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Pelo mundo

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato IV: "A resolução de Capuleto-parte 3"


O senhor Capuleto ficara vermelho de cólera e quase erguera a mão para bater-lhe pela ousadia, mas Bettina Capuleto impede-lhe, em consideração pela avançada idade da ama. Ainda assim, ele humilhou-a ainda mais
Não me repliques coisa nenhuma! BASTA! A culpa é vossa por ela ser tão desobediente, velha insolente, sempre a mimaste demais! Pensávamos, mulher... — fala à esposa. — que nossa dita era pequena, pois Deus só nos dera uma menina; mas vejo agora que esta já nos sobra e que com ela a maldição nos veio. RAMEIRA, À TOA!!!
Valha-nos Deus! Deus do céu que a ampare!!! — exclama a ama horrorizada. —Procedeis mal, senhor, por insultá-la deste modo!!!
Julieta chorava humilhada e desesperada e sem saber o que dizer, e o que fazer para evitar aquilo tudo. Os pais estavam contra ela, apenas a ama a defendia.
Por que, Dona Prudência?! Guardai na boca a língua sabe-tudo! Ide ensinar vossas comadres!
— Não se pode falar?
Velha tonta! Guardai vossas sentenças para vossos iguais, pois não precisamos delas aqui!
— Marido, estás muito excitado! — comenta Bettina.
Sacramento de Dio!!! É de deixar-me louco de todo. Dias e mais dias, a toda hora, de noite, no trabalho, o ano inteirinho, tinha apenas uma preocupação: sabê-la, enfim, casada. E agora que arranjei um bom moço, de nobre parentesco, jovem, rico, de fina educação, de qualidades excepicionais, lá vem uma coisinha choramingas, uma boneca cheia de lamúrias, ao lhe sorrir a sorte, declarar-me: “sou muito nova e amar não me é possível”, “não desejo casar-me”, “desculpai-me, mas agradeço”. POIS NÃO VOU DESCULPAR-VOS! Se não quereis casar, procurai pasto em outro lugar, pois aqui em casa, não ficareis comigo!
Oh, não! Pai meu! Piedade!!!! — desespera-se Julieta, agarrada às pernas dele.
Ele a empurrou de forma violenta.
Olha aqui, mocinha... Refleti, vede bem, gracejar não é meu hábito. Quinta-feira está perto; aconselhai-vos com o coração. Se fordes minha filha, por mim a meu amigo sereis dada. Mas se não o fordes, enforcai-vos, ide pedir esmola, perecer de fome, morrer na rua, pois — pela alma o juro! — jamais hei de reconhecer-te e nunca quanto for meu te poderá ser útil. Reflete bem, pois não serei perjuro!
O pai sai resoluto, dando-lhe as costas. A mãe ia saindo atrás e Julieta a puxou, numa última tentativa de sensibilizar o coração dela e pedir-lhe piedade e ajuda.
Oh, não me repilais, bondosa mãe! Adiai esse casório pelo prazo de um mês, uma semana, ou se possível vos for tal coisa, preparai o leito nupcial no monumento em que Teobaldo jaz sepultado!
— Não me fales... — diz sua mãe entredentes. — Não direi nada; faze o que bem entenderes, pois para mim, nada mais representas.
Sua mãe sai friamente e fecha a porta. Julieta corre para a ama e a abraça.
Oh, minha ama!!! Oh, Deus! Como evitar isso? Conforta-me, aconselha-me! Oh, tristeza!
— Calma, filha! Shhh!!! Sê forte!
Não me dizes uma palavra ao menos? Como pensas, ama?
— Talvez não aprecies o que direi, mas não vejo outro modo! Romeu está banido...
Não me lembre isso!!! — chora ela.
— O mundo todo contra os dois e como ele não poderá retornar agora para reclamar-te, e mesmo que retorne terá que ser muito às ocultas; estando as coisas nesse pé, mais razoável me parece desposares o conde.
O quê?!— Julieta surpreende-se.
— Filha, entenda... De muito o outro ele vence, Romeu ao lado dele não é mais que um pano de cozinha. Além do mais, é como se estivesses viúva, por viverdes aqui e não fazeres uso do primeiro esposo.
— Não acredito... — Julieta enxuga as lágrimas. — Falas de coração?
— E também de alma e quero que maldito fique o meu coração, se venturosa não vos fizer este segundo esposo.
— Amém... — Julieta levanta-se.
Como?!
— É; soubeste consolar-me maravilhosamente... — fala ela em tom irônico.
— Oh, que bom que compreendeste-me!
A ama tenta acariciá-la, mas Julieta afasta-se.
Vai... e dize a minha mãe que por haver deixado meu pai aborrecido, irei cedo à cela de Frei Lourenço confessar-me, para ser absolvida.
—Dir-lhe-ei isto e creio, que procedeis bem.
A ama sai para dar-lhe o recado.
Oh, velha amaldiçoada! Oh, demônio perverso! Que pecado será maior: querer me ver perjura, ou insultar o meu senhor com a mesma boca que o exaltou sobre tudo neste mundo, quando o conhecera. Conselheira vil, podes ir. De agora em diante, separados tu e meu peito estarão. Vou ver o monge. Com seu conhecimento de ervas e flores, dar-me-á remédio para livrar-me deste mal. Vindo a falhar tudo, porei na morte o meu intuito — jurou ela.

continua...

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