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domingo, 22 de novembro de 2009

Fim de uma longa e adorável história

foto: estátua de Julieta no jardim dos Capuletos e acima, o balcão onde, supostamente, os amantes trocaram suas juras de amor eterno.

Enfim, com este capítulo, encerro Romeu e Julieta em prosa e versos. Creio que muitas vezes mais em prosa do que em versos, pois ainda me falta uma certa veia poética. Porém, escrevo esta mensagem para agradecer e compartilhar com todos a satisfação que senti ao reescrever este conto eterno e que até hoje, encanta gerações.
Foi uma experiência muito interessante e uma alegria imensa ao abrir o blog, a cada dia, e ver que o número de leitores só aumentava. Leitores não só do Brasil, mas do mundo todo.
Muitos sei que vão terminar de ler, ao mesmo tempo em que encerrei o conto, outros, ainda estão lendo e tenho certeza que muitos mais irão ainda ler. Assim, deixo registrado aqui o meu agradecimento aos leitores que me acompanharam, me acompanham e que ainda me acompanharão, e sem o incentivo de vocês, que estavam sempre presentes e me prestigiando, isto não teria sido possível. Um forte abraço a todos e espero, em breve, trazer mais histórias como essa para compartilhar com vocês, meus grandes amigos.
att:
Paula Dunguel

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- final"


Em cidade pequena, as notícias voam, e em Verona não foi diferente, logo, uma multidão de curiosos acorreram ao cemitério, e se empurravam e se acotovelavam, para conseguir um lugar de melhor visão, para saber o que tinha acontecido de tão grave. O dia já havia amanhecido há pouco.

Os Capuletos e os Montecchios já haviam sido comunicados e se dirigiam para lá. O primeiro a chegar foi o príncipe Escalo, regente de Verona.

Que horror é este que nos fere a vista? — assusta-se o regente da cidade.

Os cadáveres estavam expostos à porta do mausoléu.

— Príncipe, aqui está morto o Conde Páris, Romeu e a que antes falecera, Julieta, e outra vez morta.

Por Deus! Como se deu este horroroso morticínio? — exclama o homem horrorizado e inconformado por perder mais um parente, o seu sobrinho.

Nessa hora, enquanto lamentava-se pela perda, chegaram os Capuletos e logo depois os Montecchios.

— Por que estes gritos por toda parte? Que houve? — pergunta o Senhor Capuleto.

— Pelas praças, o nome de Romeu, o povo grita; outros, o de Julieta; outros, o de Páris, correndo toda a gente para o lado do nosso monumento — fala Bettina confusa.

O Senhor Capuleto estaca e não crê no que vê.

Ò Céus, mulher! Vê nossa filha: sangra! Um punhal em seu peito... Que se passa?!

Ai de mim! — Bettina cai com os joelhos em terra. — Esse quadro só de mortes é como um toque fúnebre que me chama à sepultura!

Chegam o Senhor Montecchio acompanhado de outros parentes.

— Ah! Chegaste Montecchio? — desdenha o príncipe de Verona. —Vem cá, homem; cedo te levantas, para mais cedo ver baixar teu filho.

— Oh, meu senhor! Que mais conspira contra minha idade? Minha senhora, doente se acha, por saber que o amado filho estava exilado e agora, isso? Oh, Deus! Será morte certa para Chiara, saber tamanha desgraça!

— Eis o resultado de tanto ódio — afirma Escalo.

Oh, néscio! Néscio! Que costume é este de antes do pai, entrar na sepultura?

— Sela a boca de ultraje por um pouco, até que este mistério esclareçamos e fiquemos sabendo sua origem e verdadeiro curso. Apresentai-nos os suspeitos — ordena o príncipe.

Um guarda aproxima-se com Frei Lourenço e Baltazar.

— Aqui está um frade e também o criado de Romeu; instrumentos carregavam para arrombar o túmulo.

— Dos presentes, sou eu o mais suspeito, muito embora seja o que menos pode fazer algo, visto acusarem-me o lugar e a hora. Eis-me a acusar-me, a um tempo, e a defender-me, num só momento condenado e absolto.

— Então dizes logo o que sobre isto sabes — ordena Escalo.

— Serei breve... Romeu, aqui sem vida, era marido desta Julieta, assim como ela, era a fiel consorte deste Romeu.

O quê?! — exclama a mãe de Julieta, não acreditando em tamanha asneira sem sentido. — Isto é mentira! Nunca ouvi tamanho absurdo como esse...

