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Pelo mundo

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Romeu e Julieta (em prosa e versos)-primeiro Ato "Em busca do verdadeiro amor"- 4


foto: cena do filme Romeu e Julieta de Franco Zefirelli

No jardim da mansão de Capuleto, Julieta já havia recebido algumas amigas e primas para a festa. Sentadas no pátio em círculo, próximas ao gargarejar preguiçoso do chafariz central, teciam as guirlandas que enfeitariam a noite. Era primavera e muitas flores puderam ser usadas, desde rosas a miosótis.
As moças ouviam Julieta contar mais uma de suas estórias de príncipes e princesas, enquanto trabalhavam. Isso ajudava a matar o tempo e controlar a ansiedade para a festa.
— E então, após matar o dragão... — contava ela. — o valente príncipe tomou-a nos braços e levou-a para o seu castelo, onde viveram felizes para sempre.
— Que linda estória, prima Julieta!
— Sem dúvida! Uma bela estória de amor! Acho que nossa prima mais jovem deseja apaixonar-se... — brinca Benedetta.
Julieta sente-se corar e joga um ramo de flores em cima da prima maliciosa. Todas as moças riram com isso.
Não é isso! — fala Julieta encabulada.
— Imagina se não... — insistiu a prima.
E se for? Qual o problema? — fala Lívia, amiga de infância de Julieta. — Já é hora de interessar-se por um jovem.
Lívia, pára! — retruca Julieta voltando a corar.
A ama de Julieta começa a berrar por ela.
JULIETA!!!!! Onde está a menina? JULIIIIIIIEEEEEETAAAAA!!!!!!
— Sua ama a está chamando! — fala Stefana.
No quarto de Julieta, a senhora Capuleto estava nervosa e impaciente.
— Onde ela está, ama? — perguntava ela.
— Por minha virgindade! Desde quando eu tinha 12 anos já a chamei! — exagera ela. — JUUUUULIIIIIEEETAAAAAAAA!!!!!!
Julieta entra em casa correndo e atropelando os que estavam arrumando a festa. Sobe as escadas para o segundo pavimento e vê sua ama Filippa bem agitada.
Menina! Onde estavas?
— No jardim, ama!
— Rápido! Sua mãe deseja falar-vos!
— Minha mãe? — Julieta estranhou; sua mãe nunca foi de lhe dar muita atenção. Era fria como o gelo e elas pouco se falavam.
— Sim, minha ovelhinha! Anda! Se avie!
— Onde ela está?
— No vosso quarto.
Julieta entra e vê sua mãe sentada na penteadeira, tentando ajeitar uma mecha rebelde, que cismara de mostrar-se pelo véu. Estava linda! Já vestida para receber os convidados; um vestido com bordados ricos, o chapéu com véu, típico de uma mulher já casada da época. Em nada aquela mecha que caía, atrapalharia todo o conjunto de beleza, entretanto, sua mãe já parecia irritada com aquilo.
— Senhora, aqui estou — fala Julieta aproximando-se. — Que desejais?
— Ah, que bom! Filha precisamos conversar... é...
Ela olha para Filippa.
— Ama deixa-nos sozinha, pois é assunto particular...
— Sim, senhora.
A ama sai meio contrariada; quando sai, não pôde evitar a curiosidade, enfiou o ouvido na porta. Ouviu que a senhora Capuleto tentava começar a falar, mas empacou por sentir-se tímida e dirigiu-se à porta para pedir que Filippa voltasse. Filippa ouviu-lhe os passos e afastou-se correndo, procurando disfarçar. Bettina Capuleto abre o quarto.
— Ama, por favor! Volta!
A ama sorriu animada e obedeceu, embora não entendendo nada. O fato é que o Senhor Capuleto já havia falado à esposa das intenções do Conde Páris e ordenou-lhe que já preparasse o terreno para umas possíveis bodas. Julieta estava confusa. O que haveria de tão grave para a mãe portar-se daquele modo? Bettina, para justificar-se e pedir-lhe desculpas pela grosseria, sem humilhar-se perante uma criada começa a falar:
