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domingo, 21 de dezembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos) - Segundo Ato: "Juras de amor - parte1"

* fragmento de uma HQ de Romeu e Julieta feita por mim há muito tempo.

Julieta deitou-se no leito e chorava baixinho. A ama Filippa, muito preocupada, foi falar com ela.
— O que foi minha ovelhinha? O que se passa?
Julieta enxuga as lágrimas para disfarçar. Ela havia estado com o homem que sempre sonhara para si. Um homem com coração de poeta, mas por quê? Por que ele tinha que ser filho do inimigo de seu pai? Julieta desejava desabafar, porém, perguntava se sua ama entenderia, por isso achou melhor não arriscar e tenta desconversar de alguma forma.
— Não é nada, ama. Uma indisposição...
— Como nada? Saíste daquele jeito...
— Eu já estou melhor.
A ama olha-a incrédula. Julieta logo percebera que não seria fácil enganá-la, porque sua ama a conhecia muito bem, mais até do que ela própria.
— Quando vier a coragem, eu contarei, pois estou envergonhada pelo que fiz e não quero falar sobre isso.
— Estás bem?
— Estou.
— Bom, isso que importa. Fico mais tranqüila...
— Durma ama querida, deves estar cansada pelo agitado dia — fala a menina com doçura.
— Oh, sim! E como? Já não tenho mais idade para certas coisas!
Filippa não insistiu com suas perguntas, preferiu deixar Julieta com seus pensamentos, pois no fundo ela sabia que uma hora ela iria falar, pois somente com ela, Julieta confessava suas frustrações e problemas, buscando conselhos e acabou por interpretar o fato como um arroubo de juventude. Filippa puxou sua cama de rodas, debaixo da cama de Julieta e arrumou o leito. Dormiu rápido, pois estava muito cansada.
Julieta ainda continuou acordada. Uma inquietude apoderou-se de sua alma e a cada momento que tocava seus lábios, lembrava-se do beijo doce do amado.
“Oh, Deus do Céu! Por que Romeu? Logo ele a quem deveria odiar...
" — indagava-se.
Romeu perguntava-se a mesma coisa e a mesma sensação inquietante, apoderava-se dele.
— O que foi, Romeu? — pergunta-lhe Benvólio, quando viu-o empacar o passo. — Por que paraste, primo?
— Tenho que voltar! — fala aflito. — Como afastar-me, se daqui não pode sair meu coração?
Como?! Ei! Volta!!!
Romeu já ia longe; nem ouviu-lhe o grito. Disparou novamente na direção da casa capuleta. Benvólio, confuso, puxa Mercuccio.
Que foi? Calma!
— Romeu voltou para a casa de Capuleto!
Hein?! — fala Mercuccio tonto.
— Vamos atrás dele!
— E será que vamos acertar o caminho?! — gargalha Mercuccio, debochado. — Vejo duas vias, onde antes só tinha uma!
Não é hora para brincadeiras! Vem!
Calma! Que furor!!! Bons rapazes — diz ele ao grupo. — sigam sem nós...
Vem logo!
Todos do grupo riram, ao vê-los se afastarem. Estavam totalmente ébrios, pois não há nada mais cômico no mundo, do que bêbados que pensam estarem sóbrios, correndo cambaleantes naquele trocar de pernas bem típico. Ainda mais com um segurando o outro, por julgar o parceiro mais bêbado do que ele próprio. Caíram até algumas vezes, até sumirem na curva da viela.
Apesar da dificuldade, conseguiram chegar ao muro da casa de Capuleto e viram Romeu pular pro jardim.
Romeu! Primo Romeu?!
— Ele é prudente, por minha fé! E soube achar a estrada para o leito macio! — comenta Mercuccio malicioso.
Cala-te, língua infame! Em disparada veio até aqui e pulou o muro que dá para o jardim! Faça alguma coisa! Chame-o, pois já o chamei e ele não me responde!
— Vou conjurá-lo! — pigarreia Mercuccio. —
Romeu! Capricho! Paixão! Sujeito louco! Enamorado!
— Não responde! — fala Benvólio aflito. — Chama de novo! Insiste!
Romeu estava oculto pelos galhos da árvore rente ao muro, mas via os amigos nitidamente. Observava-os sem dar um “Ai”.
— Acho que precisará de uma invocação mais forte... — comenta Mercuccio aprumando-se, ou pelo menos, tentando.— Vou fazer-lhe um conjuro mais forte...
Ele tonteia e enche o peito. Romeu queria rir, mas se segurava...
EU TE CONJURO PELOS OLHOS SEM-PAR DE ROSALINA! POR SUA FRONTE! SEUS LÁBIOS ESCARLATES! OS DELICADOS PÉS! AS BELAS PERNAS! AS TREMULANTES COXAS...
PÁRA COM ISSO! — critica-lhe Benvólio, antes que ele falasse algo indevido e obsceno. — Por certo irás magoá-lo!
— Não, isso não o magoa. Minha invocação é bela e honesta! O nome digo de sua amada, para que possa reanimar-se!
Ora qual? Não falais coisa com coisa! Estás bêbado!
E tu? Estás sóbrio por acaso?!
— Vamos embora! Ele ocultou-se entre as ramagens. Seu cego amor diz bem com a escuridão. É canseira inútil procurar, quem não quer ser encontrado...
Os amigos se afastam. Romeu sente-se indignado.
— Só ri das cicatrizes, quem ferida nunca sentiu no corpo...
O galho quebra-se.
Ai não!
Ele tenta se segurar em outro, mas estava tão escorregadio por conta do sereno, que sua mão não teve firmeza. Por sorte, Romeu cai sobre um arbusto que amortece-lhe a queda.
— Ui! Essa doeu!
Romeu levanta-se e começa a avançar. O ambiente era amplo. Ao redor dele, existiam várias árvores e arbustos coloridos, que repousavam vigilantes pelo jardim, como se desejassem ocultar algo de olhos curiosos.
Romeu estava incomodado e temeroso. Seu coração batia forte e a imagem da bela Capuleto, teimava em não sair da sua mente. Ele precisava vê-la, nem que fosse uma última vez.
À medida que se aproximava da casa, ia afastando as plantas, até vislumbrar entre os ramos, o singelo balcão de uma janela. Ao lado da sacada, uma armação de madeira caiada bem alta, servia de apoio à uma trepadeira florida. Uma corbelha de flores, cujos cachos de rosas silvestres caíam, dando uma aparência de castelo de conto-de-fadas. Mas onde estaria a princesa? A armação parecia bem firme, para servir de escada improvisada, na falta de coisa melhor. Além das rosáceas, uma hera abusada misturava-se às ramagens, desde o muro lateral até a janela. Enquanto ele examinava a armação, ouve um barulho vindo de cima; o delicado abrir de uma porta. Assustado, esconde-se entre os arbustos.