Cala-te, mulher! Deixai que o padre continue a história! — grita o príncipe.

Um burburinho imenso foi ouvido no meio da multidão e Escalo teve que controlar a inquietação crescente, para que o frade continuasse.

— Fui eu que os desposei. Estas núpcias clandestinas deram-se na manhã do dia em que Teobaldo perdeu a vida, cuja morte baniu de nosso burgo o recente marido. Era por causa dele e não por Teobaldo, que Julieta se vinha definhando. Mas vós... — acusa os pais de Julieta —... com o fito de expulsar-lhe do peito essa tristeza, ao conde a prometestes, tencionando casá-la a contra-gosto. A coitada, então, procurou-me desvairada e pediu-me que inventasse qualquer recurso que a livrasse desse segundo casamento, ou então lá mesmo, em minha cela, armada com um punhal, poria termo à vida. Dei-lhe então um estupefaciente que sobre ela o efeito produziu a aparência da morte. A Romeu escrevi nesse entrementes, para que ele aqui viesse nesta noite de horrores, ajudar-me a retirá-la de seu falso sepulcro, pois o efeito da droga nessa hora cessaria. Mas a pessoa que levou a carta, detida foi por acidente e Romeu não a recebeu. Então, sozinho, na hora prefixada para ela despertar, vim retirá-la do túmulo dos seus, para escondê-la na minha pobre cela, até chamar Romeu outra vez. Aqui chegando, porém, encontrei mortos o conde e o fiel Romeu. Nisso, Julieta despertou. Roguei-lhe que fugisse e que aceitasse com paciência o que o céu lhe destinara. Um barulho me afastou de Julieta, sem que, em seu desespero, ela comigo se retirasse, tendo ao que parece, posto termo à existência. A Ama estava à par do casamento, assim como o bom criado de Romeu, Baltazar. Se algo nisso falhou por minha culpa, que em minha velha vida, algumas horas antes do tempo, expie em sacrifício, sob o rigor da mais severa pena. Porém, o único desejo dos dois jovens, quando decidiram se casar, era tentar fazer brotar a paz entre suas famílias.

— A Ama está presente? Ela confirma esta história? Quero o parecer dela — exige o príncipe.

A Ama, aos prantos, aproxima-se.

— Sim, meu senhor. Eu fui testemunha do casamento deles.

E antes que o príncipe Escalo lhe perguntasse, Baltazar antecipou-se.

— Eu também confirmo.

— E tu, rapaz, como criado de Romeu, o que nos informa?

— Fui portador a meu senhor da nova da morte de Julieta. Ele, apressado, veio de Mântua para cá, para este mesmo túmulo, tendo-me ordenado que esta carta, a seu pai, desse bem cedo. Ao penetrar no túmulo, ameaçou-me de morte se eu não fosse embora logo e não o deixasse aqui.

— Dá-me esta carta, quero ver o que diz. E o pajem de Páris? O que chamou a guarda? Onde ele está?

— Aqui senhor.

— Que fazia teu amo aqui?

— Veio com flores para a sepultura da noiva, tendo-me ordenado que ficasse à parte. Depois, com luz, chegou um homem para violar a sepultura; tendo logo sacado meu senhor contra ele a espada, ao ver a cena, corri e fui chamar a guarda.

Escalo abriu a carta de Romeu e leu.

—Confirma a carta o que nos disse o monge: Aqui Romeu nos conta que, sabendo da morte da esposa, veneno ele comprou de um boticário e que vinha morrer neste sepulcro, para ficar ao lado de Julieta. Termina pedindo perdão pelo seu ato aos pais e encerra dizendo que os ama muito... — Escalo suspira desolado. — Muito bem... onde se encontram agora estes inimigos? Capuleto! Montecchio! — o príncipe chama e encara-os com grande desaprovação.

Eles se aproximam sem jeito e também decepcionados.

Vede como sobre vosso ódio a maldição caiu e como o céu vos mata as alegrias valendo-se do amor? Por minha parte, por ter condescendido com todos os vossos ódios, dois parentes perdi! Fomos punidos! Ouviram: TODOS FOMOS PUNIDOS!!!

As famílias choravam e sentiam remorsos por toda raiva cultivada por anos a fio. Raiva esta, sem nenhum sentido aparente que a desencadeasse. Ódio cultivado apenas por Status social, por uma família desejar ser ainda mais influente na cidade do que a outra.

