujeito à autoridade de meus chefes, e tenho soldados às minhas ordens! Digo a um : — “ Vai!” E ele segue o rumo que indiquei. Digo a outro: — “ Vem cá!” E ele se aproxima de mim! Basta, pois, Senhor, uma só palavra Vossa, e meu servo será salvo.

Ouvindo isto, Jesus se admirou; e, voltando-se para o povo que o seguia, disse:

— Em verdade, em verdade vos digo que nem em Israel achei tão grande fé.

E disse ao bom centurião:

— Vai, e faça-se como tu crês!

E, naquela mesma hora, ficou curado o servo!

Que restam dos versos famosos de Cláudio, o festejado poeta? Não! Os homens não se lembram mais das odes admiráveis que César elogiava e que os comediantes mais ilustres declamavam nos festins romanos.

Mas as palavras do bom soldado são repetidas todos os dias, com profunda veneração, por milhares de lábios humildes e orgulhosos!

— E por quê?

— Porque as palavras do poeta eram despidas de sinceridade, ao passo que as palavras do soldado foram proferidas com fé!

Escuta, meu filho, as palavras ditas com fé, para a salvação de uma alma, ficarão na lembrança dos homens per omnia soecula soeculorum!

Glória a Deus! Glória a Deus no mais alto dos céus e paz, na terra, aos homens de boa vontade!

Amém!

domingo, 22 de novembro de 2009

Fim de uma longa e adorável história

foto: estátua de Julieta no jardim dos Capuletos e acima, o balcão onde, supostamente, os amantes trocaram suas juras de amor eterno.

Enfim, com este capítulo, encerro Romeu e Julieta em prosa e versos. Creio que muitas vezes mais em prosa do que em versos, pois ainda me falta uma certa veia poética. Porém, escrevo esta mensagem para agradecer e compartilhar com todos a satisfação que senti ao reescrever este conto eterno e que até hoje, encanta gerações.
Foi uma experiência muito interessante e uma alegria imensa ao abrir o blog, a cada dia, e ver que o número de leitores só aumentava. Leitores não só do Brasil, mas do mundo todo.
Muitos sei que vão terminar de ler, ao mesmo tempo em que encerrei o conto, outros, ainda estão lendo e tenho certeza que muitos mais irão ainda ler. Assim, deixo registrado aqui o meu agradecimento aos leitores que me acompanharam, me acompanham e que ainda me acompanharão, e sem o incentivo de vocês, que estavam sempre presentes e me prestigiando, isto não teria sido possível. Um forte abraço a todos e espero, em breve, trazer mais histórias como essa para compartilhar com vocês, meus grandes amigos.
att:
Paula Dunguel

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- final"