continua...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Aviso especial: curiosidades natalinas


Querem saber o que significa cada símbolo do Natal? Acesse o meu blog Fazendo Arte com Paula Dunguel.





endereço: http://fapdunguel.blogspot.com


Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo, com muita paz e amor nos corações

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato "O Baile" - 4

foto: cena do filme de Franco Zefirelli. O 1ºbeijo dos amantes
Durante toda a dança que se seguiu, Romeu acompanhava a jovem Julieta a dançar. Ela, percebendo-se observada, olhou para ele e vendo-lhe os olhos insistentes, acabou lhe sorrindo involuntariamente. Romeu faz-lhe uma sutil reverência, pendendo a cabeça de forma respeitosa. Julieta passou, então, a intrigada, acompanhar o misterioso homem, trocando com ele olhares.
Uma de suas primas percebera e, quando teve uma oportunidade, chamou Julieta para dançar com ela.
— Olha, prima Julieta! Aquele homem não tira os olhos de ti! Será que ele é bonito? — Margarita solta um risinho sugestivo. — Com máscara não dá pra saber!
— Por que será que ele está usando máscara?
— Vai ver ele é tímido. Falta-lhe coragem de fazer juras de amor de rosto limpo. Pra ser franca! Na minha opinião, esses são os melhores! — riu-se Margarita de novo. — São misteriosos e românticos! Ai! Deveis descobrir quem ele é!
— Não sei como, Margarita. Só de pensar em me aproximar dele, sinto vacilar o pé...
— E não deveis fazer isso! Deixai que ele de ti se aproxime! Se de fato estiver enamorado, não se amofine! Pretextos ele há de achar, para até o fim da festa, contigo conseguir falar. Venha! Continuemos a dançar!
Tal como sua prima havia dito, não tardara que ele se acercasse de Julieta e a convidasse para uma dança. Julieta sentiu-se corar por completo e desejou do fundo de seu coração, que também estivesse de máscara; não muito tempo depois, ambos já faziam par e arriscavam os primeiros passos.
Ela mergulhou no fundo daqueles olhos, tentando desvendar-lhe o íntimo de sua alma, mas ela só pôde perceber, que o mascarado tinha os olhos lindos, em tom de mel, e prometiam doçuras inefáveis. Gostaria de provar? Por certo o seu coração juvenil dissera que sim. Confusa, Julieta afasta-se dele, com a desculpa de que estava com sede e precisava beber alguma coisa. Dirige-se à mesa, meio trôpega e toma uma taça nas mãos.
Uma música suave cortou o ar e as mulheres da casa exultaram:
— Giácomo, da animada trupe de músicos de Mercuccio, irá cantar! — falava uma das moças.
— Ouvi dizer que ele tem uma bela voz! — comenta outra.
Todos se acomodaram da maneira mais agradável para ouvi-lo. O dito menestrel, famoso por suas artes, sentou-se no meio do salão e dedilhava uma música de sua autoria, na sua doce lira! Os convivas aproveitaram o momento, para descansarem e se alimentarem.
Julieta ainda se encontrava junto da mesa e enquanto se mantinha absorta, ouvindo a linda canção, nem percebera que Romeu estava junto dela e puxou-lhe a mão.
Ela deu um grito de surpresa, fazendo com que um parente seu olhasse para ela com reprovação. Julieta sorriu-lhe sem graça e, então, sentiu um sussurrar ao seu ouvido, enquanto Romeu mantinha sua mão presa a dela.
— Se minha mão profana o relicário, em remissão aceito a penitência: meu lábio, peregrino solitário, demonstrará com sobra reverência.
Romeu tira a máscara e beija a delicada mão. Julieta estremece ao sentir o toque morno daqueles lábios e vira-se pra ele. Lá estava ele; o misterioso mascarado revelara, enfim, o seu rosto. Ela ficou estupefata ao contemplar-lhe a beleza: cabelos dourados e ondulados como os de um querubim; olhos castanho-claros e brilhantes, que por um capricho da natureza, quase se fizeram verdes, pois em redor da pupila, via-se uns raios esverdeados; Ele parecia um anjo, daqueles que Julieta via retratados nas pinturas das “Madonnas”. Um querubim caído do céu, para iluminar-lhe a existência.
Ela retomou desesperada o diálogo, para se certificar de que aquilo não era uma aparição e em poucos segundos, desvanecesse no ar.
— Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Esse é o beijo mais santo e conveniente.
— Os santos e os beatos não têm boca? — brinca ele sorrindo.
O rapaz respondera! Para alívio de seu jovem coração, ele não era uma visão...
— Sim, peregrino, mas só para orações! — Julieta retribui a brincadeira.
Ele toca o rosto dela, com uma leve carícia. Julieta assusta-se, mas não conseguiu afastar-se, pareceu estar enfeitiçada...
—Deixai então, ò santa! Que esta boca mostre o caminho certo aos corações...
— Sem se mexer, o santo espera é voto.
— Então, fica quietinha: Em tua boca, limpar-me-ei dos meus pecados...
Ela fechou os olhos, enquanto Romeu erguia-lhe o rosto delicadamente, para em seus lábios pousar um beijo suave e respeitoso. Por uns instantes, Julieta não conseguia respirar, imóvel, ouvia apenas as batidas descompassadas do seu coração. Voltando a si, se afasta! Toca em sua boca e comenta sorrindo.
— Que passaram assim para os meus lábios...
— Pecados meus? Oh, não! Quero-os retornados! Devolve-me!
Romeu segura mais firme o rosto de Julieta e beija-a à francesa. Ambas as línguas se tocaram. Julieta perdeu a noção da compostura. Por uns momentos, abraçou-o forte para que o seu anjo não fugisse dela e descartar qualquer possibilidade de ser apenas um sonho. Eles não conseguiam parar. Ela, se perguntando por que não conseguia conter-se e ele, queria afogar-se cada vez mais em seu doce hálito. Ambos só voltaram à realidade, quando ouviram uma voz chamando. Era a ama Filippa atrás dela.
Julu!!! Onde estás bambina?!
Romeu colocou a máscara correndo e escondeu-se. Julieta tentou ajeitar-se como pôde, para que a ama não desconfiasse de nada.
Ama! Estou aqui! — aparece ofegante, Romeu a deixara sem fôlego.
— Estás sem ar? O que houve? Estás passando mal?!
— Não ama! É só cansaço de tanto dançar!
— Teus pais reclamam vossa presença, para despedir-se dos convidados!
Enquanto Julieta se afastava às pressas, Filippa aproveita para pegar uns docinhos que ainda sobravam na mesa para comer. Romeu aparece de repente, e a assusta.
Virgem Santa! Mas que susto!!!! De onde saíste?!!!!
— Perdão, senhora! Por obséquio! — disse-lhe.
— O que queres?
— Quem são os pais dela?
— De quem?
— Da senhorita que saíra há pouco daqui?
— Ora essa, cavalheiro! Os donos desta casa, certamente! Amamentei-lhe a filha, a senhorita pela qual indagas e te digo mais: quem vier a desposá-la ficará cheio de ouro, pois é uma boa menina e muito bem criada! Com licença...
Romeu sente o sangue gelar. “Ela é uma Capuleto?!” — pensa desesperado. —“ Oh, conta cara! Minha vida é dívida de hoje em diante no livro do inimigo!"
— Romeu! — chama-o Benvólio.
Ele se aproxima de Romeu vacilante, estava embriagado.
— Acabou a festa. Mercuccio está chamando para irmos embora.
Enquanto se retiravam, Julieta o vira.
— Ama! Quem é aquele cavalheiro que ora passa pela porta?
— O mascarado de roupa azul e preta, com capa e capuz?
— Ele mesmo.
—Não sei quem seja...
— Vá perguntar-lhe, então!
A ama obedece e volta pálida e desfigurada, fazendo o sinal da cruz sobre si, como se houvesse contemplado uma assombração.
Mama mia! Sinceridade foste batizada! Inacreditável!!!!
— O quê?! — pergunta Julieta.
Sangue de Cristo, valei-me!
Fala logo!
— Romeu é o nome dele! É um dos Montecchios, filho único do inimigo de vosso pai!
Julieta perde as cores e quase desfalece.
Eu não acredito! Deus meu! Como do amor a inimizade me arde! Nunca antes conhecido e muito tarde amado! Oh, como esse monstro o Amor brinca comigo; apaixonada ver-me do inimigo!
C-Como assim?! — gagueja a ama.
Julieta sobe as escadas às pressas chorando e assustando seus pais.
Ei! Julieta! Os convidados estão se retirando! — reclama o pai. — Deves fazer-lhes as cortesias da despedida! Julieta!!!
— Meu senhor! Oh, meu senhor! Perdoe Julieta, pois ela não está bem! — pede-lhe a ama. — Sendo assim, poupai-a de tal tarefa!
Mas o que deu nessa menina? — indaga o pai confuso e olha para a esposa.
— Saudades de Páris?! — opinou Bettina.
continua...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