— Lembrei-me agora que é preciso que ouças nossa conversa, pois há muito tempo conheces minha filha.
— É certo, posso dizer que idade tem, hora por hora!
— tem 14 anos incompletos — corta a Senhora Capuleto.
— Jogo 14 dos meus dentes fora, embora para minha aflição só tenha 4, em como não fez ainda 14 anos!
— Isso pouco importa... — fala Bettina.
A ama nem deixou a Senhora Capuleto iniciar. Começou a tagarelar e a falar da infância de Julieta.
— No dia 1 de agosto, ela completa 14 anos, ela e Susana, minha filha, que morreu bebê ainda. Eram da mesma idade, bem, Susana está com Deus, mas como ia dizendo: na noite de 1º da agosto ela completa 14 anos. Desde o tremor de terra, que abalou Verona, onze anos se passaram quando ela desmamou e depois, de pé, sozinha, a ovelhinha já cambaleava pela casa e, pela
Santa Cruz! Depois do aniversário, ela caiu e machucou a testa!
Julieta estava segurando o riso, para não rir da cara impaciente da mãe. Ela estava desfigurada. E a ama continuava...
— Meu marido, que Deus o tenha, levantou a menina e disse:
“Isso, Julu! Caia agora de frente, porque mais tarde cairás de costas, quando tiveres mais espírito!” E parando de chorar, na mesma hora, a pirralhinha disse SIM, sem saber do que ele falava — disse a ama soltando uma gargalhada sonora.
Ama! Já chega!!! — repreende-lhe a patroa corando-se. — Bem... retomemos o assunto...
Ah, minha bambina!!!— interrompe a ama de novo. — Foste a criança mais linda que criei! Deus vos conserve em graça!
Julieta corre e abraça sua ama-de-leite. A senhora Capuleto, voltou a apertar as têmporas com força.
— Eu já sei disso! — fala a mulher entre-dentes. — Enfim... — suspira fundo e tenta retomar o assunto.
— Se um dia puder ver-te casada... — falava Filippa acariciando o rosto de Julieta.
Pois foi para falar de casamento que a chamei! — falou logo sua mãe, antes que a tagarela da ama a interrompesse de novo. — Julieta: em que disposição te achas para isso?
A menina se surpreendeu, nunca havia pensado nisso. Até a ama ficou surpresa...
— É uma honra, com a qual jamais sonhei — reconhece de forma tímida e inocente.
— Pois estamos na época de pensar em casamento. Mais jovens do que vós, aqui em Verona, senhoras de respeito já são mães. Para ser breve: o valoroso Páris requesta vosso amor.
Julieta abaixa a cabeça e disfarçadamente, torce o nariz bem feito. “Logo ele?” — pensa ela contrariada. —“Ele é um chato! Só sabe falar de dinheiro, do poder que tem, de lutas, mas nunca de amor...”
Que homem menina! — grita a ama eufórica. — Um homem desses, só feito de encomenda!
— A primavera de Verona não tem mais bela flor! — elogia-lhe também a Senhora Capuleto.
— Sim, uma verdadeira flor! Que traços! Que modos! — concorda sua ama.
“Para mim ele se parece mais com uma erva-daninha...” — pensa Julieta com desdém.
— Que dizeis? — fala sua mãe, interrompendo-lhe o pensamento. — Sois capaz de amar o jovem? Hoje à noite vê-lo-eis em nossa festa. Folheai o livro de seu jovem rosto, que nele encontrareis doces encantos, escritos pela pena de beleza. Enfim, que me dizeis do amor de Páris?
— Vou ver se prendo nele os meus olhares. Mas a vista não chegará além, do que me consentir vossa vontade — fala Julieta sem jeito.
— Ótimo! Ama, arrumai Julieta! Quero-a divina esta noite, para que aos olhos de Páris, não pareça um açoite! — despede-se Bettina saindo.
— Sim, minha senhora! Vem, minha ovelhinha! Vamos escolher o mais belo vestido!
Julieta deu um sorriso torto, sem graça e suspirou amargurada, enquanto para o armário a ama lhe puxara.



continua...

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