Em cidade pequena, as notícias voam, e em Verona não foi diferente, logo, uma multidão de curiosos acorreram ao cemitério, e se empurravam e se acotovelavam, para conseguir um lugar de melhor visão, para saber o que tinha acontecido de tão grave. O dia já havia amanhecido há pouco.
Os Capuletos e os Montecchios já haviam sido comunicados e se dirigiam para lá. O primeiro a chegar foi o príncipe Escalo, regente de Verona.
— Que horror é este que nos fere a vista? — assusta-se o regente da cidade.
Os cadáveres estavam expostos à porta do mausoléu.
— Príncipe, aqui está morto o Conde Páris, Romeu e a que antes falecera, Julieta, e outra vez morta — explica-lhe um dos guardas.
— Por Deus! Como se deu este horroroso morticínio? — exclama o regente horrorizado e inconformado por perder mais um parente, o seu sobrinho.
Nessa hora, enquanto lamentava-se pela perda, chegaram os Capuletos e logo depois os Montecchios.
— Por que estes gritos por toda parte? Que houve? — pergunta o Senhor Capuleto.
— Pelas praças, o nome de Romeu, o povo grita; outros, o de Julieta; outros, o de Páris, correndo toda a gente para o lado do nosso monumento — fala Bettina confusa.
O Senhor Capuleto estaca e não crê no que vê.
— Ò Céus, mulher! Vê nossa filha: sangra! Um punhal em seu peito... Que se passa?!
— Ai de mim! — Bettina cai com os joelhos em terra e desespera-se. — Esse quadro só de mortes é como um toque fúnebre que me chama à sepultura!
Chegam o Senhor Montecchio acompanhado de outros parentes.
— Ah! Chegaste Montecchio? — desdenha o príncipe de Verona. —Vem cá, homem; cedo te levantas, para mais cedo ver baixar teu filho.
— Oh, meu senhor! Que mais conspira contra minha idade? Minha senhora, doente se acha, por saber que o amado filho estava exilado e agora, isso? Oh, Deus! Será morte certa para Chiara, saber tamanha desgraça!
— Eis o resultado de tanto ódio — afirma Escalo.
—Oh, néscio! Néscio! Que costume é este de antes do pai, entrar na sepultura? — lastima-se o velho Montecchio.
— Sela a boca de ultraje por um pouco, até que este mistério esclareçamos e fiquemos sabendo sua origem e verdadeiro curso. Apresentai-nos os suspeitos — ordena o príncipe.
Um guarda aproxima-se com Frei Lourenço e Baltazar.
— Aqui está um frade e também o criado de Romeu; instrumentos carregavam para arrombar o túmulo.
— Dos presentes, sou eu o mais suspeito, muito embora seja o que menos pode fazer algo, visto acusarem-me o lugar e a hora. Eis-me a acusar-me, a um tempo, e a defender-me, num só momento condenado e absolto.
— Então dizes logo o que sobre isto sabes — ordena Escalo.
— Serei breve... Romeu, aqui sem vida, era marido desta Julieta, assim como ela, era a fiel consorte deste Romeu.
— O quê?! — exclama a mãe de Julieta, não acreditando em tamanha asneira sem sentido. — Isto é mentira! Nunca ouvi tamanho absurdo como esse...
— Cala-te, mulher! Deixai que o padre continue a história! — grita o príncipe.
Um burburinho imenso foi ouvido no meio da multidão e Escalo teve que controlar a inquietação crescente, para que o frade continuasse.
— Fui eu que os desposei. Estas núpcias clandestinas deram-se na manhã do dia em que Teobaldo perdeu a vida, cuja morte baniu de nosso burgo o recente marido. Era por causa dele e não por Teobaldo, que Julieta se vinha definhando. Mas vós... — acusa os pais de Julieta — ... com o fito de expulsar-lhe do peito essa tristeza, ao conde a prometestes, tencionando casá-la a contra-gosto. A coitada, então, procurou-me desvairada e pediu-me que inventasse qualquer recurso que a livrasse desse segundo casamento, ou então lá mesmo, em minha cela, armada com um punhal, poria termo à vida. Dei-lhe então um estupefaciente que sobre ela o efeito produziu a aparência da morte. A Romeu escrevi nesse entrementes, para que ele aqui viesse nesta noite de horrores, ajudar-me a retirá-la de seu falso sepulcro, pois o efeito da droga nessa hora cessaria. Mas a pessoa que levou a carta, detida foi por acidente e Romeu não a recebeu. Então, sozinho, na