mensagem especial: Solidariedade


Santa Catarina tinha uma massa muito grande de leitores deste blog, pesa-me por isso, ao coração, o que vem acontecendo àquele belo Estado. Aos amigos de Santa Catarina e agora, Espírito Santo, que lêem este blog, que liam quando computador ainda tinham e aqueles que talvez não leiam mais, pois podem ter perdido a vida na chuva impiedosa, deixo minha solidariedade e estou rezando por vocês e pelos seus Estados. Muitas das vezes, flagelos como estes nos assolam e indagamos: Onde está Deus numa hora destas? Porém, creio que a pergunta talvez seja outra: O que nós estamos fazendo com o nosso planeta?
Deus é sábio em tudo que faz e sua Natureza criada é perfeita; nós sim que, por ânsia de querer mais do que já temos, mexemos de forma irresponsável com Ela.
A Natureza não se defende, todavia, mais tarde, até para encontrar novamente o seu ponto de equilíbrio, Ela se vinga e é o que estamos vendo, não só em Santa Catarina, mas em todo mundo: terremotos freqüentes e até mesmo em lugares que nunca os tinha tido, Ciclones em larga escala, aquecimento absurdo, em partes do mundo que eram consideradas frias mesmo no Verão, etc...
Acho que é chegada a hora de pararmos para pensar no amanhã e buscar meios de cuidar melhor do nosso Planeta, que é a nossa casa, enquanto ainda temos tempo. Deus dotou o homem de inteligência, para saber diferenciar o que é bom e o que é mau. Conjuro a todos os leitores deste blog a ajudarem Santa Catarina. Participem das campanhas! Vamos mostrar a nossa solidariedade nesta época, que por causa do Natal, só se exalta esta palavra, o Amor e a Fraternidade. São nossos irmãos que estão sofrendo e provavelmente, o Natal deste ano, para eles não será o mesmo.
PAZ E BEM A TODOS