Capuleto, emocionado, dirige-se a Montecchio, que estava inconsolável.

— Dá-me tua mão, irmão Montecchio, é o dote de minha filha. Mais, pedir não posso.

— Mas eu posso dar mais, pois hei de a estátua dela mandar fazer do mais puro ouro. E enquanto for Verona conhecida, nenhuma imagem terá tanto preço como a da fiel e apaixonada Julieta — promete-lhe Montecchio.

— Romeu fama também dará à cidade; vítimas são de nossa inimizade.

Por um milagre, daquele dia em diante, os Capuletos e Montecchios prometeram a não mais levantar armas, uns contra os outros. Juraram diante do príncipe e dos corpos ali expostos que viveriam em paz. Escalo soltou um longo suspiro e declarou solenemente:

— Esta manhã nos trouxe paz sombria: esconde o Sol, de pesar, o rosto. Ide; falai dos fatos deste dia; pois há de viver em todos, na memória, de Romeu e Julieta a triste história.

Assim, arrumaram os corpos e fizeram um sepultamento solene dos dois jovens. Foram enterrados juntos, o local, não se sabe ao certo, pois faz muitos séculos, todavia, sabe-se que até os nossos dias, a estátua de Julieta, erguida pelo Senhor Montecchio, reina absoluta no jardim da antiga casa dos Capuletos e todos os que visitam Verona, ainda podem vê-la.

FIM

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Ato V: "Sepultados no Amor"- parte3"


Frei Lourenço, chorando silenciosamente, tira o corpo inerte do jovem e pousa-o no chão, fazendo sobre ele o sinal da cruz. Estava inconformado; gostava muito do rapaz, pois o conhecia desde o batizado. Sabia que era e sempre fora um bom menino e um homem íntegro, talvez o melhor filho da cidade de Verona. E agora, por culpa dele, Frei Lourenço, e de seu plano arriscado, o rapaz perdera a vida. Contudo, como ele poderia imaginar que uma vez sabendo da falsa morte de Julieta, Romeu agiria daquela forma? Se soubesse, nunca teria dado o frasco do remédio à jovem. Mas queria tanto ajudá-los...

— Oh, meu menino... Por quê? Por que fizeste isto? — murmurou o frade.

Frei Lourenço teve que interromper o choro e enxugar as lágrimas, pois Julieta começava a acordar.

— Romeu? — chama ela despertando.

Frei Lourenço adianta-se e pega em suas mãos.

— Oh, meu bom frade! Onde está meu senhor? Sei muito bem onde eu devia estar, onde me encontro, mas não o vejo... Onde está Romeu? — pergunta confusa, ainda sob o efeito da droga.

— Venha Julieta, saí senhora, deste ninho de morte. De contágio e sono contrário à natureza. Uma potência por demais forte para que a vençamos frustrou nossos intentos.

— Como assim? Não compreendo...

Julieta engolira a frase. Pensou que estivesse ainda sonhando, ao imaginar ter visto Romeu caído ao chão do túmulo.

— Romeu?!

O frade perde as cores, tentou tanto poupá-la da visão dantesca da morte do amado, mas não pôde evitar.

— O que ele faz ali? — confunde-se a jovem.

— Oh, céus! Julieta querida venha, teu marido em teu seio se acha morto.

O quê?! Não... — fala ela caindo em si.

— Vem logo, vou levar-te para um convento de piedosas freiras que hão de cuidar de ti... Não perca tempo com perguntas!

Não!!! — Julieta desespera-se ao saber da notícia. — Romeu!

Frei Lourenço tentou arrastá-la, mas a força de um ancião jamais se compararia a de uma ágil e apaixonada jovem. Julieta facilmente desvencilhou-se e jogou-se aos pés de Romeu.

— Julieta, a guarda já deve estar chegando. Páris também está morto e com certeza, não veio aqui sozinho. A essa altura, o príncipe já foi avisado e não me atrevo a esperar mais!

Vai, que eu daqui não sairei jamais! — fala ela aos prantos.

— Menina, por favor...

Ouve-se de fora, uma barulho de muitas vozes e relinchar de cavalos.

— São eles! Ouço bulha! Venha Julieta, vamos nos esconder!

Me larga!!! Me deixe!

— Não posso fazer isso!

— Por favor, Frei Lourenço, só quero um minuto para me despedir... — pede ela. —Antes que os guardas aqui cheguem, estarei ao lado do senhor... — mente a jovem, para convencê-lo a deixá-la.