hora prefixada para ela despertar, vim retirá-la do túmulo dos seus, para escondê-la na minha pobre cela, até chamar Romeu outra vez. Aqui chegando, porém, encontrei mortos o conde e o fiel Romeu. Nisso, Julieta despertou. Roguei-lhe que fugisse e que aceitasse com paciência o que o céu lhe destinara. Um barulho me afastou de Julieta, sem que, em seu desespero, ela comigo se retirasse, tendo ao que parece, posto termo à existência. A Ama estava à par do casamento, assim como o bom criado de Romeu, Baltazar. Se algo nisso falhou por minha culpa, que em minha velha vida, algumas horas antes do tempo, expie em sacrifício, sob o rigor da mais severa pena. Porém, o único desejo dos dois jovens, quando decidiram se casar, era tentar fazer brotar a paz entre suas famílias.
— A Ama está presente? Ela confirma esta história? Quero o parecer dela — exige o príncipe.
A Ama, aos prantos, aproxima-se.
— Sim, meu senhor. Eu fui testemunha do casamento deles.
E antes que o príncipe Escalo lhe perguntasse, Baltazar antecipou-se.
— Eu também confirmo.
— E tu, rapaz, como criado de Romeu, o que nos informa?
— Fui portador a meu senhor da nova da morte de Julieta. Ele, apressado, veio de Mântua para cá, para este mesmo túmulo, tendo-me ordenado que esta carta, a seu pai, desse bem cedo. Ao penetrar no túmulo, ameaçou-me de morte se eu não fosse embora logo e não o deixasse aqui.
— Dá-me esta carta, quero ver o que diz. E o pajem de Páris? O que chamou a guarda? Onde ele está?
— Aqui senhor.
— Que fazia teu amo aqui?
— Veio com flores para a sepultura da noiva, tendo-me ordenado que ficasse à parte. Depois, com luz, chegou um homem para violar a sepultura; tendo logo sacado meu senhor contra ele a espada, ao ver a cena, corri e fui chamar a guarda.
Escalo abriu a carta de Romeu e leu.
—Confirma a carta o que nos disse o monge: Aqui Romeu nos conta que, sabendo da morte da esposa, veneno ele comprou de um boticário e que vinha morrer neste sepulcro, para ficar ao lado de Julieta. Termina pedindo perdão pelo seu ato aos pais e encerra dizendo que os ama muito... — Escalo suspira desolado. — Muito bem... onde se encontram agora estes inimigos? Capuleto! Montecchio! — o príncipe chama e encara-os com grande desaprovação.
Eles se aproximam sem jeito e também decepcionados.
— Vede como sobre vosso ódio a maldição caiu e como o céu vos mata as alegrias valendo-se do amor? Por minha parte, por ter condescendido com todos os vossos ódios, dois parentes perdi! Fomos punidos! Ouviram: TODOS FOMOS PUNIDOS!!!
As famílias choravam e sentiam remorsos por toda raiva cultivada por anos a fio. Raiva esta, sem nenhum sentido aparente que a desencadeasse. Ódio cultivado apenas por status social, por uma família desejar ser ainda mais influente na cidade do que a outra.
Capuleto, emocionado, dirige-se a Montecchio, que estava inconsolável.
— Dá-me tua mão, irmão Montecchio, é o dote de minha filha. Mais, pedir não posso.
— Mas eu posso dar mais, pois hei de a estátua dela mandar fazer do mais puro ouro. E enquanto for Verona conhecida, nenhuma imagem terá tanto preço como a da fiel e apaixonada Julieta — promete-lhe Montecchio.
— Romeu fama também dará à cidade; vítimas são de nossa inimizade.
Por um milagre, daquele dia em diante, os Capuletos e Montecchios prometeram a não mais levantar armas, uns contra os outros. Juraram diante do príncipe e dos corpos ali expostos que viveriam em paz. Escalo soltou um longo suspiro e declarou solenemente:
— Esta manhã nos trouxe paz sombria: esconde o Sol, de pesar, o rosto. Ide; falai dos fatos deste dia; pois há de viver em todos, na memória, de Romeu e Julieta a triste história.
Assim, arrumaram os corpos e fizeram um sepultamento solene dos dois jovens. Foram enterrados juntos, o local, não se sabe ao certo, pois faz muitos séculos, todavia, sabe-se que até os nossos dias, a estátua de Julieta, erguida pelo Senhor Montecchio, reina absoluta no jardim da antiga casa dos Capuletos e todos os que visitam Verona, ainda podem vê-la.
FIM