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato "O Baile" - 3

foto: cena do filme de Franco Zefirelli "1968" (Julieta e Páris)
Ao virar-se, Romeu teve um sobressalto e contemplou a mais bela aparição, mais bela ainda do que Rosalina, a ingrata que magoara-lhe o coração.
— Andaste por demais ao sol, jovem senhor — brinca ela. — Balbuciando palavras sozinho e sem sentido aparente, ou se acaso engano-me, não estás contente?
Romeu fica sem palavras para responder à bela moça. Tinha diante de si, uma jovenzinha radiante como a aurora matutina. Pele clara como a neve e cabelos negros como o ébano; olhos de uma cor que Romeu não pode definir; ora pareciam verdes e ora azuis, dependendo da luz a banhar-lhe o jovem rosto; faces róseas, demonstrando o frescor da tenra idade e seus lábios? Ah, os lábios! Bem delineados pela natureza e tão carmesins, que pareciam uma uva moscatel madura e doce, convidando a ser provada. E o sorriso? Que lindo sorriso ornamentava-lhe a face! Dentes alvos e brilhantes!
O coração de Romeu disparou, mas antes que pudesse saber-lhe o nome, a dama virou-se e dirigiu-se à uma senhora que gesticulava-lhe de forma frenética. O rosto dele havia corado e sentiu um calor percorrer-lhe todo o corpo e agradeceu aos céus, por ter a face oculta.
— O que foi, ama? — pergunta Julieta.
— O conde Páris deseja despedir-se.
Julieta se segurou para não abrir um largo sorriso e acompanhada da ama entrou em casa.
— Quem será ela? — indaga-se Romeu encantado. — Oh, que simpleza! Nunca soube até agora o que era a verdadeira beleza!
Romeu estranha as suas palavras proferidas espontaneamente.
— Será que agora, de fato, saberei o que é o amor? Seguirei atrás.
Ele volta para o salão iluminado e começa a procurar pela jovem. Viu-a conversando com um cavalheiro e nesta hora, passou um criado servindo.
Ei! Amigo! Que dama é aquela que fala com aquele cavalheiro?
Já cansado e mau-humorado, o criado responde de qualquer maneira.
— Desconheço-a, meu senhor.
Depois que o servo afastou-se, Romeu levanta a máscara e continuou em sua contemplação apaixonada.
— Ela ensina a tocha a ser luzente! Dir-se-ia que a face está pendente da noite, qual jóia mui preciosa, na orelha de uma etíope mimosa! Bela demais para o uso, muito cara para a vida terrena! Como clara pomba ao lado de gralhas tagarelas, anda no meio das demais donzelas!
Teobaldo, primo de Julieta por parte de sua mãe, passava na hora e viu-lhe o rosto antes de Romeu baixar novamente a máscara, e o reconhece.
— Como esse vilão se atreve a com máscara grotesca, vir aqui para de nossa festividade rir e fazer pouco? — fala indignado. — Pela honra de meu sangue e nobre estado, dar-lhe a morte não julgo ser pecado!
Teobaldo corre em direção aos tios. Romeu, alheio, nem percebera que Teobaldo o vira.
Páris foi embora e Julieta voltou para a roda de dança, para divertir-se com as amigas. Estava feliz e aliviada.
— Vou procurá-la, após a dança, para que esta mão possa tocar nela e assim ficar bendita!
— Tio! — chama-o Teobaldo.
— Que é, sobrinho meu? Que se dá contigo?
— Aquele é um Montecchio, nosso inimigo? — fala apontando-o.
— Como tu o sabes?
— Vi-lhe por uns instantes o rosto, enquanto tinha a máscara levantada.
— Mas quem é ele?
— É Romeu Montecchio! O biltre Romeu! — fala Teobaldo com raiva. — Ele entrou aqui, por zombaria, para estragar nossa alegria!
— Caro sobrinho, aquieta-te! Deixai-o tranqüilo! Ele não fez nenhum chiste com nossa festa, tem-se mostrado um perfeito gentil-homem. Para ser-te franco; Verona tem orgulho dele, como rapaz virtuoso, pacífico e mui polido. Não quero que ele seja, em minha casa, ofendido. Acalma-te, portanto e fica alegre! Essa é a minha vontade!
Bettina Capuleto surpreendeu-se com a tolerância do marido.
— Acatai sua presença, fica alegre e desfaça esta carranca que não vai bem com nossa festividade! — diz-lhe Capuleto.
Teobaldo não conseguia acreditar no que ouvira. Ver o tio defendendo o inimigo, muito o revoltou.
Vai sim, quando um vilão se mete nela! — retruca-lhe. — Tio, eu não o suporto! Por favor... é vergonhoso!
Capuleto segura-lhe firme pelo braço e joga-o em uma cadeira.
— Terás de suportá-lo! Estou mandando: deixa-o em paz!
Quem manda aqui, acaso, vós ou eu? Ora! Não o suportais, então; quereis fazer barulho entre meus hóspedes?! Provocar Briga?! Quereis ser o primeiro a ser enforcado pelo Príncipe Escalo? Sois um petulante! Arrependi-me de tê-lo convidado!
— Mas... — ele ainda tentou argumentar.
SILÊNCIO!
Ide acalmar-vos, seu fedelho impetuoso e desequilibrado!
Capuleto afasta-se e Bettina achega-se a Teobaldo.
— Faça o que ele disse — ordena ela. — Resolva isto mais tarde, pois Lorenzo disse: “em minha casa”. Na rua, porém, podeis agir como quiserdes. Mate-o por esta afronta e depois, fuja da cidade e retorne mais tarde, quando todos já houverem esquecido o caso — idealiza a cruel mulher.
—A paciência e o furor equilibrados, inativos me deixam com seus brados. Vou embora, mas o intruso que hoje é mel, será amanhã o mais amargo fel.
— Isso! — concorda ela.
Teobaldo abandonou a festa. Recusou-se a permanecer no mesmo antro que um inimigo Montecchio, pois talvez, até o final do baile, desobedecesse ao tio.
continua...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato "O Baile" - 2