— Oh, Deus! Está bem! Estarei ao fundo do mausoléu, escondido na escuridão, mas não se demore.

O frade sai.

— Oh, Romeu, por que me deixaste?! Que será de minha vida? Como conseguirei viver, sem teu calor, tuas carícias, tuas palavras doces? Sou nada sem ti! Serei uma sombra a vagar e lamentar-me por toda eternidade!

Julieta toma-lhe as mãos para beijar e percebe algo na mão dele.

— Que vejo aqui? Um frasco na mão de meu senhor? Veneno?! Oh, só pode ser! Veneno foi seu fim prematuro, na verdade...

Ela verifica o frasco e estava totalmente vazio.

— Oh, sovinas! Bebeste tudo, sem que me deixasses uma só gota amiga para alívio! Os lábios... Vou beijar-te os lábios, talvez ainda reste algum vestígio neles, já que é um veneno tão forte... — imagina esperançosa e beija-o. — Teus lábios ainda estão quentes... morreste há pouco, mas nada restou da peçonha em tua boca para dar-me alento e a morte...

Julieta ouve vozes. Alguém caminhava-se para lá.

— Vamos, guia-me, rapaz; qual é o caminho? — fala um guarda.

— Logo à frente está o corpo do meu senhor. Romeu o matou — explica o pajem — Eu vi.

— Oh, Deus meu! Vem vindo gente! Deve ter outra coisa que possa servir-me... um punhal, talvez. Romeu não viria para cá, jurado de morte, sem alguma arma para proteger-se...

No chão, próximo ao corpo, Julieta vê a bolsa de viagem de Romeu e começa tatear dentro. Seus olhos iluminam-se quando toca um objeto frio.

—Sim! Como pensei! Preciso andar depressa... Oh, sê bem-vindo punhal!

— Meu Deus, quanto sangue! — exclama o guarda assustado —Oh, Senhor do Céu! O Príncipe Escalo terá de ser avisado da morte do sobrinho estimado! Pobre Páris!

— O assassino deve estar lá dentro — fala o pajem. — Deve estar saqueando os mortos!

— Duvido! Ele já deve ter fugido!

— Não fugiu; ele não sabe que eu o vi.

Os homens ouvem um grito e se assustam.

Não, Julieta! Não faça isso!!! — gritou Frei Lourenço.

— Julieta? Que diabos é isso?! — espanta-se o guarda, pois sabia-a morta — Ei!!!

O pajem fugiu de medo, deixando o guarda protestando sozinho.

Seu covarde!!! Rato imundo, volte aqui! Diabos, seguirei só...

O guarda apressa-se e depara-se com Frei Lourenço, segurando Julieta, a que pensava estar morta e agora, a sangrar recente. O sangue rubro e quente, correndo-lhe do peito.

Mas o que significa isso? Romeu morto e Julieta ferida?!

— Por Deus, seu guarda! Eu posso explicar... — adianta-se o frade.

O senhor feriu o cadáver? Mas o que pretendia com isto?!

— Não, eu não a feri. Ela se matou.

Mas ela já não estava morta?

— Senhor guarda, é uma longa história...

— Acho bom começar a explicá-la agora, estás preso — fala o guarda.

— Sim, eu sou o maior culpado...

Frei Lourenço ofereceu as mãos sem resistência e o guarda levou-o para fora. O guarda, tão logo saíra do túmulo, deu ordens aos outros da guarda que estavam lá fora.

—Tu, rapaz! Vá chamar o Príncipe e depois, os Capuletos e os Montecchios. Os outros passai revista em todo cemitério, e se encontrarem alguém, prendei-o. Há muitos crimes praticados esta noite, que precisam ser devidamente explicados. Eu tomarei conta do frade, que é o principal suspeito. Vemos o terreno de tantas desventuras; mas o terreno verdadeiro destas desgraças lastimáveis, só podemos ficar sabendo após maior estudo.

Voltam os guardas.

— Senhor! Encontramos outro suspeito! É o criado de Romeu, fomos achá-lo dentro cemitério. — comunica um dos guardas.

— Segurai-o com bem cautela, até que chegue o príncipe. Na busca prossegui vós outros.

— Baltazar! — exclama o frade feliz ao vê-lo, afinal, era uma testemunha em favor dele.

— Frei Lourenço, o que houve?

— Uma desgraça, Baltazar... — o frade começou a chorar.



continua...