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- parte3"


Frei Lourenço, chorando silenciosamente, tira o corpo inerte do jovem e pousa-o no chão, fazendo sobre ele o sinal da cruz. Estava inconformado; gostava muito do rapaz, pois o conhecia desde o batizado. Sabia que era e sempre fora um bom menino e um homem íntegro, talvez o melhor filho da cidade de Verona. E agora, por culpa dele, Frei Lourenço, e de seu plano arriscado, o rapaz perdera a vida. Contudo, como ele poderia imaginar que uma vez sabendo da falsa morte de Julieta, Romeu agiria daquela forma? Se soubesse, nunca teria dado o frasco do remédio à jovem. Mas queria tanto ajudá-los...
— Oh, meu menino... Por quê? Por que fizeste isto? — murmurou o frade.
Frei Lourenço teve que interromper o choro e enxugar as lágrimas, pois Julieta começava a acordar.
— Romeu? És tu, meu amor? — chama ela despertando.
Frei Lourenço adianta-se e pega em suas mãos.
— Oh, meu bom frade! Onde está meu senhor? Sei muito bem onde eu devia estar, onde me encontro, mas não o vejo... Onde está Romeu? — pergunta confusa, ainda sob o efeito da droga.
— Venha Julieta, saí senhora, deste ninho de morte. De contágio e sono contrário à natureza. Uma potência por demais forte para que a vençamos frustrou nossos intentos.
— Como assim? Não compreendo...
Julieta engolira a frase. Pensou que estivesse ainda sonhando, ao imaginar ter visto Romeu caído ao chão do túmulo.
— Romeu?!
O frade perde as cores, tentou tanto poupá-la da visão dantesca da morte do amado, mas não pôde evitar.
— O que ele faz ali? — confunde-se a jovem.
— Oh, céus! Julieta querida venha, teu marido se acha morto.
— O quê?! Não... — fala ela caindo em si.
— Vem logo, vou levar-te para um convento de piedosas freiras que hão de cuidar de ti... Não perca tempo com perguntas!
— Não!!! — Julieta desespera-se ao saber da notícia. — Romeu!
Frei Lourenço tentou arrastá-la, mas a força de um ancião jamais se compararia a de uma ágil e apaixonada jovem. Julieta facilmente desvencilhou-se e jogou-se aos pés de Romeu.
— Julieta, a guarda já deve estar chegando. Páris também está morto e com certeza, não veio aqui sozinho. A essa altura, o príncipe já foi avisado e não me atrevo a esperar mais!
— Vai, que eu daqui não sairei jamais! — fala ela aos prantos.
— Menina, por favor...
Ouve-se de fora, uma barulho de muitas vozes e relinchar de cavalos.
— São eles! Ouço bulha! Venha Julieta, vamos nos esconder!
— Me larga!!! Me deixe!
— Não posso fazer isso!
— Por favor, Frei Lourenço, só quero um minuto para me despedir... — pede ela. —Antes que os guardas aqui cheguem, estarei ao lado do senhor... — mente a jovem, para convencê-lo a deixá-la.
— Oh, Deus! Está bem! Estarei ao fundo do mausoléu, escondido na escuridão, mas não se demore.
O frade sai.
— Oh, Romeu, por que me deixaste?! Que será de minha vida? Como conseguirei viver, sem teu calor, tuas carícias, tuas palavras doces? Sou nada sem ti! Serei uma sombra a vagar e lamentar-me por toda eternidade!
Julieta toma-lhe as mãos para beijar e percebe algo na mão dele.
— Que vejo aqui? Um frasco na mão de meu senhor? Veneno?! Oh, só pode ser! Veneno foi seu fim prematuro, na verdade...
Ela verifica o frasco e estava totalmente vazio.
— Oh, sovinas! Bebeste tudo, sem que me deixasses uma só gota amiga para alívio! Os lábios... Vou beijar-te os lábios, talvez ainda reste algum vestígio neles, já que é um veneno tão forte... — imagina esperançosa e beija-o. — Teus lábios ainda estão quentes... morreste há pouco, mas nada restou da peçonha em tua boca para dar-me alento e a morte...
Julieta ouve vozes. Alguém caminhava-se para lá.
— Vamos, guia-me, rapaz; qual é o caminho? — fala um guarda.
— Logo à frente está o corpo do meu senhor. Romeu o matou — explica o pajem — Eu vi.
— Oh, Deus meu! Vem vindo gente! Deve ter outra coisa que possa servir-me... um punhal talvez. Romeu não viria para cá, jurado de morte, sem alguma arma para proteger-se...
No chão, próximo ao corpo, Julieta vê a bolsa de viagem de Romeu e começa tatear dentro. Seus olhos iluminam-se quando toca um objeto frio.
—Sim! Como pensei! Preciso andar depressa... Oh, sê bem-vindo punhal!
— Meu Deus, quanto sangue! — exclama o guarda assustado —Oh, Senhor do Céu! O Príncipe Escalo terá de ser avisado da morte do sobrinho estimado! Pobre Páris!
— O assassino deve estar lá dentro — fala o pajem. — Deve estar saqueando os mortos!
— Duvido! Ele já deve ter fugido!
— Não fugiu; ele não sabe que eu o vi...
— Não, Julieta! Não faça isso!!! — gritou Frei Lourenço.