foto: Estátua de Julieta no jardim dos Capuletos

Quando Romeu e os companheiros chegaram, a festa corria animada e a cada chegada de novos convidados, o Senhor Capuleto, acompanhado da esposa, vinha recebê-los à porta.
— Senhores, bem-vindos! As senhoras que não sofrerem no dedão de calos, hão de dançar convosco! — cumprimentava-os o anfitrião.
— Vamos agora — fala Mercuccio.
— O Capuleto está na porta... — hesita Romeu tentando dar meia-volta, no que Mercuccio puxou-o.
— Nada disso, meu bom rapaz! O que esperavas? Ele é o dono da casa e deve fazer as honras!
— Eu me arrependi de ter vindo!
— Agora é tarde, caro amigo! Esqueças quem sois e entre sorrindo!
Ora! Estou de máscara! — recrimina ele.
— Mais um motivo para não ter medo — Mercuccio empurra-o. — Olá, Senhor Capuleto? — cumprimenta-o Mercuccio, fazendo um meneio. — Mercuccio, vosso criado!
— Oh! Como vai, bom Mercuccio? Quem são esses?
— Meus companheiros de música.
— Ah, é mesmo! Esqueci-me de que adoras animar as festas! Isso é ótimo, porque meus músicos cansando, podeis assumir as serestas!
Romeu suava frio e, embora mascarado, seus pés vacilavam.
— Me parece que este rapaz não está bem...
— Ah, coitado! É um enjeitado pela família, o qual a minha dispôs-se a cuidar, pobrezinho! Ele é estrangeiro!
Romeu vira-se incrédulo para Mercuccio.
— É?! — pergunta Capuleto. — De onde?
— Da França! — mente Mercuccio.
— Adoro a França! Suas maneiras, seus costumes... De onde sois meu jovem? De que província francesa?
Romeu mordeu os lábios. Se ele falasse, Capuleto reconheceria-lhe a voz. A vontade dele era voar no pescoço do amigo.
— Imagina! Não vos contei?! — torna Mercuccio calmo. — Ele é mudo, não fala nada!
— Oh, mas que pena! — apieda-se a Senhora Capuleto.
Benvólio estava se segurando ao máximo, para não cair na gargalhada.
— Ele não fala nada mesmo? — pergunta Capuleto incrédulo.
— Nem um gemidinho...
Mercuccio pisa com força no pé de Romeu e ele sente uma dor terrível, mas não podia gritar, teve que segurar-se. Seus olhos lacrimejaram por trás da máscara.
— Viu?!
— Oh, que lástima! Coitado... Entrem. Sede aqui bem-vindos! Já se foi o tempo em que punha uma máscara e sabia cochichar algumas palavrinhas nuns ouvidos bonitos, mas a mocidade é fugaz... tudo passa! Ide senhores!
Os amigos arrastaram Romeu para dentro.
— Por que fez aquilo? — pergunta a Mercuccio revoltado.
— Me vinguei! — ri Mercuccio.
Seu desgraçado! — xinga Romeu. — Eu te mato seu asno!
Mercuccio corre para o meio do salão, cheio de gente, antes que Romeu arrancasse-lhe o couro.
Enfim, todos os amigos misturaram-se aos convidados e Romeu retomou o seu intento. O pior já havia passado. Começou a procurar por Rosalina, porém, de fato não a vira junto da família. À festa ela não fora, mau sinal.
O Senhor Capuleto e sua senhora já haviam voltado para o salão e agora, conversavam com os pais de Rosalina. Sorrateiramente, Romeu se aproxima para ouvir o que comentavam.
— Então, é mesmo verdade, Benvenuta? Rosalina decidiu ser freira... — falava Bettina.
— Sim. Minha filha sempre foi uma santa, já era esperado que agisse desta maneira.
— Não estão decepcionados? — pergunta Capuleto.
— Nem um pouco, irmão Lorenzo! — disse-lhe Iacopo, o pai de Rosalina. — Sentimo-nos lisonjeados! É até melhor, menos um dote a ser pago!
— Quanto a mim, nem posso pensar em colocar minha filha no convento, senão, minha família termina; por isso, estou empenhado em arrumar-lhe bom casamento — fala Capuleto.
— E já tem alguém em mente, caro cunhado? — pergunta a mãe de Rosalina.
— Estamos pensando em casá-la com o Conde Páris — explica a mãe de Julieta. — Só que, por enquanto, nada foi arranjado até o momento presente.
— Nossa! Conde Páris é um bom-partido! — admira-se Benvenuta.
— Sim! Muito rico! Escolheste bem, Lorenzo! Agora, quanto ao fato de Rosalina estar no convento e com homem algum casar-se, tenho outros filhos, por isso, não devo preocupar-me.
— Isto é fato! — concorda Capuleto.
“Então era verdade... Ela de fato tornou-se casta...” — pensa Romeu decepcionado e afasta-se inconsolável. —“Benvólio não mentira...”
Romeu foi procurá-lo e por fim encontrou-o.
— Eu não disse? — fala ele.
— Sim, disseste primo meu. E eu cheguei a duvidar da tua palavra!
— É natural, primo. A decepção certas vezes nos bate à porta e por medo de sofrer, não abrimos para ela. Mas, caro Romeu, atente! Logo acharás uma linda donzela e esta, o fará esquecer-se de Rosalina e logo, estarás outra vez contente!
— A ferida está recém aberta, não sei se desejo aventurar-me nesta estrada tão cedo!
— Encontre nova paixão, não tenha medo! — incentivou-o Benvólio.
— Preciso de ar...
Romeu afasta-se e dirige-se para o jardim da casa e senta-se no chafariz. Ele queria chorar e estava por um triz, contudo, sentia-se envergonhado de fazê-lo, embora a máscara lhe favorecesse e pudesse vazar a tristeza sem temor, e martirizar-se pelo perdido amor.
No salão, Julieta já estava cansada de dançar e dar atenção a Páris. Queria afastar-se dele um pouco, ela não estava agüentando mais; seus pés doíam e seu pretendente era por demais esnobe. Por fim, conseguira uma boa desculpa e conseguiu fugir, escolhendo o jardim para esconder-se.
Casais estavam a conversar animadamente e pareciam apaixonados e absortos em si mesmos. Julieta não pode deixar de admirá-los; eles não se preocupavam com nada em redor, apenas contemplavam-se mutuamente. Ela suspirou profundamente, desejando um amor semelhante para si e algum tempo depois, reparou numa figura imóvel e solitária, sentada no chafariz. Era o único que estava sozinho.
“O que aquele homem só, faz no refúgio dos casais apaixonados?” — indaga-se. "— Bom, deve estar esperando alguém... de certo marcou algum encontro...”
Ela ia retirar-se, mas decidiu continuar a observá-lo; pelo menos era melhor ali, do que ao lado de Páris. Após um tempo bem longo, ela constatou que ninguém dele se acercara. Curiosa, resolveu aproximar-se e ouviu ele balbuciar palavras amarguradas.
—Ah, que aparência tens amor tão branda, mas na verdade, sois áspero e tirano!
Assim falava o jovem quando foi surpreendido por uma risada meiga e cristalina...
continua...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato " O Baile" - 1