Os homens ouvem um grito e se assustam.
— Julieta? Que diabos é isso?! — espanta-se o guarda, pois sabia-a morta — Ei!!!
O pajem fugiu de medo, deixando o guarda protestando sozinho.
— Seu covarde!!! Rato imundo, volte aqui! Diabos, seguirei só...
O guarda apressa-se e depara-se com Frei Lourenço, segurando Julieta, a que pensava estar morta e agora, a sangrar recente. O sangue rubro e quente, correndo-lhe do peito.
— Mas o que significa isso? Romeu morto e Julieta ferida?!
— Por Deus, seu guarda! Eu posso explicar... — adianta-se o frade.
— O senhor feriu o cadáver? Mas o que pretendia com isto?!
— Não, eu não a feri. Ela se matou.
— Mas ela já não estava morta?
— Senhor guarda, é uma longa história...
— Acho bom começar a explicá-la agora, estás preso — fala o guarda.
— Sim, eu sou o maior culpado...
Frei Lourenço ofereceu as mãos sem resistência e o guarda levou-o para fora. O guarda, tão logo saíra do túmulo, deu ordens aos outros companheiros que estavam lá fora.
—Tu, rapaz! Vá chamar o Príncipe e depois, os Capuletos e os Montecchios. Os outros passai revista em todo cemitério, e se encontrarem alguém, prendei-o. Há muitos crimes praticados esta noite, que precisam ser devidamente explicados. Eu tomarei conta do frade, que é o principal suspeito. Vemos o terreno de tantas desventuras; mas o terreno verdadeiro destas desgraças lastimáveis, só podemos ficar sabendo após maior estudo.
Voltam os guardas.
— Senhor! Encontramos outro suspeito! É o criado de Romeu, fomos achá-lo dentro do cemitério. — comunica um dos guardas.
— Segurai-o com bem cautela, até que chegue o príncipe. Na busca prossegui vós outros.
— Baltazar! — exclama o frade feliz ao vê-lo, afinal, era uma testemunha em favor dele.
— Frei Lourenço, o que houve?
— Uma desgraça, Baltazar... — o frade começou a chorar.


continua...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mensagem Especial: aos amigos que prestigiam este blog


Cometas e Estrelas

Há pessoas estrelas e pessoas cometas.

Cometas passam, são lembrados apenas pelas datas

em que surgem e retornam.

Muitas pessoas são como os cometas;

passam pela vida da gente sem iluminar, sem aquecer

e sem marcar presença.

O indivíduo cometa não sabe ser amigo, quando

muito, é companheiro por instantes.

Ele costuma explorar os sentimentos e aproveitar-se

das pessoas e situações.

Faz acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.

Importante é ser estrela.

Amigos, são estrelas

na vida da gente.

Pode-se contar com eles.

Os anos passam, surgem as distâncias, mas a marca

fica no coração.

É preciso criar um mundo

de estrelas.

E todos os dias poder ver sua luz

e contar com elas.

Ser estrela neste mundo passageiro, cheio de

pessoas cometas, é um desafio, mas acima de

tudo, uma recompensa.

É nascer e viver, e não apenas existir.


Autor desconhecido

*Vocês são minhas estrelas!!!!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- parte 2"


Romeu aproximou-se dos dois corpos e o primeiro a ver foi o de Teobaldo. Ele contemplou-o por uns instantes e sentiu novamente o remorso a oprimir-lhe o coração.

— Teobaldo... agora jazes em um lençol de sangue. Oh, que maior favor fazer-te posso? Do que com esta mesma mão que a tua mocidade cortou, destruir, agora, a do que foi teu inimigo? Primo perdoa-me...

Romeu permite-se chorar um pouco por Teobaldo, antes de aproximar-se de Julieta.

— Ah, querida esposa... a insígnia da beleza em teus lábios e nas faces ainda está carmesim, não tendo feito progresso o pálido pendão da morte — emociona-se ao ver o corpo tão adorado, agora inerte. Leva a mão à face de Julieta e faz-lhe uma carícia. As lágrimas correm-lhe na face. — Ó, meu amor. Querida esposa. A morte que sugou todo o mel de teu hálito poder não teve sobre tua formosura. Oh, Julieta! Por que ainda és tão formosa?

Romeu desaba de vez e abraçando-a, enterra o rosto nos cabelos negros e sedosos. Soluços de lamento ecoam pela câmara deserta.

— Permitirei eu, que esse monstro magro e horrível, a que chamamos de morte, como amante nas trevas a conserve? — continua ele. —Não, meu amor... jamais... Com medo disso, ficarei contigo, sem nunca mais deixar os aposentos da tenebrosa noite; aqui desejo permanecer, com os vermes, teus serventes! — suspira ele contendo um pouco o choro. — Aqui sim, aqui mesmo, fixar quero meu repouso eterno.