foto: máscara veronesa
O grande salão já estava iluminado, as guirlandas suspensas e espalhando o seu perfume suave; uma mesa com várias iguarias, já tinha sido servida com luxo e beleza.
Os convidados chegavam aos poucos e iam enchendo o salão, com seus risos, suas conversas e suas roupas bordadas e riquíssimas em detalhes; era um verdadeiro show de cores, mas as cores que mais predominavam era o vermelho e o dourado, a cor do brasão da família Capuleto.
Julieta já estava arrumada, aguardando sua ama Filippa vir buscá-la para o baile. Seu vestido era vermelho vivo, num tom bem forte, bordado com rosas singelas em tom branco, contornadas em dourado, pois a cor predominante da família tinha que sobressair-se em sua roupa. Seu cabelo bem longo e negro, protegido com uma espécie de touca do mesmo tecido da roupa, estava impecável, preso em uma trança enfeitada com uma rede de pérolas, sinal da moça disponível para o casamento.
Ela estava deslumbrante! Mas para o Conde Páris, não para alguém que ela, de fato, quisesse enfeitar-se. Olhava-se no espelho e sentia-se estranha. Só conhecia o amor através dos contos que ela criava e narrava às amigas. “Será que o amor existe como nos contos-de-fada?” — indagava-se.
— Julieta! — chama-lhe a ama, despertando-a dos devaneios.
— O baile já começou, vamos! O conde a espera.
Ela soltou um suspiro entediado e queixoso.
— O que foi, ovelhinha? Estás triste?
— Não, ama...
— Não simpatizas com Páris, não é?
Julieta ficou lívida. Sua ama acertara na mosca. E como se entendesse o silêncio dela comentou...
— Eu te conheço bem, Julu...
— Nada posso esconder de ti, não é ama?
— Filha, não fica assim...é natural que tu não gostes dele, afinal, pouco o conheceis, porém, quem sabe se com a côrte e a convivência, não venhas apegar-te ao moço?
— Talvez... é que... é tão estranho... — balbucia Julieta tentando entender.
— Claro, minha bambina! Nunca ouviste falar de amor! Há pouco saíste da infância, então, tal temor é natural para a tua idade... — explica-lhe a boa ama. — Bom, acho que teremos que conversar sobre isso, preciso explicar-te sobre algumas coisas, pois já estás na idade.
Julieta sorriu.
— Acho que tens razão. Como sempre, querida ama!
— Venha! Vamos descer!
Neste mesmo tempo, por uma alameda estreita e escura, munidos de archotes, vinham Mercuccio e sua trupe de músicos mascarados, na direção da casa dos Capuleto. Romeu e Benvólio estavam com eles.
— Por escusas faremos algum discurso, ou entramos sem nenhuma apologia? — pergunta Romeu ao primo.
— Muito falar destoa deste dia. Que nos tomem por quem melhor acharem; mediremos com todos alguns passos e, após, sairemos —explica-lhe Benvólio.
— Dai-me uma das tochas; não me acho disposto para pinotes hoje.
— Não! Tereis de dançar, caro Romeu! —caçoa Mercuccio.
— Nervoso da forma como estou, pesa-me o corpo feito chumbo e meus pés, não conseguem dar um passo.
— É tão fácil! É só acompanhar o compasso!
Mercuccio segura Romeu e para escarnecê-lo, tenta valsar com ele.
Ei! Ei! Me solta!!! — protesta ele.
Os amigos começaram a rir. Indignado, Romeu pisa no pé de Mercuccio.
Ai! Essa doeu! — reclama ele.
— Já disse que não vou dançar hoje!
Mercuccio soltou uma longa gargalhada.
— Ora! Sois um apaixonado! Por empréstimo, tomai as lépidas asas de Cupido! — brinca ele.
— Hum... ROSALINA!!!!! — ri um dos homens e os demais começaram a caçoar dele também, até Benvólio.
Querem parar com isso! — irrita-se Romeu. — Tão transpassado estou por suas setas que nenhuma de suas asas, conseguirá levar-me para o alto! Pois sinto-me pesado, que não posso deixar a dor obscura, esta, nem pelo fardo do amor, gemendo se cura!
— Mas para estar sob ele, é necessário que carregueis o amor, embora um peso excessivo para coisa tão terna — filosofa Mercuccio.
— Coisa terna julgais que seja o amor?! Não; muito dura. Dura e brutal e fere como espinho... — desabafa ele.
— Se o amor convosco é duro, sede duro com ele! Revidando todas as pancadas que der — aconselha-o. — Ponde-o no chão!
Giácomo! Dê-me uma cobertura para o rosto! Em cima de uma máscara, ponho outra! Que me importa que o olhar possa perceber a feiúra?
Dizia Mercuccio, escarnecendo de si mesmo e de sua aparência, que não era tão bela, embora muito feio também não fosse; mas ele se julgava fora dos padrões de beleza e não adiantava dizer-lhe o contrário. Os amigos já estavam acostumados com seu complexo.
— Vamos bater e entrar, e uma vez dentro, que bom uso das pernas todos façam! — combina Benvólio animado.
— Insisto! Dê-me uma tocha! Já meu avô dizia sentencioso: seguro a luz e fico a observar tudo. Fora, muita algazarra; eu, quieto e mudo — pede Romeu outra vez.
— Por que tanto temor, agora? Não querias ver e falar com Rosalina, a ninfa por quem lamenta e chora?! — repreende-lhe o primo.
— É que eu tive um sonho esta noite...
— Oh, mas que coincidência! — intromete-se Mercuccio. — Eu também!
— Sobre o quê? — pergunta Romeu curioso.
— Que os sonhadores sempre mentem e sonho algum, verdade tem! Vamos rapazes! “andiamo”! Já estamos atrasados! — adianta-se Mercuccio, conduzindo os seus bardos.
O grupo seguiu em frente e Romeu ficou pra trás.
Anda primo! Deste jeito, não pegaremos nem a ceia! — grita-lhe Benvólio.
— Eu devo estar mesmo louco. Ir à festa em casa inimiga... Embora mascarado, ainda assim é um absurdo!
O sino do campanário da Catedral de São Zeno, soaram dez badaladas. Romeu ouve o som e vira-se para a igreja e faz uma ligeira prece.
— Apreende o meu espírito algo que ainda pende das estrelas e que vai iniciar seu fatal curso, na festa desta noite, pondo termo à vida desprezível que eu carrego no peito, num açoite. Mas Aquele que se acha no leme da minha viagem, dirija-me a vela!
Ao virar-se para a alameda, percebera que os amigos já iam longe e teve que correr para alcançá-los.
Ei! Esperem!!! — grita ele.


continua...