Romeu leva a mão à pequena bolsa que trazia na cintura e retira o veneno. Contempla o líquido mortal por um instante.

— Vem, condutor amargo! Vem meu guia de gosto repugnante! Olhos... vede vossa esposa mais uma vez; será a última. Braços, permiti-vos um último abraço...

Romeu abraça Julieta.

— E lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo legítimo selai este contrato.

Beija-a. O último e derradeiro beijo de despedida, antes de beber o veneno.

— Eis para meu amor...

Romeu bebe de um só gole e logo sente o líquido descer e queimar sua garganta. O gosto era horrível. Poucos instantes depois, já sofre os efeitos da peçonha. O corpo ficou trêmulo e o ar, começou a faltar-lhe e por fim, sentiu que perderia os sentidos. A Morte estava cada vez mais próxima.

— Ó, boticário veraz e honesto! Tua droga é rápida... Julieta...

Romeu beija-lhe as mãos e cai sobre a amada. O coração dele deu um salto e parou, seus olhos escureceram e sua vida o deixara.

Na mesma hora, Frei Lourenço chegava no cemitério. Vinha munido de lanterna, alavanca e uma pá.

— São Francisco me ajude! Quantas vezes esta noite, meus pés enfraquecidos tropeçaram em túmulos? — reclamava ele.

— Oh, Frei Lourenço! — uma voz o chama.

O frade se assusta.

— Ai Jesus!!! O que...

— Sou eu frei, Baltazar!

— Baltazar?! Oh, Deus do céu, não me assuste assim! Mas o que faz aqui?

— Vim com Romeu.

— Romeu?! Mas como... — o frade se espanta

— Oh, Frei Lourenço! Que bom vê-lo! Convença o louco a sair de lá!

— De lá onde?

— Do túmulo dos Capuletos. Ficou tão desvairado com a morte da esposa, que temo que esteja disposto a fazer algo muito ruim.

— Ai, não! Há quanto tempo ele está lá?

— Há cerca de meia hora.

— Santo Deus! Já começo a sentir medo! Receio algum caso desastrado! Vem comigo até o túmulo.

— Não ouso, senhor! Ele soprou-me ameaças sem conta, caso o interrompesse! Ameaçou-me até de morte!

— Então irei só. Oh, Romeu, não faça nada precipitado!

Frei Lourenço entra no túmulo e depara-se com o primeiro corpo. Ao sentir que tropeçara em algo, aproxima a lanterna e descobre o Conde Páris assassinado, trespassado por uma espada.

— Eu não acredito! É o Conde Páris!!!

O frade ficou sem ação, não esperava que o acontecimento fosse trazer desgraça de tamanha proporção.

— Oh, dor! Romeu!!! — chama-o desesperado. — Você está aí, Romeu? É Frei Lourenço quem chama! Olá!!!

Frei Lourenço entra na câmara funesta e depara-se com Romeu debruçado sobre Julieta, como se chorasse...

— Oh, meu filho... que bom que...

O religioso engole as palavras; Romeu parecia imóvel demais para alguém que estivesse em prantos.

— Oh, não! Romeu fale comigo! — o frade se desespera.

Frei Lourenço tenta reanimá-lo, mas em vão.

— Está morto!!!! Jesus, Maria e José! Julieta irá acordar a qualquer instante...

continua...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor - parte1"


Já era noite, quando duas figuras misteriosas atravessam os portões do cemitério.
— Dá-me a tocha, rapaz, e fica à parte. Não, apaga-a; não quero que me vejam. Aguardai-me abaixo do cipestre e fica atento. Assim, se notares a presença de alguém chegando, sem que o perceba, deves assobiar-me.
— Senhor Páris, por que estás fazendo isso? Não me agrada ficar aqui fora sozinho... — fala o criado temeroso.
— Oras, covarde! Deixai de lamúrias, dê-me as flores e faze o que te disse!
O criado sai a resmungar.
— Sinto um pouco de medo, por me ver no cemitério, mas que seja! Hunf!
Páris se aproxima da porta do mausoléu.
— Minha querida flor, espalharei flores em teu leito. De pedras frias é o dossel, mas à noite, com água, trarei irrigadores ou o pranto amargo de meu fado cruel e prometo-vos, querida Julieta, que flores hão de nascer em tua sepultura...
O pajem à parte ouve passos e assobia.
— Vem gente! Que pé maldito pisa estes caminhos durante a noite, para perturbar-me nos funerais e ritos do amor puro?
Páris se esconde atrás da lápide do túmulo mais próximo, desembainha a espada e fica de tocaia.
— Romeu! Vede o que vai fazer! — criticava-lhe Baltazar.
"Romeu?! Não foi este que matou o primo de Julieta?"— lembra-se Páris.
— Dá-me o ferro e o enxadão e toma esta carta. Logo que amanhecer tens de entregá-la ao meu senhor e pai. Agora, a tocha! Por tua vida, te exorto: embora vejas e ouças seja o que for, fica à parte. Se ora desço a este leito de morte, em parte é apenas para o rosto ainda ver de minha esposa Julieta... — mente Romeu para tranqüilizar o criado. —Logo sairei...
"Esposa?! — espanta-se Páris. — Mas o que este infame está dizendo?"
— Mas se acaso... — continua Romeu. — só por curiosidade retornares para espiar o que pretendo fazer: Pelo Céu o juro! Quebrar-te-ei os ossos! — ameaça ele. — Meus intuitos a esta hora são selvagens, mais violentos e inexoráveis ainda do que o tigre faminto e o mar revolto!
Baltazar engole em seco.
— Vou-me embora, senhor, sem vos atrapalhar em nada.
Romeu sorri para o criado e pega o restante de dinheiro que ainda tinha.
— Assim, me provarás tua amizade. Toma isto para ti; vive e prospera. E agora, bom amigo, passa bem.
Baltazar não conseguiu entender aquela atitude e queria recusar o dinheiro, mas Romeu insistiu e ele fez de conta que aceitou a oferta. Baltazar afastou-se.
— Mas apesar de tudo, vou esconder-me por aqui mesmo. Não confio nele e temo o seu olhar.
— Matriz da morte... — fala Romeu ao abrir o túmulo e suspira pesaroso. — Detestável maxila, assim te forço os maxilares podres e te obrigo a aceitar mais alimento.
Romeu entra no mausoléu e nem percebera que não estava só. Páris seguiu atrás dele.
"Este é o Montecchio altivo, que banido foi, por ter morto o primo de Julieta, por cuja dor a morrer veio aquela criatura incomparável..."—pensava Páris indignado enquanto o seguia. — "Vou prendê-lo..."
Romeu chegou à câmara dos cadáveres depois de descer uma longa escada. Estreitou os olhos pela escuridão e tentava encontrar o corpo de Julieta. Ao levantar um pouco a tocha, viu que dois cadáveres estavam ainda com as mortalhas novas e limpas; logo, Romeu reconhecera que um deles deveria ser Teobaldo e o outro, provavelmente seria Julieta. Quando ele ia dar o primeiro passo na direção deles, Páris o surpreendeu.
—Interrompe teu maldito trabalho, vil Montecchio! Estás preso, banido desprezível! Obedece e me segue; morrer deves!
Romeu assusta-se e vira-se, mas passado o susto, tenta argumentar com o homem que o interpelava.
—Devo morrer é fato, foi por isso que vim. Mancebo generoso, tentar não queiras um desesperado. Foge daqui e deixa-me; reflete nestes mortos e que eles te amedrontem. Suplico-te, senhor, não me faças arcar com o peso de mais um pecado, pois aqui vim contra mim próprio armado...
—Importância não dou ao teu pedido — Páris empunha a espada. — e prendo-te por seres criminoso!
— Queres me provocar? Então defenda-te!
Romeu saca sua espada e bate-se com Páris, matando-o em curto espaço de tempo. Páris cai encharcado de sangue e só teve tempo de proferir algumas maldições antes de morrer. Romeu aproximou a tocha para ver a quem tinha ferido.
— Conde Páris?! Deus do Céu! Não era com ele que Julieta iria casar-se? Oh, pobre mortal, que tanto quanto eu, o nome foi inscrito no livro do infortúnio!
Romeu sentiu pena do homem, não tinha a intenção de matar mais ninguém, só queria levantar a mão contra ele próprio, mas infelizmente, disposto a tudo como estava, ele não teve outra escolha. Ou matava, ou seria preso e o seu intuito estaria ameaçado.
Redimido pelos próprios pensamentos, seguiu em frente.
O servo de Páris, preocupado, seguiu o amo e vira toda a cena. Romeu não percebera-lhe a presença e ele, muito assustado com o que testemunhara, foi procurar socorro.
Continua...